Conheça o Sada Cruzeiro: terceiro título mundial no vôlei masculino

Com apenas 10 anos, história do time mineiro já é a mais vitoriosa entre as equipes brasileiras, principalmente no que se refere a campeonatos Mundiais

Final 4

 

No dia 23 de outubro, o Mundial de Clubes de Vôlei Masculino 2016 chegou ao fim. Em uma reedição da final de 2015, o Sada Cruzeiro novamente venceu a equipe do Zenit Kazan e sagrou-se tricampeão mundial.

A superioridade técnica do Sada Cruzeiro em relação aos demais adversários impressionou. O Mundial terminou sem que a equipe precisasse levar nenhum jogo ao tie-break (quinto set, para desempate) e perdendo apenas dois sets nas cinco partidas que disputou. Mas o desempenho na final foi o que mais surpreendeu.

Todos esperavam um jogo bastante disputado e equilibrado entre os campeões sul-americano e europeu. Ambos já haviam se encontrado na primeira fase do Mundial 2015 (com vitória russa), na final do mesmo torneio (com a equipe celeste conquistando a taça) e na fase inicial deste ano (com vitória mineira). As duas equipes possuem grandes jogadores e são consideradas, de fato, as duas melhores do mundo. Mikhaylov, Leon, Volvich e Matthew Anderson são alguns dos grandes nomes do Zenit Kazan, enquanto o Sada Cruzeiro tem Serginho, William, Leal, Evandro e Simón. Por causa disso, seria normal que a partida fosse levada até o quinto set, com emoção até o último ponto. Entretanto, não foi isso que aconteceu.

O jogo seguiu equilibrado até o início do terceiro set, quando ficou empatado em 12/12. Em seguida, o time mineiro abriu 15/12 e deslanchou, fechando em um inacreditável 25/15 e levando o título de melhor equipe do mundo pela terceira vez em quatro anos.

 

O Sada Cruzeiro Vôlei

O Sada Betim Vôlei nasceu em 2006 e se uniu ao Cruzeiro Esporte Clube em 2009, quando passou a se chamar Sada Cruzeiro Vôlei. O histórico de conquistas do clube começou logo no ano seguinte, em 2010, quando conquistou seu primeiro título mineiro, desbancado o hegemônico Minas Tênis Clube, e chegou em quarto lugar na Superliga, temporada 2009/10. Desde então, o Sada Cruzeiro disputou 31 campeonatos, chegou a 29 finais e conquistou 24 títulos. O último deles foi a Supercopa de Vôlei 2016, conquistada seis dias após o Mundial, no sábado dia 29, diante do Brasil Kirin/Campinas.

Mesmo depois de tantas conquistas, o líbero Serginho afirma que a equipe nunca se sentiu imbatível, e que é isso que faz com que eles conquistem cada vez mais títulos. “Se você pensar que chegou no auge, no ápice e parar de trabalhar e realmente acreditar que você é imbatível, você já começou a perder aí. A gente realmente nunca pensou nisso. Certas coisas são ditas pela imprensa, a gente fica até muito feliz em saber, mas a gente não pode nunca transferir isso pra quadra e realmente sair na rua pensando que a gente é imbatível, porque tem muito time bom por aí, e se a gente não trabalhar, fatalmente nós vamos perder”, disse.

 Serginho

Serginho: O líbero, em sua sétima temporada pela equipe celeste, foi eleito o melhor do Mundial em sua posição pela quarta vez (2012, 2013, 2015 e 2016). Foto: Agência i7/Sada Cruzeiro.

O Mundial de Clubes de Vôlei Masculino

O Mundial de Clubes é organizado pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB) e teve sua primeira edição realizada em 1989, na cidade de Parma, na Itália. Em 1991, o campeonato veio para o Brasil pela primeira vez, sendo disputado na cidade de São Paulo. Após a edição de 1992, o torneio passou 17 anos fora do calendário da FIVB, voltando a se realizar em 2009.

Entre 2009 e 2012, o Mundial foi sediado em Doha, no Catar. Até então, apenas clubes italianos haviam vencido a competição. A Itália possui 8 títulos, sendo 4 do Trentino Volley, conquistados de maneira consecutiva de 2009 a 2012. O Sada Cruzeiro é tricampeão (2013, 2015 e 2016) e foi vice-campeão em 2014, quando o russo Belogorie Belgorod sagrou-se campeão.

A partir de 2013 até a edição atual, o campeonato passou a ser organizado pela equipe do Sada Cruzeiro e disputado em Minas Gerais. Em 2014, foi disputado no ginásio do Mineirinho, em Belo Horizonte, e nos demais anos, no Ginásio Divino Braga, em Betim.

 

O Mundial 2016

O Mundial de Clubes de Vôlei 2016 foi a décima segunda edição do torneio mais importante da modalidade. Foi disputado entre os dias 18 e 23 de outubro, no Ginásio Divino Braga, em Betim, e contou com a participação de oito equipes de quatro continentes.

 

Equipes participantes

 

Na primeira fase, os clubes foram divididos em dois grupos. Dentro de cada grupo, eles jogaram entre si, classificando-se os dois primeiros de cada um para a fase semifinal.

Divisão dos grupos

 

 

Por ter vencido todos os três jogos dessa fase, o Sada Cruzeiro ficou com a liderança do grupo A, enquanto o Zenit Kazan ficou em segundo lugar. Já no grupo B, o Trentino se classificou em primeiro, e o Bolívar, em segundo. Como os confrontos são entre o primeiro de um grupo e o segundo do outro, as semifinais foram Sada Cruzeiro x Bolívar e Zenit Kazan x Trentino. Sada Cruzeiro e Zenit Kazan fizeram a grande final, enquanto o Trentino venceu o Bolívar por 3 sets a 2 e ficou com o bronze. Confira os resultados de todas as partidas do Mundial 2016:

Tabela de jogos

 

Ao final da competição, a FIVB elege a seleção do campeonato. Dentre os jogadores de todas as equipes participantes, são escolhidos os melhores para cada posição: um levantador, dois ponteiros, um oposto, um líbero e dois centrais, além do MVP (Most Valuable Player), que é o jogador mais valioso, ou o melhor jogador, do Mundial.

 

Seleção do Mundial

Serginho 2

 

Serginho, que já havia sido eleito o melhor de sua posição nos Mundiais de 2012, 2013 e 2015, afirmou que estar nesse posto é importante, mas não tanto quanto o trabalho coletivo. “Esses prêmios individuais não mostram muito o que é o vôlei, porque o vôlei, cada dia que passa, é um esporte mais coletivo, em que a gente não depende de resultados isolados. É muito legal, a gente se sente bem, é a realização de um trabalho, de um sonho de estar nessa posição, que dura só 1 ano, mas na verdade isso não importa tanto quanto o título, o time e as conquistas que a gente vem tendo em grupo”, declarou o líbero.

 

Trajetória do Sada Cruzeiro

 

FASE CLASSIFICATÓRIA:

A estreia da equipe contra o Taichung Bank foi bastante tranquila, com parciais expressivas na vitória por 3 sets a 0. Parciais: 25/10, 25/16 e 25/13. Destaques da partida: Leal, com 16 pontos, e Evandro, com 11.

Apesar de se desconcentrar em alguns momentos pontuais da partida e errar bastante no saque, a segunda partida trouxe uma vitória sem sustos sobre o Tala’Ea El-Geish por 3 sets a 0. Parciais: 25/18, 25/20 e 25/15. Destaques da partida: Evandro, com 13 pontos, e Leal, com 10.

Na última partida da fase de grupos, um jogo de alto nível e bastante equilibrado entre os dois favoritos ao título. O Sada Cruzeiro venceu o Zenit Kazan por 3 sets a 1. Parciais: 25/20, 20/25, 26/24 e 25/20. Destaques da partida: Leal, com 18 pontos, e Evandro, com 14.

 

SEMIFINAL:

Depois de um primeiro set equilibrado com um apagão no fim, os outros foram de grande superioridade do Sada Cruzeiro. Com o bloqueio funcionando muito bem e vários aces (pontos de saque), o Bolívar saiu derrotado por 3 sets a 1. Parciais: 21/25, 25/15, 25/15 e 25/19. Destaques da partida: Simón, com 16 pontos, Leal e Isac, com 12.

 

FINAL:

Em um grande jogo, o time mineiro venceu por 3 a 0, com uma superioridade incrível na segunda metade do último set. Parciais: 25/21, 25/23 e 25/15. Destaques da partida: Evandro, com 14 pontos, e Leal, com 13.

 

O Sada Cruzeiro nos Mundiais anteriores

Ao conquistar sua primeira Superliga na temporada 2011/12, a equipe do Sada Cruzeiro se classificou para o torneio Sul-Americano e, como campeão, garantiu uma vaga para disputar seu primeiro Mundial de Clubes. Depois de chegar à final contra o Trentino, o Cruzeiro acabou derrotado por 3 sets a 0 (com parciais de 25/18, 25/15 e 29/27) e ficou com o vice-campeonato. Segundo o ponteiro Filipe, pesou a falta de experiência internacional da maior parte dos jogadores. “Eu tinha jogado o meu primeiro ano a nível internacional, contra equipes de alto nível. Ali foi um conhecimento, uma bagagem que eu adquiri naquele momento”, disse.

Marcelo 2Em 2013, no primeiro ano em que o Mundial foi disputado em Betim, o Cruzeiro participou como anfitrião e pôde conquistar o título diante dos torcedores vencendo o Lokomotiv Novosibirsk, da Rússia, por 3 a 0 (com parciais de 25/20, 25/19 e 25/20). O treinador Marcelo Mendez destacou que a principal mudança com relação ao Mundial anterior passou pela própria equipe. “Eu acho que passou principalmente por nós. Em 2012, tínhamos um time. Depois, em 2013, nós reforçamos nosso time, e todos os jogadores pegaram uma experiência internacional, que até esse momento poucos tinham. E essa experiência serviu muito pra ganhar o Mundial”, lembrou.

Já Filipe chamou atenção para o conhecimento adquirido a partir de estudos sobre as outras equipes que, segundo ele, foi fundamental para que o Sada Cruzeiro estivesse mais familiarizado com as potências de saque, de ataque e de bloqueio do adversário e, consequentemente, ganhasse confiança para conquistar esse título. O ponteiro lembrou, ainda, da emoção de ser campeão do mundo pela primeira vez. “Uma sensação única, maravilhosa, de dever cumprido por poder trazer esse título não só pra Minas Gerais, pra Belo Horizonte, mas pro Brasil. Realmente uma equipe brasileira nunca tinha conseguido ser campeã mundial e nós conseguimos esse feito histórico. É muito gratificante saber que você se doou e se dedicou ao máximo para que isso acontecesse”.

FilipeEm 2014, o Sada Cruzeiro teve sua pior participação no torneio, sendo eliminado ainda na fase semifinal pelo Al-Rayyan, do Catar, por 3 a 1 (com parciais de 25/21, 18/25, 21/25 e 18/25). Na disputa pelo terceiro lugar contra o UPCN, a equipe saiu novamente derrotada, dessa vez por 3 a 2 (com as parciais de 25/17, 31/29, 23/25, 16/25 e 15/13). Marcelo e Filipe atribuem esse desempenho ao calendário. O Mundial foi incluído no final da temporada, após seis competições importantes, o que fez com que o time tivesse pouco tempo para descansar e se preparar. “O Mundial foi colocado logo após a Superliga. Nós tínhamos acabado de ser campeões. Quando acaba uma Superliga, o nosso corpo relaxa automaticamente. É o momento do nosso descanso, acho que o corpo já sente isso. Todo mundo teve, praticamente, duas semanas pra descansar e ir pra esse Mundial. Você via no jogo as coisas não funcionando como vinham funcionando durante toda a temporada, mas também não podemos tirar o mérito das equipes que vieram. O Al-Rayyan é uma equipe que vem muito forte e realmente eles fizeram um belíssimo campeonato mundial”, ressaltou o ponteiro.

Marcelo Mendez acredita que a equipe não estava no seu melhor momento e lembrou-se do maior tempo de preparação dos adversários. “Os outros times que jogaram contra nós, tanto o (Belogorie) Belgorod quanto o time do Catar, vinham melhor preparados. Eles foram eliminados nas semifinais dos seus campeonatos (nacionais), então puderam chegar em uma melhor forma que nós”.

Já em 2015, com o Mundial disputado no início da temporada, a história foi diferente. Depois da derrota para o Zenit Kazan ainda na fase de grupos, as duas equipes voltaram a se encontrar na final. Com a vitória por 3 sets a 1 (com parciais de 25/20, 21/25, 27/25 e 25/21), o time mineiro sagrou-se bicampeão. “Em 2015, (o campeonato) foi no começo da temporada, em outubro. Tivemos uma boa preparação, dedicamos todo o tempo para nos preparar especificamente para o Mundial. Jogamos amistosos, jogamos o campeonato mineiro, e todas as partidas foram focadas na preparação física e técnica para chegar na semana do Mundial com a melhor forma possível”, lembrou Marcelo Mendez.

Filipe falou sobre a importância de poder disputar o Mundial em casa, com a presença e a pressão da torcida. “Em 2015, a gente teve mais uma oportunidade, mais uma chance de se consagrar, de trazer um bicampeonato pro Brasil, jogando em Betim, com aquela torcida maravilhosa, onde a história do Sada se iniciou e a gente sente como se estivesse jogando em casa, realmente. A gente foi com alma, com coração. Sabíamos também da dificuldade das equipes que vieram jogar esse Mundial. Acho que é uma equipe muito forte a do (Zenit) Kazan, mas nós fomos com toda a dedicação, com tudo que a gente adquiriu de volume de jogo, de experiência de jogar contra eles, de conhecê-los mais. Tudo isso foi importante pra gente trazer esse bicampeonato mundial”.

 

Galeria de fotos

 

Mundial 2012 Reprodução Facebook Sada Cruzeiro

2012: Cruzeiro x Trentino na disputa da final do Mundial, que acabou com derrota dos mineiros. Foto: Reprodução/Facebook Sada Cruzeiro.

 

Mundial 2013 Reprodução Facebook Sada Cruzeiro

2013: O Sada Cruzeiro se tornou o primeiro clube brasileiro campeão mundial de vôlei, em Betim. Foto: Reprodução/Facebook Sada Cruzeiro.

 

2014 Foto Renato Araújo - Sada Cruzeiro

2014: Pela semifinal do Mundial 2014, o Sada Cruzeiro foi derrotado pelo Al-Rayyan, do Catar, por 3 a 1. Foto: Renato Araújo/Divulgação Sada Cruzeiro.

 

Quarto lugar 2014

Quarto lugar 2014: Na disputa pelo bronze, o Sada Cruzeiro perdeu para o UPCN por 3 a 2 e terminou em quarto lugar. Foto: Renato Araújo/Divulgação Sada Cruzeiro.

 

Mundial 2015 Reprodução Facebook Sada Cruzeiro

2015: O bicampeonato veio no mesmo ginásio da primeira conquista, em Betim, cidade natal do Sada Cruzeiro. Foto: Reprodução/Facebook Sada Cruzeiro.

 

Final 7

2016: O Sada Cruzeiro se tornou tricampeão mundial no dia 23 de outubro, quando venceu os russos do Zenit Kazan pelo placar surpreendente de 3 sets a 0. Foto: Agência i7/Sada Cruzeiro.

 

Evandro

Evandro: Em seu primeiro campeonato pela equipe do Sada Cruzeiro, Evandro foi destaque e só não esteve entre os dois maiores pontuadores em uma partida. Esses números renderam a ele o título de melhor oposto do Mundial. Foto: Agência i7/Sada Cruzeiro.

 

Leal

Leal: Defendendo a equipe mineira pela quinta temporada consecutiva, Leal foi um dos dois maiores pontuadores em todos os jogos do Mundial. Por isso, foi o eleito o melhor ponteiro do mundo, ao lado de Leon, do Zenit Kazan. Foto: Agência i7/Sada Cruzeiro.

 

Marcelo

Marcelo Mendez: O treinador chegou ao Sada Cruzeiro em 2009 e é um dos maiores responsáveis pelo sucesso e por todos os títulos conquistados pela equipe nesse período. Foto: Agência i7/Sada Cruzeiro.

 

Rodriguinho

Rodriguinho: Com a contusão do ponteiro Filipe logo na partida de estreia, Rodriguinho assumiu a titularidade absoluta até o fim do torneio. O garoto de apenas 20 anos não sentiu o peso da responsabilidade e foi uma surpresa positiva. Foto: Agência i7/Sada Cruzeiro.

 

William

William: O levantador, que já havia sido eleito o melhor em sua posição nos Mundiais de 2012, 2013 e 2015, foi, agora, eleito o jogador mais valioso do mundo. Foto: Agência i7/Sada Cruzeiro.

 

Final 10 Foto Renato Araújo – Divulgação Sada Cruzeiro

Leal, Serginho, Evandro e William: Ao final do jogo, os quatro jogadores do Sada Cruzeiro conquistaram prêmios individuais. Foto: Renato Araújo/Divulgação Sada Cruzeiro.

 

Final 9

Vittorio Medioli: O presidente do Sada Cruzeiro Vôlei, e atual prefeito de Betim, é o maior responsável pela história recheada de títulos da equipe. Foto: Agência i7/Sada Cruzeiro.

 

GIF William

Aqui, não: Durante a comemoração do título, o levantador disse “aqui, não!”, dando a entender que a equipe mineira não perderia o Mundial jogando em casa.

 

GIF Equipe

Equipe titular: No GIF, os jogadores titulares durante a campanha campeã, escalados pelo vitorioso treinador Marcelo Mendez.

 

Reportagem de Paola Laredo e Viviane Andrade

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