A Copa não faz Gol!

Bola Fora: Hospital Veterinário da UFMG corre o risco de ser fechado durante a Copa do Mundo

Por Gabriela Costa e Júlia Pelinson

“Eu como diretora do hospital e possível usuária não concordo com a influência que os eventos estão exercendo no Hospital, mas quanto às medidas de segurança e acesso alternativo, estes são necessários para mantermos o nosso Hospital seguro e, ao mesmo tempo, assegurar o atendimento à comunidade”, pontua Eliane.

Além disso, é inaceitável admitir que um país que assume a responsabilidade de sediar um evento mundial se organize para parar em diversas instâncias durante quarenta e cinco minutos de faltas e gols. Seria mais sensato que a vida continuasse também fora dos gramados, ou não?

Acho que sim. Mas não foi bem isso que aconteceu em junho….

Junho chegou e o clima de um Belo Horizonte se alvoroçou. O mês das festas juninas era esperado com grande expectativa pelos mineiros da capital. O motivo? Além das barraquinhas de beijos das folias de São João, a cidade se pintaria de verde e amarelo para receber alguns dos jogos da Copa das Confederações.

Organizada pela FIFA (Federação Internacional de Futebol), a Copa das Confederações é um dos mais importantes torneios de futebol do país. O evento é um preparatório para a Copa do Mundo, e ocorre sempre um ano antes, no país-sede do mundial.

Ano que vem o Brasil sediará sua segunda Copa do Mundo. Entre as cidades sede, BH se classificou, e o horizonte da cidade já começou a ser modificado. Obras de infraestrutura invadiram a cidade, e algumas tiveram prazo curto para serem realizadas, afinal, junho começava frio e à espera de bolas internacionais rolando no tão querido Mineirão.

A capital mineira recebeu três jogos no Estádio Governador Magalhães Pinto: Taiti x Nigéria, Japão x México e Brasil x Uruguai nos dias 17, 22 e 26 de junho, respectivamente. A cidade se aprumou. O inglês ganhou alguns “uais”, o trânsito foi alterado, o Mineirão reformado. Entre britadeiras que abriam novos espaços na cidade, instituições públicas e até alguns órgãos privados tiveram seus horários de funcionamento alterados.

A Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG, liberou circulares informativas. Entre algumas aulas canceladas, como previsto, um dos avisos chamou a atenção: o Hospital Veterinário seria fechado.

http://www.flickr.com/photos/labcon/sets/72157636089734526/show

[[[Caso você não esteja visualizando a galeria, clique AQUI]]]

O Hospital é um órgão complementar da UFMG, e foi idealizado para ser o principal laboratório de formação profissional do médico veterinário. Funciona de segunda à segunda, de 8h às 21h nos dias de semana e até às 18h, nos finais de semana. Próximo ao Mineirão, o Hospital não só ouvia os gritos das torcidas, como precisou entrar no ritmo dos jogos. Nos dias de partida, o hospital ficou fechado. Além disso, nos dois dias que precederam o jogo do dia 26, o atendimento ao público era encerrado, sempre, às 18h.

A restrição dos horários não foi a única alteração, o acesso ao Hospital foi todo modificado, e a portaria fechada para veículos e pedestres a partir das 16h.

Construído graças à iniciativa do Departamento de Clínica e Cirurgia Veterinárias, no início da década de 1970, o Hospital tornou-se cartão postal da Escola de Veterinária e da própria Universidade. E ganhou status de referência no atendimento especializado aos animais de pequeno e grande porte.

O funcionamento de hospitais deve ser independente de qualquer evento que não torne essencial e inevitável a sua mudança. Mesmo que por poucos dias, o fechamento do Hospital Veterinário coloca em risco a vida de animais que estão em tratamento e daqueles que, eventualmente, precisarão de cuidados médicos. Em médio são três mil casos atendidos por mês, a demanda é alta!

Os gols não podem parar, mas o Hospital também não. Queremos nossa seleção canarinho campeã no Mundial, mas será que para isso a cidade toda precisa parar? Um bom técnico diria que um time que não corre, não faz gols. O jogo precisa ser dinâmico e os jogadores devem estar em uma mesma frequência.

Será que até a Copa do Mundo medidas serão tomadas para que o Hospital Veterinário não fique fechado?

Ainda não há informações sobre as determinações para a Copa do Mundo, por enquanto, FIFA, Governo Federal e a Prefeitura de Belo Horizonte ganharam cartão amarelo. Vejamos se nos próximos jogos, marcarão gol.

5 comments

  • Geane Alzamora

    Oi meninas,
    sei que tiveram problemas com as fontes, mas de fato isso prejudicou, uma pena. A solução que encontraram para o texto foi interessante, mas remeteu demais ao jornalismo impresso.
    Geane

  • Débora Vieira

    Pessoal, gostamos muito do texto, mas sentimos falta de uma explicação maior dos motivos para o Hospital ficar fechado durante os jogos, e ter atendimento reduzido nos dias que precederam o jogo do dia 26. Só uma dica, coloquem os links para abrir em uma nova guia, pois assim não é preciso que o leitor saia do site do labcon para ver as fotos.

    Bárbara Nery, Camila Santos, Carla Resgala, Débora Vieira e Pedro Mol.

  • alineazevedo

    Gostei muito do tema! Acho que ele quase não foi abordado e acho isso um erro, pois muita gente não tem noção da importância do Hospital Veterinário da UFMG. As fotos estão ótimas, mas acho que seria melhor conciliar mais o título ao tema.

  • Elisa Carvalho

    O texto ficou muito bom e de leitura ágil, entretanto é preciso que o título e o início do texto deixem mais claro o assunto que será abordado. Boa a iniciativa da campanha no facebook. Elisa, Augusta, Hélio e Louise.

  • Aryanne Araújo

    O texto ficou muito bom, porém, muito longo e pouco atrativo visualmente. Além disso, o link no final da matéria não abriu, ele exige logar no flickr.
    Aryanne Araújo, Gabrielle Cunha, Graziella Cintia, Raphael Amador, Raquel Siqueira

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