A internet continua sendo uma ferramenta de livre expressão global?

“Ninguém pode ser autônomo em uma rede lógica se não sabe quem está no controle e o que estão fazendo com o seu computador.” Essa frase do Sérgio Amadeu da Silveira nos faz pensar sobre vigilância na World Wide Web, assunto polêmico e necessário nas discussões do mundo moderno. Segundo o IBGE, em 2016 a internet estava presente em 63,6% dos lares brasileiros e, a partir desse dado, precisamos pensar se mais da metade da população sabe o que está por trás do conteúdo que disponibilizamos na web através dos smartphones e computadores.

Em junho de 2013, Edward Snowden, ex-analista da Agência de Segurança Nacional dos EUA, revelou uma grande quantidades de documentos, com dados de diversas empresas, do programa de espionagem conduzido pela maior superpotência mundial. Com o escândalo, os governos deveriam ter aprimorado as leis a fim de aumentar a proteção dos seus cidadãos, mas não foi isso o que ocorreu. Mesmo com o Marco Civil da Internet, instituído em 2014, pouco se fez pela segurança dos brasileiros online. A pergunta que fica é: será que a internet continua sendo uma ferramenta de livre expressão global?

A internet estreitou os relacionamentos pessoais e mudou a forma como interagimos com outras pessoas e, até mesmo com objetos, como o exemplo da internet das coisas (IoT – Internet of Things), para conexão de eletrodomésticos, carros, televisores e outros objetos à rede mundial de computadores, aproximando cada vez mais o presente com os futuros distópicos visto em séries como “The Jetsons” e “Black Mirror”. Temos cada vez mais pessoas compartilhando informações pessoais através das grandes redes sociais como Facebook (com quase 2 bilhões de usuários), Instagram (600 milhões) e WhatsApp (com mais de 1 bilhão de usuários), tornando esses registros inofensivo, um número expressivo quando estamos discutindo segurança nas redes. Além da imensa preocupação com o uso dessas informações de forma massiva – como no caso Snowden -, nossos olhares também devem ser direcionados para os famosos stalkers ou cyberstalkers.

Stalkers  são pessoas que acompanham de forma obsessiva e insistente a vida de outra pessoa, trazendo, geralmente, prejuízos morais e psicológicos. Na internet, os cyberstalkers tem o ambiente ideal para se manter: pessoas vulneráveis psicologicamente (reflexo da mega exposição e a hiperrealidade das redes sociais), perfis em diversos aplicativos com várias informações sobre a vida pessoal de cada um e sem ter alguém para puní-lo. Claro que a invasão de certos bens é considerado como crime, mas alegar que essa invasão seria liberdade de expressão já que o conteúdo que é analisado pelo stalker foi disponibilizado e autorizado a ser visto pelo usuário que postou.

Nessa linha tênue entre liberdade de expressão e invasão online, temos também outro grupo de pessoas visto por muitos como vilões: os hackers. Os hackers são indivíduos que elaboram e modificam softwares e hardwares de computadores, trabalhando juntamente aos desenvolvedores, especialmente como forma de teste, garantindo a proteção de grandes sistemas de segurança. Além disso, existe um código de ética hacker que promete aos usuários convencionais a segurança de não ter sua conta privada em qualquer plataforma invadida. Mesmo assim, alguns quebram esse código e passam a ser crackers, as pessoas que usam desse conhecimento de programação de forma negativa.

A existência desse código de ética hacker me lembra a frase que abriu o texto. Se considerarmos que mesmo os hackers não detém todo o controle do que se passa em seu computador, afinal onde existem regras, existem pessoas contrárias, sendo assim, ninguém está seguro na rede. Se no site WikiLeaks, onde foram divulgados diversos documentos secretos do governo americano, que teve seu sistema de vigilância divulgado por um de seus ex-funcionários no caso Snowden, precisamos discutir o que é ser vigiado e o que é segurança em uma rede mundial tão complexa e extensa quando a internet.

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