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#DataMapa Óbitos por suicídio nos municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte

A morte voluntária – suicídio – é um fenômeno complexo que, de modo geral, há séculos desperta interesse e preocupação para a população. E como tal, além dos inúmeros tipos de causas e fatores de risco, ainda é concebido com status de tabu por diferentes segmentos da nossa sociedade, como entidades religiosas e as mídias de massa. No Brasil, o problema é grave: em relatório da ONU divulgado no último trimestre de 2014, é o 8º país com mais suicídios no mundo. Acredita-se que os métodos mais populares, independentemente da faixa etária e do gênero, incluem enforcamento, estrangulamento ou sufocação, disparo de arma de fogo e pesticida.

Sendo assim, não parece exagero os incontáveis trabalhos e discussões acadêmicas que, como o aqui apresentado, abordam o acontecimento-tabu. No presente trabalho, o enfoque escolhido para elaborar o mapa interativo e informativo foi a taxa de ocorrência de suicídios na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), utilizando dados disponíveis em banco de dados online, no caso o  DATASUS.

O portal de ligado ao Ministério da Saúde disponibiliza informações que podem servir para subsidiar análises objetivas da situação sanitária. Dados de morbidade, incapacidade, acesso a serviços, qualidade da atenção, condições de vida e fatores ambientais passaram a ser métricas utilizadas na construção de Indicadores de Saúde, que se traduzem em informação relevante para a quantificação e a avaliação da referida questão sanitária no Brasil.

Entre os dados disponíveis ali, estão as taxas de “óbitos por lesões autoprovocadas voluntariamente”, situação que, segundo o Ministério, configura um suicídio. Com uma simples filtragem regional, encontrou-se as informações limitadas à RMBH. Outro recorte escolhido foi o temporal, sendo observados os casos de suicídio registrados nos anos de 2012 e 2013.

 

Considerações sobre o mapa

A escolha de representar o mapa por circunferências, nos dá, à primeira vista, uma noção da concentração dos suicídios para cada 100 mil habitantes. Sendo as maiores correspondentes aos municípios com maior concentração. A cor laranja, diz respeito ao ano de 2013, enquanto a preta corresponde ao ano de 2012. Ao habilitar as duas cores, é possível estabelecer uma comparação direta entre os dois anos do período analisado.

A questão da concentração, não nos dá a noção correta sobre onde houve mais suicídios, uma vez que os números absolutos computados de óbitos por esta causa mortis está dividido pelo número de habitantes da cidade em questão e, posteriormente, o valor é dividido por 100 mil. Desta forma, ao clicar em cima do circulo o qual se deseja consultar, é possível conferir o número total de suicídios ocorridos no período de referência.

Análise

É interessante notar, como as maiores concentrações de suicídio estão nas cidades com media de 10 mil habitantes. É claro que, nestes casos de cidades pequenas, como Jaboticatubas – com 6 mil pessoas, em 2010 – um número pequeno de mortes eleva demais a taxa de suicídio. No ano de 2012, essa mesma cidade contabilizou dois suicídios, entretanto, sua baixa população absoluta fez com que sua taxa atingisse o nível mais alta dentro do período analisado: 29,3, por 100 mil habitantes.

Já no ano seguinte, Jaboticatubas não apresentou nenhum suicídio sequer. Em 2013, a maior concentração ficou com a cidade de Mário Campos. O município conta com uma população absoluta de aproximadamente 13 mil pessoas e contabilizou três suicídios no ano, atingindo uma taxa de 22,7, por 100 mil. Mário Campos é seguida de perto por Rio Acima, que contabilizou 2 suicídios entre seus moradores, cuja quantidade não passa de 10 mil.

No grande centro urbano da RMBH

No ano de 2010, o CENSO contabilizou 2.375.151 habitantes na capital mineira. Belo Horizonte é a recordista de suicídios da Região Metropolitana, sendo registradas 172 mortes em 2012 e 137, em 2013. As circunferências correspondentes são bem menores em relação às demais, já que a escala de proporção as coloca muito menores do que os círculos das cidades que tem grande concentração e baixos números absolutos.

A pesar disso, a quantidade de mortes voluntárias são muito maiores do que das outras cidades da região. Nos dois anos, a BH é seguida por Contagem, cidade limiítrofe, que contabiliza 22 suicídios no ano de 2012 e 23, em 2013. Isso significa que, no primeiro ano analisado, Belo Horizonte apresenta um número absoluto quase oito vezes maior que o de Contagem e em 2013, o valor é quase sete vezes.

Conclusão

Apesar da dificuldade de trabalhar com cidades pequenas na base de 100 mil, o mapa proporciona uma leitura interessante. Por meio dele, é possível notar como o suicídio tem mais impacto nas cidades pequenas, ou seja essa concentração não é apenas numérica, ela é capaz de dar uma noção de como os casos de suicídio em municípios menores são mais marcantes.

Ao observar Belo Horizonte, seu número absoluto quase não é notado no mapa de concentração, uma vez que os casos são diluídos e, portanto, mais facilmente esquecidos pelos seus mais dois milhões e trezentos mil habitantes. Talvez por isso acredita-se que o suicídio seja um tema raro de ser abordado dentro do meio jornalístico brasileiro, mesmo estando entre os dez países com mais incidências de mortes voluntárias no mundo.

Equipe

Gabriel Dutra, Laura Tupynambá e Rafael Rodrigues 

Etapas desta publicação

Proposta  Desenvolvimento 

4 comments

  • Clara Braga

    Acho interessante pensar na quantidade de suicídios X população do município. Penso que em cidades pequenas e no interior sejam mais afetadas por um caso triste do que cidades maiores, onde muitas vezes as pessoas não ficam sabendo da quantidade de suicídios.

    Ficou legal o gráfico 😀

    PS: Recomendo que troquem a imagem de destaque pro uma maior. Ela ficou desconfigurada.

  • saulogargiulo

    Boa noite.

    Realmente ao criarmos um infográfico corremos o risco de cair nas limitações da ferramente, ou em disparidades entre os dados e a visualização em si. Nesse caso nos erros de análise que podemos cair ao comparar cidades mais populosas com aquelas com menor número de habitantes. Afinal um óbito , em termos de porcentagem parece muito, se comparado com uma população pequena. E não necessariamente corresponde ao quadro real do lugar. Uma questão que nós, enquanto comunicólogos devemos ter em mente não apenas ao produzir mas ao analisar gráficos.

    Gostei do tema. Afinal não é em todo lugar que suicídio é abordado. Parabéns pela iniciativa.

  • Harlley Soares

    Gostei do tema, pouco se fala ou se ouve falar do assunto. Só achei a escolha do layout equivocada, pois o mapa me parece um tanto quando “apagado”. Talvez alterando a forma como as estatísticas são mostradas – até mesmo deixando o mapa com mais cores – poderia melhorar o aspecto visual.

    Parabéns pelo trabalho.

  • Renata

    Muito interessante o trabalho, parabéns! Há uma pesquisa referente ao tema sendo desenvolvido ou que já tenha sido publicado?

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