#DataMapa Representação feminina na política de MG

127 das 853 cidades de Minas Gerais não têm nenhuma representante mulher na câmara municipal. O número corresponde a impressionantes 14,8% e indicam a atual situação do sistema político nacional.

Cidades grandes, como Uberaba, no Triângulo, se encaixam na categoria sem vereadoras. Belo Horizonte, a capital do estado, tem apenas uma mulher vereadora, entre 41 representantes. A Câmara de Montes Claros, polo industrial do Norte de Minas, é formado por 4% de mulheres. Em cidades importantes como Contagem, Ipatinga e Juiz de Fora, 5% dos representantes são do sexo feminino.

Apesar de haver mais mulheres eleitoras que homens, a diferença de representatividade é gritante no estado: apenas três cidades (Ilicínea, São João do Manhuaçu e Silvianópolis) têm maioria feminina, com 56% de mulheres. Nos três casos, são cinco vereadoras contra quatro vereadores na câmara.

São cidades pequenas, no interior do estado. Ilicínea, com pouco mais de 11 mil habitantes, e Silvianópolis, com apenas seis mil, ficam na mesoregião sul de Minas. Já São João do Manhuaçu, também com pouco mais de 11 mil habitantes, fica na Zona da Mata. Todas apresentam IDH considerado médio: São João do Manhuaçu (0,650), Silvianópolis (0,699) e Ilicínea (0,680).

Nenhuma das cidades mais conhecidas e mais desenvolvidas economicamente figuram entre as que têm mais de 40% de representação feminina.

O mapa abaixo mostra a representação feminina em Minas Gerais, indicando a porcentagem por município, numa escala gradual de cores. Cores mais escuras indicam os municípios que apresentam maior representação feminina.

Clique no território que identifica a sua cidade ou utilize a ferramenta de busca para conferir as informações.

Os dados foram construidos a partir de informações disponibilizadas no site do TSE. Lá, você também pode consultar o número de candidatos homens e mulheres – e quais deles foram eleitos.

Regiões e representação
Analisando o mapa, podemos observar quais regiões de Minas Gerais apresentam maior representatividade feminina e fazer um paralelo com a situação socio-econômica dos locais.

As regiões sul/sudoeste, zona da mata e vale do rio doce têm maior concentração de representatividade na câmara. Mesmo o valor ainda sendo baixo, muitas cidades dessas regiões apresentam porcentagem de mulheres na câmara perto de 10%. O destaque vai para São João do Manhuaçu, Silvianópolis e Ilicínea que possuem a maior representação feminina do estado, 56%. Além de várias outras cidades com 44%, como Coroaci, São Miguel do Anta e Itamonte.

Sul

Regiões em destaque Sul/Sudoeste, Zona da Mata e vale do Rio Doce

A região metropolitana de Belo Horizonte tem uma média baixa de porcentagem de vereadoras. As cidades que apresentam maior representatividade são Catas Altas e Bom Jesus do Amparo, com 33%. O resultado surpreende, já que, por ser uma região cercada pela capital, uma das cidades mais desenvolvidas do Brasil, esperava-se que os números fossem mais igualitários e democráticos.

BH

Região Metropolitana de Belo Horizonte

As regiões situadas a oeste do estado (Triângulo Mineiro/Alto Paranaiba, Oeste de Minas, Campo das Vertentes, Central Mineira) têm características semelhantes a Região Metropolitana de Belo Horizonte. Elas têm um grande número de municípios com baixa representatividade, e poucas cidades com porcentagem zero e acima de 30.

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Regiões em destaque: Triângulo Mineiro/Alto Paranaiba, Oeste de Minas, Campo das Vertentes, Central Mineira

As regiões com menos representatividade são: Noroeste e Norte de Minas, Vale do Mucuri, Jequitinhonha. Considerando o ambiente econômico e social do estado, podemos associar o baixo desenvolvimento das cidades nessas regiões com o caráter majoritariamente masculino na política. Apenas a cidade Jordânia, no Vale do Jequitinhonha tem 44% de mulheres na câmara.

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Regiões em destaque: Noroeste de Minas, Norte de Minas, Vale do Mucuri e Vale do Jequitinhonha

Equipe

Clara Braga, Harlley Soares e João Vítor Marques 

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Proposta  Desenvolvimento 

5 comments

  • saulogargiulo

    Boa noite. Na minha opinião o mais bonito mapa criado nesse semestre. Além de belo a escolha do tema é atual e nos diz um bocado sobre a realidade política do nosso país. Acredito eu que a participação feminina no campo da política melhorou nas últimas décadas, mas está longe de ser o ideal. Talvez seja pela tendência machista no Brasil de conferir cargos de autoridade a homens, na falsa crença da maior “estabilidade” emocional. De toda forma, excelente análise.

    Parabéns ao grupo!

  • Luís Felipe Garrocho

    Pessoal, aquele plano de contatar a Elaine, deu certo? Se não – ou sim – cabe atualizar o desenvolvimento.

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