Mineirão_Pampulha_Panorama

Pampulha: um título contemporâneo para um clássico moderno

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Referência arquitetônica e paisagística, a Pampulha recebe o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO e exibe para o mundo a beleza das suas curvas ao mesmo tempo que reafirma sua importância para todos os mineiros 

Um dos maiores cartões postais de Belo Horizonte, a Lagoa da Pampulha comemora em 2017 setenta e cinco anos desde sua inauguração. O projeto começou em 1936 com o represamento do ribeirão Pampulha, ordenado pelo então prefeito Otacílio Negrão de Lima, objetivando a construção de uma lagoa capaz de amortecer enchentes e contribuir para o abastecimento da capital. Porém, ele ganhou ainda mais relevância em 1942, quando Juscelino Kubitschek convidou os mais ilustres arquitetos, paisagistas e artistas plásticos brasileiros para criarem o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, que seria composto por um cassino, uma igreja, uma casa de baile, um clube e um hotel.

À exceção do hotel, que não chegou a ser realizado, Oscar Niemeyer projetou todas as construções, que tiveram jardins assinados por Burle Marx e obras artísticas assinadas pelos melhores da área na época, de acordo com os padrões modernistas internacionais. O Cassino da Pampulha, hoje Museu de Arte da Pampulha, a Igreja São Francisco de Assis, a Casa do Baile e o Iate Tênis Clube são referência no estudo do modernismo brasileiro, e uns dos principais pontos de encontro e lazer da população e turistas na cidade.

No dia 15 de julho do último ano, o Conjunto Moderno da Pampulha foi condecorado pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade na 40ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial em Istambul, na Turquia. O título não apenas estimula o turismo em BH a nível internacional e outros vários setores da economia, como permite que as construções sejam todas protegidas pela própria UNESCO. Graças à nomeação como um Patrimônio, a Pampulha fica resguardada quanto à destruição e aos maus cuidados, garantindo a constante conservação de todos os espaços por meio de um tratado que envolve 190 países.

Em entrevista para o Laboratório de Convergência Intermídia (LabCon), a Diretora do Conjunto Moderno da Pampulha, Karine Gonçalves, revela como se deu o decorrer processo de nomeação da Pampulha e o que muda após a obtenção do título tão significativo.

L.C: Como ocorreu o processo de nomeação da Pampulha como patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO?

K.G: Na verdade, a Pampulha já estava inscrita há mais tempo na lista de bens passíveis de receber essa titulação e quando foi em 2012, a prefeitura de Belo Horizonte e a Fundação Municipal de Cultura, em conversa com o IPHAN, resolveram retomar esse processo. Então, a partir daí, foi montada uma comissão para dar conta de coordenar a elaboração deste estudo; uma comissão que teve participação de vários membros da prefeitura, da FMC e do IPHAN. Esse estudo foi levado a cabo e o processo foi bem sucedido, quando em julho deste ano recebemos o título de Patrimônio Cultural da Humanidade.

L.C: Quais as principais dificuldades encontradas para obter a nomeação?

K.G: Na verdade, o processo de estudo pressupõe, primeiramente, um diagnóstico da área como um todo, o levantamento de todos os problemas, o apontamento de soluções, aí além de toda uma parte técnica, que diz respeito à descrição da área tanto em seus aspectos históricos, arquitetônicos quanto urbanísticos , existe um compromisso do Estado brasileiro em relação à séries de questões que foram levantadas lá que são necessárias à manutenção ou à solução, para que o título seja mantido. Então, o desafio para o poder público para os próximos anos é dar conta de manter esses compromissos que foram assumidos perante a UNESCO para que o título seja mantido.

L.C: O que muda com a nomeação de patrimônio, tanto para o complexo arquitetônico em si, quanto para a sociedade?

K.G: De um modo geral, a gente já pode verificar uma maior visibilidade que o Conjunto Moderno tem para fora da cidade de Belo Horizonte e para fora do país. A gente já percebe um incremento do público visitante do Conjunto e, obviamente, isso é um fator que favorece tanto os aspectos econômicos quanto os de visibilidade do conjunto. Acho que essa seria uma ação mais imediata que a gente pode vislumbrar com essa titulação do conjunto.


Em podcast gravado pelo repórter Renato Paim, o arquiteto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Minas Gerais, o IPHAN, Ulisses Lins, revela com ainda mais detalhes sobre todo o processo da titulação do Conjunto Moderno da Pampulha como Patrimônio Cultural da Humanidade, que começou ainda em 1996. Para ouvir já:


O novo título permite não apenas visibilidade internacional para a Pampulha como estimula a sociedade a ter um novo olhar para a região. A turista carioca Lúcia Amaral Peixoto veio a Minas Gerais para visitar o Inhotim e optou por expandir sua viagem para conhecer o Conjunto Moderno. A decisão, segundo ela: “é pela importância da obra que tem aqui. A igreja, o Oscar Niemeyer, tem todo um peso de história aqui que eu acho que tem de ser visitado, visto, são os nossos patrimônios culturais que o brasileiro tem que conhecer”. A comerciante Aparecida de Jesus, que trabalha na região há dez anos, foi mais breve, e declarou: “eu achei ótimo, não tenho do que reclamar”.

Porém, ainda que o título seja motivo de orgulho para todos, é necessário ter um olhar crítico para ele também. A moradora da região Vera Lopes disse que: “senti um incremento de ações culturais voltadas para o título, mas para os moradores mesmo nada mudou”. A  estudante Gabriela Tavares, que corre duas vezes por semana na orla da Lagoa, não vê muita representatividade no título. De acordo com ela: “esse patrimônio da humanidade não é a identidade da maioria do povo de BH, apenas da elite que mora por alí”.

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Independente das opiniões pessoais, razões não faltam para visitar o local. A Igrejinha da Pampulha é um dos pontos mais visitados por turistas e locais, e impressiona por seu projeto único e sofisticado, que parece ao mesmo tempo simples e inocente – assim como seu padroeiro, São Francisco de Assis. O Museu de Arte deslumbra não apenas por seu riquíssimo acervo mas por seu interior opulento e elegante, levando o visitante a uma viagem no tempo de volta ao período das riquezas do cassinos.

A Casa do Baile adiciona ainda mais glamour ao Conjunto, graças à sua história junto à sociedade belo-horizontina e suas curvas elegantes, que são capturadas em incontáveis fotografias. Por sua vez, o Iate Tênis Clube permite uma opção de lazer que contempla não apenas aproveitar ao máximo a diversão das quadras e piscinas, como desfrutar de uma vista singular e de um ambiente moderno. Os repórteres Arthur de Paula, Luíza Abreu, Mariana Vieira e Renato Paim visitaram o Conjunto Moderno da Pampulha e trazem ainda mais informações e curiosidades sobre os locais.


POR DENTRO DO CONJUNTO ARQUITETÔNICO DA PAMPULHA:

Com o intuito de estimular você, caro(a) leitor(a), nossos repórteres foram em campo conferir os prédios que compõem o Conjunto Moderno e relatar não apenas suas impressões, mas os fatos que os distinguem entre si e curiosidades sobre cada um. Em vídeos curto, de aproximadamente 90 segundos cada, é possível não apenas ver parte da beleza que cerca a Pampulha como se sentir já como um “insider”, com tantas informações ricas e interessantes.

O Museu de Arte da Pampulha, que durante 04 anos funcionou como Cassino da Pampulha, foi visitado pelo repórter Arthur de Paula. O Museu chegou a ficar fechado por anos após o encerramento das atividades do Cassino, porém ainda assim possui visual arrojado graças não apenas a seu projeto arquitetônico mas sua coleção de obras contemporâneas e mostras constantes. No ano comemorativo, a grande novidade é a exposição “Bolsa Pampulha”, em cartaz por pouquíssimo tempo. Para visitar já!

O menor dos prédios do Conjunto é, ao mesmo tempo, o que mais impressiona pela sinuosidade de suas curvas. Sem uma única parede plana, a Casa do Baile, que recebeu esse nome ainda na década de 40 por ser um restaurante dançante a serviço da sociedade belo horizontina, é hoje um centro de referência para estudos de Arquitetura e Design. Além disso, é um dos locais mais fotografados por turistas e locais, graças a seu belo jardim e vista panorâmica para a Lagoa. A repórter Mariana Vieira conta ainda mais detalhes sobre o local:

Ainda que não seja o clube mais antigo da cidade, o Iate Tênis Clube certamente é o mais histórico. Seja por fazer parte do imaginário social, seja por ter sido palco de várias festas ou mesmo apenas por sua arquitetura impressionante, é impossível não pensar em um clube de lazer e não pensar nele. A repórter Luíza Abreu visitou o local e traz informações a adequação que o clube precisou fazer em sua estrutura para permitir a titulação da Pampulha como Patrimônio Mundial.

Mais conhecida por sua localização do que por seu padroeiro, a Igreja São Francisco de Assis, popularmente conhecida como a Igrejinha da Pampulha, é certamente o ponto mais visitado pelos turistas em suas visitas ao Conjunto. Sua arquitetura, suas cores, sua vista, enfim, são inúmeros os motivos que fazem desta a igreja mais famosa de Belo Horizonte. O repórter Renato Paim, por sua vez, nos conta como a Igreja quase chegou a não operar, e de fato não operou por anos. Como assim? Aperte o play e descubra!


Em celebração ao título para a Pampulha, a Prefeitura de Belo Horizonte realizou no último ano uma série de eventos gratuitos em diferentes pontos ao longo da orla da lagoa, desde shows e concertos até exposições artísticas, mostras de teatro e dança. De modo permanente, desde setembro a Prefeitura disponibiliza a linha de ônibus 512, que integra a frota municipal e circula pelas principais ruas e avenidas do entorno da lagoa de terça a domingo, incluindo feriados, a um preço abaixo do valor praticado em outras linhas.

No mês seguinte, a BELOTUR – Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte – foi ainda mais longe e lançou o “Pampulha Retrô Tour”, um novo atrativo turístico em que uma jardineira Chevrolet de 1957 leva o público aos principais atrativos turísticos da Pampulha ao custo de R$20,00 por pessoa, dando direito a quatro embarques/desembarques no atrativo que ele escolher. Dentro do ônibus há ainda a presença de um guia, que apresenta a história e curiosidades sobre dos pontos percorridos.

Todas as medidas tomadas não apenas estimulam a integração dos moradores com os pontos da região como facilitam a visitação dos turistas e impulsionam o comércio, desde vendedores ambulantes até bares, restaurantes e redes hoteleiras. Graças ao título da Pampulha como um Patrimônio Cultural da Humanidade, Minas Gerais atrai novos olhares para sua história e sua beleza para além das cidades históricas e das memórias do período colonial, e convida a ter uma nova visão sobre seu passado recente e futuro, com base em uma vontade de ser e fazer diferente e alcançar o máximo reconhecimento possível. Assim, como na antiga canção, quem conhecer as belezas da Pampulha, certamente não esquecerá jamais.


#SomosTodosIguais

A plena acessibilidade a deficientes físicos e motores é algo essencial para que um espaço seja realmente democrático e inclusivo. O repórter Paulo Madrid embarcou no ônibus da linha 512 para conferir a novidade e se certificar se a Pampulha é de fato para todos.


Alunos responsáveis por esta matéria: Arthur de Paula, Luíza Abreu, Mariana Vieira, Paulo Madrid e Renato Paim

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