Campanha transmídia: O Atlético revela menos, mas também investe menos.

Reportagem: Augusto Leão
Elementos transmídia: Augusto Leão, Gabriel José e J. Pedro de Carvalho.

Nos últimos dias têm crescido cada vez mais a cobrança da torcida atleticana em cima do ex-superintendente de futebol da equipe profissional e atual diretor das categorias de base Atleticana, André Figueiredo.

O dirigente alvinegro vem sendo questionado pelo trabalho feito nas categorias inferiores e pelo momento da equipe profissional, a qual também esteve em meio ao alto escalão durante dois meses desse ano de 2017.

O Atlético, de fato, não pode ser considerado como um clube brasileiro que revela muito, mas nem por isso o trabalho desempenhado nas categorias de base pode ser tido como ruim. O investimento atleticano nas categorias de ascensão é inferior ao de outros grandes clubes do Brasil, que são tidos como tradicionais reveladores.

As maiores vendas provam que investimento na base retornou para o clube.

Por mais que a estrutura oferecida na base atleticana seja de primeira linha, com um excelente centro de treinamento e acomodações impecáveis, o investimento na base requer mais do que isso, hoje em dia, até o salário pago há esses jovens torna-se fator crucial para que o resultado seja maior.

Em apuração quanto ao teto salarial dos principais clubes brasileiros nas categorias de base, é constatado que o Galo investe menos nesse departamento, e muito por isso acaba revelando menos.

O Santos

Tido como um dos principais clubes reveladores do Brasil, chega a fazer algumas “loucuras” por suas joias, e investe pesado na base. Talvez essa seja uma de suas principais virtudes. Como exemplo podemos tomar a situação do jovem Rodrygo, de 16 anos, tido como um novo craque, que tem vencimentos em torno dos 20 mil reais mensais, mesmo ainda na categoria juvenil e após a assinatura apenas do seu primeiro contrato profissional, que foi feito em julho deste ano. Os valores não são confirmados pelo clube, mas segundo fontes giram em torno destas cifras.

Santos investe na base e o retorno é visto nas convocações para a Seleção sub-23.

Ainda tomando o Santos como base, devido ao grande número de revelações, temos que considerar que Rodrygo é tido como uma exceção, dentre outras que existem nas categorias de base santista, e que a faixa salarial dos atletas é menor. Porém, se compararmos ao Atlético, ainda assim veremos que o investimento do time da Vila é infinitamente superior ao atleticano, sendo que há pouco tempo o Galo perdeu uma de suas principais joias por recusar pagar algo muito superior ao seu teto salarial, Bruno Tabata, uma das principais promessas Brasileiras do ano de 97.

Ainda comparando o investimento de outros grandes clubes do Brasil nas categorias de base em relação ao Atlético, notamos outra disparidade quando São Paulo e Vasco possuem uma política salarial de até 10 mil reais, enquanto o Atlético estaciona nos 2 mil mensais. Não consegui ao certo os valores de equipes como o Fluminense, que também muito tem revelado, mas também trabalha com valores bem maiores que o do time atleticano.

O número de jogadores que a base atleticana revelou e que de fato fizeram algum “estrago” no cenário do futebol nos últimos anos é pequeno? Se formos comparar aos outros grandes clubes, o investimento é menor, então digamos que é mais do que comum que apareçam apenas esses “gatos pingados”. Por mais que o trabalho de André Figueiredo possa ser questionável, a falta de revelações em grande quantidade na base não pode ser o maior dos motivos.

O Galo oscila entre grandes revelações e nomes esquecidos. Faça o quiz e descubra qual seria você!

Outra pergunta que fica é: o clube tem sido da política de apostar em medalhões, em jogadores já consolidados, e deixar a base em segundo plano. Se fosse de outra forma, a torcida teria a paciência necessária para que um bom trabalho de integração entre base-profissional fosse desempenhado, ou queimaria atletas na primeira oportunidade? Fica o questionamento.

 

1 comment

  • Guilherme Pivotto

    Ficou muito massa a matéria. Apesar do galo ser um time pífio na história do futebol brasileiro. Acho que tinham alguns objetos de análise melhores. Mas tá bem exemplificado a análise da necessidade dos clubes terem uma base forte. O primeiro flowchart mostra como o investimento na base não só importante para que cheguem atletas ao time principal, mas como também as transações dos meninos da base geram receita pro clube, e assim montar uma equipe forte através de contratações e revelações. Outros times com muito investimento nas categorias de base, como exemplificado na matéria pelo Santos futebol clube, fazem uso maior dos pequenos craques revelados nos times principais, mas mesmo assim visando o lucro da venda de tais jogadores. Algo notável como diz aí sobre as revelações está nesse thinglink da seleção brasileira que foi medalhista de ouro em 2016 nos Jogos Olímpicos do Rio, dos dezoito atletas na foto, cinco deles são do Santos, mostrando o alto investimento em atletas jovens. O Clube Atlético Mineiro, mesmo com poucos investimento apresenta sua fatia no mercado futebolístico, comparável São Paulo FC, que mesmo com os altos investimentos na base, utiliza pouco no seu time principal e revela pouquíssimos atletas. Respondendo a questão final da matéria, acho pouco provável essa situação de espera ocorrer no cenário brasileiro de futebol, com o fervor e paixão que apresentamos pelo esporte a paciência é curta pela espera de títulos. Muitos jogos já assisti em que vaiaram os novos jogadores e jovens atletas por suas más apresentações e inexperiência. Um comentário final de meu desgosto pelo teste, achei tendencioso, só porque marquei a quarta opção “Alegria nas pernas” fiquei taxado de menino Bernard, e acredito que nem o Bernard quer ser o Bernard.