Conhece as empresas de mídia em MG?

Em visita técnica, alunxs da disciplina Linguagem, Técnicas e Processos de Jornalismo  reuniram informações interessantes sobre a mídia sediada em BH. Combinamos de fazer um post compartilhando o mais relevante, para contribuir nas discussões que se espalham por disciplinas e ajudar a entender as dinâmicas internas e as iniciativas de convergência – que são poucas. Segue o trabalho de apuração dos futuros jornalistas junto aos responsáveis por cada veículo.

Portal

No Uai, que foi visitado por um único aluno interessado, não há um responsável por redes sociais – o repórter é quem posta sua matéria também no Twitter e no Facebook. A equipe é formada por 36 jornalistas: doze apenas no Uai, mais doze no Superesportes e o terço final no EM.com. Recentemente, mais três repórteres foram contratados para matérias especiais.

O portal trabalha com três horários nobres: das 9h às 11h; das 15h às 17h e das 18h às 19h. A produção publicada nesses períodos compensaria a ausência de um plantão 24h no jornalismo. Cada repórter elabora de 12 a 15 notícias por dia e o monitoramento do acesso é feito via Google Analytics.

O esforço parece estar dando resultado. Nos últimos seis anos, o público do portal foi multiplicado por cinco. Saltou de 20 milhões em 2006 para 100 milhões em 2012.

Impresso

No Estado de Minas, que tem cerca de 200 jornalistas na equipe, xs estudantes foram recebidos na editoria de conteúdo para tablet. A conversa girou em torno da convergência e da força do deadline para publicações impressas, que se mantém mesmo no conteúdo feito para tablets.

Já no Super, o editor Rogério Maurício explicou que o jornal foi o primeiro tablóide de Minas e ressaltou a relevância do baixo preço de venda dos cerca de 300 mil exemplares/dia de circulação – cada exemplar desses é lido por cerca de quatro pessoas, segundo o setor de marketing do jornal. O editor também contou que a publicação começou mais sangrenta e mais voltada ao público masculino, o que está mudando devagar. Ainda brincou com os estudantes, dizendo  que “é fácil falar difícil, difícil é falar fácil”.

Para xs estudantes, o Hoje em Dia é que tem a maior média de idade entre as redações visitadas – segundo eles, esse fator colaboraria para tornar o jornal visivelmente mais conservador. Da conversa com os repórteres, concluíram que a mudança para o formato tablóide tornou o jornal como um todo mais objetivo.

Revista

A visita às redações começou pela Ragga, cujos 10 mil exemplares mensais são produzidos por uma pequena equipe sediada no prédio da TV Alterosa –  a revista faz parte do grupo que reúne Estado de Minas, TV Alterosa, Rádio Guarani e Portal Uai. A pequena tiragem exige um esforço na distribuição, estritamente direcionada ao segmento jovem. Comprada pelos Diários Associados para ser o braço jovem do grupo, a Ragga teve um de seus primeiros esforços frustrados: o encarte Ragga Drops morreu de inanição – os alunos apostam na adequação da linguagem jovem ao perfil mais conservador do EM como causa. Para compensar o fim dos Drops, foi criada uma coluna no Divirta-se de mesmo nome.

Direcionada à classe média-alta, a Viver Brasil nasceu em BH, mas hoje distribui seus 60 mil exemplares também em outros estados. A revista, quinzenal, partilha a equipe de 20 jornalistas com mais cinco publicações da editora: Viver Minas (mensal), Viver Casa (trimestral), Viver Fashion (quadrimestral), Jornal Tudo (semanal) e a Robb Report (mensal), que tem redação em SP, mas é fechada aqui. Chamou a atenção do grupo a estrutura da redação que, classificada como luxuosa e espaçosa em relação às outras visitadas, está situada no Serena Mall, na região das Seis Pistas.

A chegada da Veja BH aumentou em 40% a venda da revista em bancas, de acordo com dados recolhidos pelxs estudantes na visita. Com o objetivo de ser um suplemento-roteiro, a publicação não trata de política e economia e seus 70 mil exemplares são elaborados por uma equipe de 25 pessoas, entre jornalistas, responsáveis pela arte e editores.

TV

No pequeno estúdio da Record Minas são feitos dois programas diários, mas ainda há locações na bem dividida redação. Na sede de dois andares, em que também fica o portal R7, os repórteres dizem fazer “jornal para o povo”, mas parecem não acompanhar atentamente a programação da própria emissora.

A afirmação de que “A Globo poderia viver sem jornalistas, mas não vive sem engenheiros” marcou o grupo que visitou a Globo Minas. A retransmissora veicula duas horas diárias de jornalismo local, também relacionados ao portal G1 – que, de acordo com xs estudantes, é uma mesa na redação. Cada repórter da TV cobre cerca de três pautas diárias.

Com boa estrutura, o grupo Band em MG, além da TV, é composto pelas rádios Nativa, Esportes FM e BandNews, além do jornal Metro. A convergência de mídias é beneficiada pelo clima descontraído e pela proximidade das redações, que permite a constante troca de ideias (e de pautas) entre os jornalistas.

A descontração e o ar mais caseiro também marcam a redação da TV Alterosa que, como afiliada do SBT, tem espaço suficiente para a inserção de 15 programas locais, elaborados por 12 equipes compostas por repórter, câmera e assistente. O repórter, que não tem um mínimo diário de pautas, também é o responsável por editar o material que produz e usa o software Final Cut para isso. A estrutura também serve à produtora de vídeos de mesmo nome e está em construção um newsroom, quer permite 72 ângulos de câmera diferentes.

Rádio

Parte das Organizações Globo, a equipe da CBN se mostra ciente da relevância que os sites de redes sociais (SRS) têm na relação com o público. O jornalista Marcos Guiotti, que recebeu xs estudantes, afirmou que a página da rádio no Facebook é uma das mais visitadas do país no segmento e que todo jornalista faz duas versões da sua matéria, para o rádio e para os SRS. Guiotti considera outro elemento-chave na relação com o público evitar alterações no nome e nos horários do programa.

A rádio CBN tem uma boa estrutura no estado, em que operadores e jornalistas ficam juntos no estúdio – ao contrário da BH FM, do mesmo grupo, em que o locutor também opera os equipamentos. Seu porte garante ainda que, nas transmissões ao vivo, sejam contratados dois links de empresas diferentes, para que a programação não saia do ar se um deles cair. E a equipe conta o tempo todo com o software iNews, que mune com informações quem está no ar.

Também visitada pelxs estudantes, a Rádio Guarani justifica sua preocupação com a qualidade do jornalismo fazendo referência ao público que quer atender, de classes A e B. A cada turno, revezam-se na pequena redação um jornalista e um estagiário e a maior parte das matérias inseridas na programação vem do portal Uai. A parte de cultura do noticiário é gravada pela manhã por uma terceira jornalista e distribuída na programação do dia. O locutor é também operador e tem um gerador como garantia de que a rádio não sairá do ar em caso de falta de energia elétrica – mas, como o gerador não cobre a área física da redação, apagões fazem com que se tenha de trabalhar no escuro.

Com cerca de 10 pessoas, a equipe da Rádio Alvorada também se volta às classes A e B e se define como uma “rádio musical com tempero de notícias”. Veja mais sobre a rádio no vídeo elaborado pelo grupo que fez a visita técnica.

 

Assessorias

Saindo do campo específico dos veículos de imprensa, um dos grupos visitou assessorias internas a uma empresa e uma prestadora de serviços na área.

A assessoria de comuncação da Cemig tem cerca de 80 funcionarios, entre jornalistas, RPs e designers, que fazem uma média de 200 atendimentos diários à imprensa. Há escala de plantão via celular nos fins de semana e a equipe também monitora os sites de rede social.

Uma das maiores do estado em seu ramo de negócio, a Link Comunicação tem 14 anos de mercado. A equipe, de 40 pessoas, divide-se entre as internas +Comunicação, Cia. da Estratégia, Link Digital e os segmentos de publicação e pesquisa. No cotidiano, cada assessor é responsável por cerca de cinco empresas, mas a assessoria também trabalha in-loco.

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1 comment

  • terezinha silva

    Gostei muito desse panorama, super util para vermos como os meios em BH estão lidando – e o que estão fazendo – neste cenario de transição e convergência. Parabens à equipe.