A praça é de todos

“A Copa do Mundo será o motivo que faltava para que as cidades brasileiras se desenvolvessem”. Durante os últimos anos ouvimos tal sentença como um bordão do progresso brasileiro via mundial da FIFA. O progresso desejado não foi nem de perto alcançado e, mesmo que com algum atraso no caso da Praça Carlos Chagas, as consequências negativas foram até maiores para alguns dos moradores da capital mineira.


Saulo, o pensativo morador da região

A Praça da Assembléia como é conhecida, fica em uma das regiões mais nobres de BH e está rodeada por prédios e restaurantes de luxo. Justamente por estar em uma região mais central da cidade ela serviu por anos como abrigo para dezenas de moradores de rua, mas sempre gerou reclamações e preocupações para os higienistas moradores da região. E neste caso parece que a conjuntura foi sim o que faltava para o “progresso” desse espaço público. A união de um prefeito contra os moradores de rua, além de verbas sobrando para a Assembléia Legislativa de Minas Gerais, responsável pela manutenção da praça e o desejo de se retirar não só os sem teto, como também as pessoas que usavam o espaço para o consumo de drogas ilegais levou a uma obra de quase 11 milhões de reais.


Algumas fotos da, agora, pouco movimentada Praça Carlos Chagas

Ao percorrer por alguns dias diferentes a praça foi possível recolher alguns depoimentos de freqüentadores da praça, alguns relacionando diretamente a presença dos moradores de rua a falta de segurança, enquanto alguns estão mais preocupados com o alto valor investido na obra.


Marina, a jovem e interessada estudante da região

A obra que tinha conclusão prevista para março desse ano, mas já está claramente atrasada, tendo em vista que uma grande parte da praça ainda está interditada apesar do alto preço que será desembolsado. Há operários trabalhando em três turnos durante a semana, porém sem muita avidez e pouquíssimo progresso, o que somado a habitual falta de pontualidade nas obras públicas brasileiras tem deixado inutilizável, por mais tempo do que necessário, um dos principais pontos de convivência de BH.

Fica claro que as questões que envolvem uma, aparentemente, simples obra de revitalização, são muito mais profundas e abordam pontos que permeiam aspectos delicados da política e da gestão dos gastos públicos na nossa capital e obviamente do nosso país.


Depoimento de Márcia, que frequenta a praça a alguns anos

Equipe

Gabriel Amorim 

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