Obras causam desapropriações e invisibilidade de famílias

Se não estiver vizualizando a galeria de imagens acima, utilize os navegadores Internet Explorer ou Firefox.

Aberta durante o governo de Juscelino Kubitshek para dar acesso à região da Pampulha, a Avenida Antônio Carlos vem passando por um processo de duplicação em três etapas desde 2004. A primeira etapa se deu com a abertura da trincheira da Avenida Santa Rosa indo da Rua Viana do Castelo até a Rua Aporé. A segunda compreende o trecho entre a Rua dos Operários e o complexo da Lagoinha. Por fim, tem-se a duplicação da Avenida Pedro I em continuação com a da Avenida Antônio Carlos, resultando em um alargamento total das obras em 3,9km e uma soma de aproximadamente R$ 190 milhões em investimentos do Governo federal e estadual em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte. Faz parte do projeto ainda a construção de oito viadutos e a implantação do BRT (Bus Rapid Transit), sistema otimizado e exclusivo para o transporte coletivo.

Para além da perspectiva de facilitar a mobilidade e a fluidez do trânsito entre a Pampulha e o Centro, onde circulam cerca de 85 mil veículos diariamente, as obras são fruto de uma preparação da cidade para a Copa do Mundo de Futebol em 2014 que terá jogos realizados no Mineirão, enquadramento bastante presente na cobertura dos veículos jornalísticos. Somado aos transtornos do trânsito, à mudança na paisagem, às consequências para o comércio local e imobiliário, destaca-se ainda os 250 imóveis que foram desapropriados da região para efetivar a duplicação da avenida.

Investigar como a mídia regional se posicionou a respeito do assunto é fundamental para entender parte das implicações positivas ou não das obras que afetam a população. É possível afirmar que a cobertura se manteve entre dois eixos principais: os transtornos no trânsito causados pelas interdições das obras e os vultosos investimentos alocados para a conclusão do projeto. Constantemente se faz referência, nos canais jornalísticos, à aproximação da Copa do Mundo e do quanto o trânsito no local se tornou lento e caótico. A desapropriação das famílias que residiam nas localidades praticamente não ganha espaço e visibilidade nas matérias, ainda que seja um assunto de grande relevância no processo e que deveria ter sido melhor abordado pelos jornais online. Percebe-se ainda pouco espaço dedicado à fala de cidadãos (não especialistas) nas matérias que só aparecem eventualmente, mesmo que estes constituam a maioria da população diretamente afetada.

Nesse sentido, o Storify abaixo oferece um panorama da cobertura que jornais regionais, blogs e sites oficiais fizeram durante o processo. Clique na imagem abaixo e confira!

 

storify6-300x180

 

Reportagem

Míriam A. Santos

Etapas desta publicação

Proposta
Desenvolvimento

4 comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *