18 de maio: Dia da Luta Antimanicomial

Você conhece um manicômio? Sabe o que significou um dia essa forma de tratamento da chamada “loucura”?

Veja a seguir reportagem especial sobre O Dia da Luta Antimanicomial. 18 de maio é data importante para conscientizar a sociedade de que a loucura não pode ser trancafiada e isolada, e sim inserida no convívio social!
Clique no mapa para conferir o trajeto do desfile em Belo Horizonte e veja ainda onde estão localizados os Centros de Convivência da prefeitura, onde novas formas de cuidar são abordadas para manter todo usuário na sociedade.


Dia 18 de maio foi dia de luta em Belo Horizonte. Às 15 horas, milhares de pessoas com fantasias coloridas, cartazes e faixas se reuniram na Praça da Liberdade para o desfile-manifestação da Luta Antimanicomial. Os hinos da escola de samba Liberdade Ainda que Tan Tan eram cantados e dançados com alegria pelos manifestantes, entre os quais estavam trabalhadores, profissionais da área da saúde, estudantes, representantes de movimentos sociais, imprensa, usuários de serviços de saúde mental e seus familiares.

A cada ano, a luta adota um tema. “Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça” foi o lema da vez, embora assuntos de outros anos, como “A cidade que queremos: seja feita a nossa vontade”, de 2014, e “SUS Tentar a Diferença: Saúde não se Vende Gente não se Prende”, de 2012, tenham sido referenciados nas mensagens do desfile mais recente.

Patrícia Prates, 24, acompanhou o desfile do início ao fim. Ela tem um irmão autista, uma tia com diagnóstico de esquizofrenia e, apesar de nunca ter participado de outras edições do desfile, já conhecia a causa da luta: “ela é importante para lembrar que a vida dessas pessoas não podem ser reduzidas a ponto de serem apagadas dentro de um manicômio. Loucura é acabar com o direito do outro de viver em sociedade e com dignidade”, completa.

Reforma Psiquiátrica

A lei 10.216, em vigor desde abril de 2001, é destinada a proteção e regulamentação do tratamento de pessoas com sofrimento mental. A aprovação da lei foi uma conquista para o campo da saúde mental, influenciado pela reforma psiquiátrica do italiano Franco Baságlia. Em suas vindas ao Brasil na década de setenta, o psiquiatra comparou os hospitais aos campos de concentração. A causa ganhou visibilidade, especialmente depois que os hospitais de Trieste, na Itália, abriram as portas. No Brasil, foram criados centros de atenção psicossocial para substituir o sistema de internações.

Uma das manifestantes, Marina Cristeli, 20, disse que ainda há muito para ser feito. “A luta antimanicomial não acabou com as vitórias que Basaglia ajudou a conquistar. Ela continua, contra os retrocessos que batem à nossa porta e ameaçam trazer de volta as formas tradicionais de assistência”, diz a estudante.

A professora da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e integrante do Programa de Extensão em Atenção à Saúde Mental (PASME) Maria Odete Pereira concorda e coloca que, apesar da presença dos centros de convivência e da notoriedade de Minas Gerais no contexto antimanicomial, ainda existem hospitais psiquiátricos no estado. Sobre a relação entre a loucura e a cidade, ela declara: “A loucura tem que ter espaço na cidade. A pessoa que sofre de algum transtorno psíquico não deixa de ser um cidadão, portanto ela deve estar inserida nos espaços sociais”.

O PASME aderiu à Semana da Saúde Mental e Inclusão Social, iniciada no dia 18, e preparou uma programação com oficinas, debates e rodas de conversa na universidade. O programa, com o apoio da Pró-Reitoria de Extensão da UFMG, busca construir laços mais sólidos entre a universidade e a sociedade civil. Para conhecer as atividades do PASME, entre no site: www.pasmeufmg.wordpress.com.

Equipe

Ana França e Marina Novais