Ensaio Analítico dos Objetivos, Premissas, Estrutura e Contexto da cobertura da Rede Globo dos Jogos Olímpicos Rio 2016

  

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Introdução

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Os Jogos Olímpicos são realizados na Era Moderna desde  de 1896, quando ocorreram  em Atenas. Uma história que começou na Grécia Antiga, há cerca de 2500 anos, é hoje escrita por atletas de mais de 200 países. Devido a essa magnitude, as Olimpíadas são, sem sombra de dúvidas, o maior evento esportivo do planeta. Em 2016, 120 anos após seu início na Era Moderna, foi realizado pela primeira vez no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. O tema dos Jogos Olímpicos de verão 2016 “Viva a sua paixão” exemplifica o objetivo principal da competição: união entre os povos e um bom relacionamento entre eles.

 

Som Livre, Olympic Games (Official Theme) – Rio 2016 – Tema Oficial dos Jogos Olímpicos – “Alma e Coração” Disponível em:<https://www.youtube.com/watch?v=eFGCIkUcGtM>. Acesso em 05 de setembro de 2016.   

                                                                                

O que é Transmídia?

Para se compreender a proposta de cobertura transmidiática da Rede Globo é necessário explicitar o que é o termo transmídia. O que seria um produto transmidiático?

Desde 2010, a Rede Globo admite que trabalha a partir da perspectiva transmidiática em várias grades de sua programação, o que denota a importância deste conceito para a comunicação contemporânea. Transmídia é um fenômeno marcado pela expansão de conteúdo e narrativa entre várias plataformas, possibilitando um maior envolvimento de diferentes seguimentos de público.

Durante este processo, o conteúdo é acrescido de mais informações, ganhando as especificidades de cada meio que devem ser exploradas ao máximo pelos produtores. Vale ressaltar que o engajamento do público é fundamental para a transmidiação, pois a busca por informações e a interatividade permite ao público um maior “protagonismo”. Isso catalisa uma nova lógica na comunicação, pautada na ideia de prossumidor.

”Trasmidiação como um modelo de produção multiplataforma, que opera a partir de estratégias e práticas interacionais propiciadas pela cultura participativa.(FECHINE, 2014,p.15).

Portanto, um produto transmidiático demanda uma relação entre plataformas, que se realimentam e permitem uma maior participação do público. Para isso, se faz necessário um planejamento transmidiático, fato que verificaremos adiante.

 

Estrutura e transmissão Grupo Globo

 

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A principal cobertura midiática das Olimpíadas foi realizada pelo Grupo Globo, que disponibilizou 17 canais entre TV aberta e fechada, 40 canais na internet e várias outras formas de transmissão através de plataformas Mobile. O grupo investiu cerca de U$250 milhões nessa cobertura, o que evidencia a dimensão do evento, além da importância do mesmo para a empresa e para os públicos. Outro fator que demonstra a importância da cobertura para o Grupo é o fato de terem investido na construção de um estúdio no Parque Olímpico, de onde quase todos os programas da grade da TV Globo eram transmitidos ao vivo.

 

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Jogos Olímpicos Rio 2016: falta um ano! Veja campanha da Globo. Globo. 1:00. Disponível em: “youtu.be/YBpj0pHP8jc”. Acesso em: 20 de agosto de 2016.

 

A empresa fez um planejamento de transmissão transmidiática para os Jogos Olímpicos. Em entrevista à coluna de TV e Famosos do site UOL, o diretor de esportes da Globo, Renato Ribeiro, explicou a importância da participação do público para o sucesso da transmissão dos Jogos.

Durante todos os dias de transmissão, foi possível notar a relação entre as diversas plataformas disponibilizadas pelo Grupo. Antes e durante a realização dos Jogos, a TV Globo veiculou uma propaganda divulgando a transmidialidade da programação, mesmo que sem citar o termo “transmídia”.

 

 Play nos jogos, Olimpíada de graça no Globoesporte.com e no Globo Play. Disponível em: <http://globoesporte.globo.com/olimpiadas/play-nos-jogos/cobertura.html>. Acesso em 09 de agosto de 2016.

 

 

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Gustavo Borges explica como funciona a mesa tática de natação. GLOBO ESPORTE.  2:46. Disponível em: “youtu.be/JCrb4eRQ84o”. Acesso em: 12 de setembro de 2016.

 

Outro aspecto que vale ressaltar, é que para uma cobertura ser configurada “plenamente transmidiática” é necessária a participação do público. Neste cenário, a cultura participativa se faz necessária, para que assim, o público possa interferir na produção e circulação de conteúdos. Todavia o que se percebe é que o Grupo Globo criou espaços de participação, mas sempre sob a sua tutela, direcionando os espaços e as condições de participação nas transmissões.

A Rede Globo manteve a interação com os públicos durante os Jogos principalmente através do Twitter e do snapchat. Observando as interações nessas redes sociais, podemos perceber o quanto a Globo limitou a participação efetiva do público, já que só utilizava memes com imagens da transmissão da própria emissora. Além disso, a Rede Globo limitou a interação no Twitter a três hashtags: #Rio2016, #SomosTodosOlímpicos, e #Playnosjogos. Apesar de todo esse trabalho, o uso do engajamento do público ficou bem limitado a poucos programas na TV aberta e na transmissão pela internet.

grupo_globo_maior_cobertura_esportiva_historia_2Um exemplo de aplicação deste conceito foi no programa “Balada Olímpica”  apresentado ao vivo por Carol Barcellos e Flávio Canto, com duas horas de duração, escolhido para substituir o programa do Jô durante as olimpíadas. Ao longo do programa os  tweets de espectadores com a #baladaolímpica  escolhidos pela produção,  eram  lidos e comentados pelos apresentadores. Acontecia diariamente também, um giro virtual pelas notícias que estavam  fazendo sucesso nas redes sociais nos dias em que os programas foram transmitidos. Ou seja, notícias que estavam sendo compartilhadas, curtidas, retweetadas e até transformadas em memes pelos públicos. Através dessas ações  eles demonstram por quais noticias têm  interesse  e quais possuem mais “relevância”. Contudo a Rede Globo sempre atua  no papel de intermediadora, selecionando o conteúdo que julga adequado e  que possui relevância também para a emissora.

Portanto, a expansão de conteúdo pelas multiplataformas se configura importante para o fenômeno transmidiático, porém o engajamento e a participação do público ainda é modesta; configurando assim, uma cobertura transmidiática “incompleta” em sua essência.

Sites Bloqueados da Rede Globo: acesso somente pelos links

https://globoplay.globo.com/v/5249033/ Assistir 47min:20s e 59min do Vídeo.

globoplay.globo.com Balada Olímpica-Íntegra 19 agosto 2016 Disponível em: <https://globoplay.globo.com/v/5249033/> Acesso em 20  de agosto de 2016.

https://globoplay.globo.com/v/5240869/ : Assistir 17min: 35s e  56min:58s do Vídeo

globoplay.globo.com Balada Olímpica-Íntegra 16 agosto 2016 Disponível em: <https://globoplay.globo.com/v/5240869/> Acesso em 17 de agosto de 2016.

 

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Estrutura oferecida pelo COIParqueOlimpico

A estrutura física, construída através da parceria público privada, fez com que tudo isso fosse possível. O grande investimento feito nos centros de mídia e na estrutura jornalística, mostra a importância da transmissão para o evento e todo o lucro que ele pode gerar.  Para as Olimpíadas, foram construídos dois centros  de mídia, utilizados para dar suporte às mídias audiovisuais online e escrita. Foi construído também um hotel com mais de 400 quartos para abrigar os jornalistas credenciados, além de uma estrutura de apoio à comunicadores que pretendiam fazer uma cobertura além dos jogos.

 

 

 

Globo Play, Conheça o Parque Olímpico e os Estúdios da Globo para a Rio 2016. Disponível em:

<https://globoplay.globo.com/v/5201955/>. Acesso em 05 de setembro de 2016.  

 

Nos casos de quem nem sempre possui acesso à televisão para acompanhar as transmissões oferecidas pela TV aberta e nem mesmo pelos canais fechados, opções diferenciadas são fundamentais. Com um sistema  amplo de multiplataormas, o público pôde acompanhar o evento4 pelos aplicativos disponibilizados pela Rede Globo ou até mesmo pelo site, que reproduzem ao vivo as transmissões da TV Globo na TV aberta. Essa cobertura transmidiática evidenciou a influência que os públicos exercem sobre o modo como as mídias decidem realizar as coberturas de megaeventos como os Jogos Olímpicos. A Rede Globo, que é reconhecidamente uma das empresas de mídia mais importantes, decidiu fazer uma cobertura que englobou diversas plataformas e maneiras de transmissão da cobertura. “A convergência exige que as empresas midiáticas repensem antigas suposições sobre o que significa consumir mídias, suposições que moldam tanto decisões de programação quanto de marketing” (JENKINS, 2008, p.47), e assim a Rede Globo o fez, expandindo a área de consumo de mídia oferecida aos públicos

 

 

Conclusão:

Concluímos que a cobertura jornalística em diversas plataformas é fundamental para criar espaços de participação do público, porém somente isso não garante que o espectador tenha um papel central no processo comunicacional.

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Os processos de convergência exemplificam a lógica transmidiática e a sua importância no cenário contemporâneo, fato que justifica o planejamento da Globo para a cobertura dos Jogos. Segundo Jenkins, os processos de convergência consistem em “tanto um processo corporativo, de cima para baixo, quanto um processo de consumidor, de baixo para cima” (JENKINS, 2008, p. 46). Ou seja, a cobertura transmidiática é tão importante para os veículos de mídia quanto para os públicos, o que exemplifica uma nova lógica comunicacional; a qual o engajamento do público é fundamental no processo de produção. 

Os gastos com transmissão e estrutura física, tanto por parte da parceria público privada quanto por parte do Grupo, além do esforço para garantir os direitos de transmissão dos jogos até o ano de 2032, reforçam a importância dos Jogos Olímpicos para o público e para a Globo.

Percebe-se que a Globo compreendia a importância da participação popular, do consequente engajamento, e das consequentes imprevisibilidades que esse processo podia trazer para a emissora. Sendo assim, o grupo Globo direcionou os espaços e os intervalos para as interações dos públicos, com o objetivo de conjugar a maior quantidade de signos positivos à cobertura. Contudo, a emissora também  entende que seu papel como mediadora é fundamental  para que as situação não saia de seu controle.

Como dito, para que uma transmissão seja completamente transmidiática é preciso que ela seja feita pelos públicos e para os públicos, com os mínimos mecanismos de controle; fato inimaginável, devido a preocupação da Rede Globo com sua imagem, prestígio e reputação. Portanto o que percebemos é que há a expansão de conteúdo pelas multiplataformas, importante para o fenômeno transmidiático, porém o engajamento e a participação do público ainda é modesta; configurando assim, uma cobertura transmidiática “incompleta” em sua essência.

O artigo completo com reflexões mais detalhadas no link: Ensaio Analítico dos Objetivos, Premissas, Estrutura e Contexto da cobertura da Rede Globo dos Jogos Olímpicos Rio 2016 – Trabalho Final

Para descontrair:

Snapchat, Vídeo Guga no Snapchat brincando sobre labrador humano 1 Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=Mr-k3RH7OCw> Acesso em 20 de Agosto

 

Disciplina: Laboratório de Mídias e Linguagens

Professora: Geane Alzamorra

Grupo: Tainá Fonseca, Gustavo Henrique Souza, Luiz Guilherme Macedo, Marcos Paulo Rodrigues.

12 comments

  • Luciana Lana

    Oi, gente,

    Achei bem interessante o conteúdo, gostei dos vários exemplos trazidos pelo grupo para ilustrar os pontos apresentados e ficaram bem claros os tópicos que foram trabalhados.

    Beijos

  • Virginia Siqueira

    Bom dia gente,
    O trabalho está bem completo e rico em exemplos, que ilustram muito bem as reflexões propostas pelo grupo.
    No entanto, acredito que poderia ser interessante reforçar, na conclusão, que o planejamento transmidiático da Globo poderia ter ido além de “expandir a área de consumo de mídia oferecida aos públicos” e considerar a participação destes na produção de conteúdo. Afinal, de acordo com os princípios de narrativa transmídia discutidos durante as aulas de Mídias & Linguagens, é fundamental identificar o engajamento dos públicos para além do consumo. Seria importante sugerir como o espectador pode assumir um papel mais central no contexto da cobertura transmídia, e se isso efetivamente ocorre no caso estudado.

  • Matheus Muratori

    Gostei da relação entre imagem e texto, mesmo considerando que algumas imagens ficaram meio “jogadas” no meio da análise e sem muita relação direta com algum conteúdo. A inclusão dos vídeos na análise foi enriquecedora, uma vez que podem ser considerados alguns pontos de fuga e exemplos claros daquilo que vocês apresentaram em forma de texto.

  • Gabriela Teixeira

    Oi, pessoal!
    Gostei da introdução do termo transmídia para o público geral, achei importante a contextualização que vocês fizeram! Os exemplos também estão ótimos, são bastante enriquecedores.
    Só não acho que seja necessário essa estrutura do post ter a parte de “conclusão”, acredito que fuja de um padrão mais informal dos blogs.
    Bjs

  • Thiago Bethônico

    Gostei muito, bastante direto e sucinto. No entanto, acho que deveriam evidenciar quando a Globo admitiu trabalhar a partir da perspectiva transmídia (“Desde 2010, a Rede Globo admite que trabalha a partir da perspectiva transmidiática em várias grades de sua programação”). Além disso, outro ponto que acho importante acrescentar é em relação a participação do público, que, no texto, focou muito na interação com os programas de TV.

  • Mônica Vargas

    Ei gente, achei muito boa a postagem, a estrutura do texto e a linguagem estão ótimas, muito bem exemplificado também. Como falaram, acho que a parte da conclusão foge um pouco da estrutura padrão dos blogs, mas acho que seja possível adaptarem ela pra essa estrutura.

  • Giulia Araugio

    Achei completo o post, gostei bastante da opção de vocês terem utilizado vídeos para enriquecer e explorar mais o trabalho. Talvez a tentativa de alternar as imagens não tenha se resolvido tão bem no formato do blog, mas a ideia me pareceu bem legal e que lembra uma publicação de revista.

  • Geane Carvalho Alzamora

    Olá pessoal,
    bom trabalho, bem fundamentado, boa proposta de apresentação. É necessário, porém, como já havia dito, referenciar TODOS os dados mencionados no trabalho (ex: “A principal cobertura midiática das Olimpíadas foi realizada pelo Grupo Globo, que disponibilizou 17 canais entre TV aberta e fechada, 40 canais na internet e várias outras formas de transmissão através de plataformas Mobile. O grupo investiu cerca de U$250 milhões nessa cobertura, o que evidencia a dimensão do evento, além da importância do mesmo para a empresa e para os públicos”; de onde tiraram esses dados?). Acho também que a conclusão precisa ser aprimorada, buscando desenvolver os argumentos com base na análise realizada.
    Um abraço
    Geane

  • Geane Carvalho Alzamora

    Ah! Mais um comentários baseado em alguns comentários dos colegas: a ideia aqui é produzir um ensaio analítico baseado em uma metodologia de análise transmídia. Nesse sentido, é preciso basear os argumentos em referências teóricas e observação empírica, à luz dos pressupostos metodológicos que norteiam o estudo. A conclusão é de suma importância. O desafio é produzir um ensaio analítico multimidático, com consistência teórica e empírica.
    Um abraço
    Geane

  • Rodrigo Fernando de C Medeiros Cardoso

    Muito bacana o texto, mas acho que algumas das imagens/vídeos poderiam ter sido colocadas como hyperlink, facilitaria a dinâmica de compreensão do texto como umtodo, deixando o leitor livre para se aprofundar ou não nos detalhes.

  • Thaynara Amaral

    Achei bem interessante a forma como vocês conduziram o trabalho. Vocês estruturaram e responderam tudo de forma bem esclarecedora. Os exemplos estão ótimos. Principalmente os vídeos.

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