Cyber-Feminismo

Cyber-Feminismo

Quando se fala em ciborgue a primeira coisa que nos vem à mente são os personagens de filmes de ficção científica tais como O Homem de Ferro e o Exterminador do Futuro, mas para compreender e problematizar o tema “cyber-feminismo” é importante que não tenhamos uma visão tão idealizada do que é um ciborgue. Definido como um híbrido entre máquina e homem, o ciborgue pode se constituir de forma bem mais simples do que aquelas exibidas nas superproduções hollywoodianas. Tornamo-nos ciborque quando usamos óculos de grau, uma perna mecânica ou quando fazemos o uso do celular, por exemplo.

Donna J. Haraway, autora do famoso livro Manifesto Ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX, afirma que “somos todos ciborgues”. Segunda ela o homem se tornou tão dependente das máquinas que já não é mais capaz de viver sem o auxilio delas. Para validar o que diz Haraway basta nos imaginarmos durante um dia inteiro sem a presença daqui que a autora chama de não humano (a máquina). Certamente seria um dia bastante complicado em que não conseguiríamos realizar atividades básicas do cotidiano.

No entanto o livro Manifesto Ciborgue não pretende discutir somente o processo de hibridação entre o homem e a máquina. Donna Haraway faz uso das ideias que fundamentam o mundo dos ciborgues para discutir o feminismo em um mundo pós-humano. De acordo com as discussões feitas por Haraway no texto a popularização das redes sociais e evolução das máquinas e das tecnologias de comunicação permitiram uma libertação mais tangível do feminino. A autora aponta que antes da “libertação” possibilitada pela sociedade ciborgue os movimentos feministas passavam por uma crise identitária. O que existia naquela época era um feminismo radial que contribuía de forma muito pouco significativa para a conquista de uma sociedade com igualdade de gêneros.

Para Haraway o mundo ciborgue vem romper com uma construção social que define a mulher como um ser biologicamente frágil e inferior à figura masculina. A autora defende que estas classificações nada têm de naturais. Na verdade elas são fruto de uma sociedade machista e patriarcal. Haraway defende que, assim como os ciborgues são capazes de se reinventar e criar novas situações, as mulheres também seriam capazes de se reinventar e criar novos movimentos feministas que se afastem verdadeiramente da ideia de mulher como um ser naturalmente frágil e submisso.

Donna Haraway não gosta de ser compara a uma deusa, prefere ver sua imagem vinculada a um ciborgue, isso porque a humanidade está tão ligada com a máquina que já não é mais possível saber onde termina o humano e começa a máquina (ou vice-versa). Viramos uma coisa só, um já não tem razões para existir sem a companhia do outro. Assim como o ciborgue pode ser reconfigurado, o homem e a mulher também podem se reconstituir socialmente criando uma sociedade que não encare a figura masculina como dominante.

3 comments

  • Aline Rodrigues

    Acredito que o universo digital e a nossa “hibridização” tendem realmente a contribuir para uma maior libertação do ser humano, ao se sentir, de certa forma, menos exposto por de trás da tela de um computador ou smartphone. Quando usamos o Facebook, por exemplo, sentimos que podemos nos expressar melhor, sem medo de sermos julgados (até porque, certamente terá um outro alguém para compartilhar das mesmas ideias conosco). Assim sendo, o movimento feminista pode sim ter tomado mais força e ganhado mais adeptxs com o advento da sociedade ciborgue. Porém, ainda fico com algumas dúvidas com relação a essa “força” e suas possíveis implicações. Até que ponto esse movimento online é capaz de provocar mudanças reais e significativas na cultura machista? Nesse ponto, me questiono com base em números alarmantes de violência doméstica que não parecem decrescer entre outros fatos experimentados pessoalmente, com certa frequência… Penso que certas atitudes e posturas tomadas no ambiente físico/real/fora da Grande Rede talvez possam contribuir mais significativamente para a verdadeira libertação da mulher com relação as correntes invisíveis impostas a todo tempo no nosso dia-a-dia e, inclusive, em nossos subconscientes pelos homens e por toda a sociedade machista. Mas isso não descarta de forma alguma a importância do nosso engajamento através dos ambientes digitais e, principalmente, da nossa união que sem dúvida também pode se iniciar por, ele de forma muito mais fácil, rápida e conviniente do que antes. O potencial das ideias publicadas através das mídias sociais de alcançar novos públicos também é algo a ser levado em conta.

  • Aline Rodrigues

    Acredito que o universo digital e a nossa “hibridização” tendem realmente a contribuir para uma maior libertação do ser humano, ao se sentir, de certa forma, menos exposto por de trás da tela de um computador ou smartphone. Quando usamos o Facebook, por exemplo, sentimos que podemos nos expressar melhor, sem medo de sermos julgados (até porque, certamente terá um outro alguém para compartilhar das mesmas ideias conosco). Assim sendo, o movimento feminista pode sim ter tomado mais força e ganhado mais adeptxs com o advento da sociedade ciborgue. Porém, ainda fico com algumas dúvidas com relação a essa “força” e suas possíveis implicações. Até que ponto esse movimento online é capaz de provocar mudanças reais e significativas na cultura machista? Nesse ponto, me questiono com base em números alarmantes de violência doméstica que não parecem decrescer entre outros fatos experimentados pessoalmente, com certa frequência… Penso que certas atitudes e posturas tomadas no ambiente físico/real/fora da Grande Rede talvez possam contribuir mais significativamente para a verdadeira libertação da mulher com relação as correntes invisíveis impostas a todo tempo no nosso dia-a-dia e, inclusive, em nossos subconscientes pelos homens e por toda a sociedade machista. Mas isso não descarta de forma alguma a importância do nosso engajamento através dos ambientes digitais e, principalmente, da nossa união que sem dúvida também pode se iniciar por, ele de forma muito mais fácil, rápida e conveniente do que antes. O potencial das ideias publicadas através das mídias sociais de alcançar novos públicos também é algo a ser levado em conta.

  • Aline Rodrigues

    Acredito que o universo digital e a nossa “hibridização” tendem realmente a contribuir para uma maior libertação do ser humano, ao se sentir, de certa forma, menos exposto por de trás da tela de um computador ou smartphone. Quando usamos o Facebook, por exemplo, sentimos que podemos nos expressar melhor, sem medo de sermos julgados (até porque, certamente terá um outro alguém para compartilhar das mesmas ideias conosco). Assim sendo, o movimento feminista pode sim ter tomado mais força e ganhado mais adeptxs com o advento da sociedade ciborgue. Porém, ainda fico com algumas dúvidas com relação a essa “força” e suas possíveis implicações. Até que ponto esse movimento online é capaz de provocar mudanças reais e significativas na cultura machista? Nesse ponto, me questiono com base em números alarmantes de violência doméstica que não parecem decrescer entre outros fatos experimentados pessoalmente, com certa frequência… Penso que certas atitudes e posturas tomadas no ambiente físico/real/fora da Grande Rede talvez possam contribuir mais significativamente para a verdadeira libertação da mulher com relação as correntes invisíveis impostas a todo tempo no nosso dia-a-dia e, inclusive, em nossos subconscientes pelos homens e por toda a sociedade machista. Mas isso não descarta de forma alguma a importância do nosso engajamento através dos ambientes digitais e, principalmente, da nossa união que sem dúvida também pode se iniciar por, ele de forma muito mais fácil, rápida e conveniente do que antes. O potencial das ideias publicadas através das mídias sociais de alcançar novos públicos também é algo a ser levado em conta.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *