Engajamento na cobertura das Olimpíadas 2016: Globo no Twitter

As Olimpíadas foram transmitidas por mais de 500 canais televisivos e mais de 250 plataformas digitais no mundo todo. No Brasil, a Kantar IBOPE Mídia aponta que mais de 63 milhões de pessoas acompanharam os Jogos pela TV, o que representa 98,3% dos lares monitorados pela empresa de pesquisa de mídia.

Durante a cobertura da Rede Globo, o processo transmidiático se deu principalmente através do Twitter e do Snapchat.

No Twitter, pudemos observar a interação do público através de três hashtags: #Rio2016, #SomosTodosOlímpicos, e #Playnosjogos, essa última usada nas transmissões do site globoesporte.com.

Embora a emissora tenha demonstrado certa adaptação à linguagem das redes sociais, pudemos notar que ela mantém traços de um modelo comunicacional transmissivo. Isso fica claro quando observamos, por exemplo, que os tweets incorporados à cobertura, como os que eram lidos, estavam em pequeno número e eram precisamente selecionados.

No estudo de caso que desenvolvemos, a audiência participa ativamente. Porém, essa participação se restringe a interações, no sentido de o perfil oficial comentar menções que recebe de tuiteiros, desde que contenham sua hashtag (#SomosTodosOlimpicos).

Por sua vez, os memes utilizados pela Globo são produzidos por ela, a partir de imagens e frames de transmissões suas, sempre com seu logo ou para divulgar algum programa da sua grade. Ela não se apropria de memes gerados pelos usuários. Além disso, jamais retuíta outros usuários sem comentar as postagens e a abordagem é bastante contida, sem muita criatividade e ainda burocrática.

Alguns tweets feitos pela emissora demonstram certo domínio da linguagem do Twitter. No entanto, mais uma vez, a participação do usuário se restringe a curtir, retuitar ou comentar o post, quando, no momento, circulavam diversos outros memes com esse GIF.

Aparentemente, a participação do público só serve quando atende aos interesses da empresa. Ressaltamos que  a “cobertura” feita por tuiteiros não foi incorporada pela emissora.

Durante os Jogos Olímpicos, a emissora Globo buscou uma interação com o público nas redes sociais por meio das hashtags oficiais dos jogos: #SomosTodosOlímpicos e #PlaynosJogos. Essa interação se dava por meio de perguntas que os usuários enviavam utilizando as hashtags para que fossem respondidas durante os programas que estavam cobrindo os jogos.

Confira a seguir um infográfico com os principais números da cobertura dos jogos olímpicos.

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ESTÉTICA

A Rede Globo, Emissora Oficial da Cobertura dos Jogos Olímpicos 2016 no Brasil, investiu fortemente em tecnologia para realizar a transmissão dos jogos na cidade do Rio de Janeiro.

No dia 31 de julho de 2016, foi inaugurado o que veio a ser o maior projeto histórico de transmissão, segundo o próprio site de notícias da emissora: o seu Estúdio no Parque Olímpico de 500m², utilizado durante a cobertura dos jogos.

Foi possível analisar que a emissora utilizou diversos recursos audiovisuais, tanto direcionados à forma tradicional de veiculação do conteúdo de TV, como o próprio vídeo, quanto recursos digitais de caráter participativo, que supriram e complementaram a experiência do público durante toda a cobertura olímpica, como fotos, vídeos, gifs, animações, holografia e projeção mapeada. O público que acompanhou, desde a Cerimônia de Abertura até o Encerramento das Olimpíadas, teve a oportunidade de utilizar várias plataformas que continham acesso a todo esse conteúdo olímpico criado.
Foi possível analisar também que a aparência geral da cobertura foi composta, isto é, foram utilizados efeitos visuais diversos como holografia, grafismos para compor o ambiente real dos jogos que foram registrados. Por fim, em toda a cobertura foi possível identificar os sons ambientes relacionados aos eventos olímpicos e efeitos sonoros incluídos pela própria emissora para enriquecer toda a experiência narrativa.

Pela análise feita, apesar de terem enriquecido a cobertura, percebemos que os conteúdos criados utilizando diferentes recursos audiovisuais não tiveram uma unidade, isto é, eles não tinham o caráter de complementar a narrativa. Para Jenkins(2008), narrativa transmídia é permitir que uma história seja expandida por meio de diversas mídias, onde cada uma das partes contribuem de forma distinta, porém complementar. O conteúdo, portanto, deve ser conectado, sem que ele se torne dependente.
Além disso, por mais que a emissora tenha investido em tecnologias novas, como a realidade aumentada, ela não foi utilizada para aumentar a experiência do público, como propõe a narrativa transmídia. Ela foi utilizada apenas com a finalidade de informar, através de um aplicativo, as datas e os jogos olímpicos que aconteciam na diferentes arenas. Não houve qualquer tipo de imersão do público (jornalismo de imersão, newsgames) para criar novas histórias a partir de tudo o que foi desenvolvido e transmitido.
Dessa forma, pode-se concluir que, a emissora conseguiu estabelecer um engajamento com o público nas redes sociais, mas em relação à estética, ela não se preocupou tanto em explorar o lado participativo de quem esteve presente nas Olimpíadas. De acordo com Scolari, há duas vertentes principais da narrativa transmídia: 1) a história é contada por vários meios e plataformas; 2)Os prosumidores colaboram na construção do mundo narrativo. Nesse caso, é possível compreender, a partir da presente análise e a de outros grupos, que a Rede Globo tentou explorar diversos meios e plataformas para expandir sua narrativa, porém a participação dos prosumidores se limitou tão somente às redes sociais, em específico pelo Twitter e pelo Snapchat, sua parceria para transmissão dos jogos olímpicos.

A seguir, reunimos alguns registros feitos pela emissora do conteúdo das Olimpíadas 2016.

Disciplina: Laboratório de Mídias e Linguagens

Professora: Geane Alzamorra

Grupo: Dalila Coelho, Gabriel Moraes, Giulia Araugio, Mônica Vargas, Raíssa Galvão, Stephanie Falconelli