#ensaioBH: 3,10

Inconformada com o preço da tarifa e a péssima qualidade do transporte público de Belo Horizonte, durante os rotineiros momentos de sufoco dentro dos ônibus – com portas que não abrem (ou que ficam abertas por todo o tempo), com o calor de quando o ar-condicionado não funciona em um veículo sem janelas, quando um ônibus lotado não tem trocador e mal se consegue ver o motorista para entregar a ele o seu dinheiro, com o costume de ficar em pé, apertada entre várias pessoas, durante tempos e tempos depois de um dia de trabalho – sempre penso comigo mesma, em meio a suspiros, “3,10 por isso!”. Aqui, quis narrar um pouco da rotina desse transporte: nesse dia em questão, o ônibus parou por algumas vezes por algum problema do carro, a abertura automática das portas não funcionava e, por isso, colocaram-na no modo manual – a porta ficava aberta enquanto andávamos – e, é claro, no ônibus havia muito mais gente do que o recomendado.

Flávia Ruas