FAFICH – Precisamos falar sobre pixo

Há alguns meses, a FAFICH foi alvo de polêmicas na agenda da cidade de Belo Horizonte a partir de uma série de denúncias feitas pelo Jornal Estado de Minas e pela TV Alterosa. As críticas feitas pelos jornais se concentraram na vulnerabilidade das pessoas que frequentam o prédio em decorrência da falta de segurança no local. Esses perigos foram relacionados ao tráfico de drogas no Diretório Acadêmico da FAFICH e pela presença recente de jovens da periferia no local, que não tem vínculo estudantil ou profissional com a faculdade. O prédio foi apresentado como um local depredado em razão de todos esses problemas – as pixações, aqui, foram mostradas como exemplos claros de deterioração do espaço e como resultado da ação desses jovens.

 

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Após a repercussão negativa dessas matérias na sociedade não-acadêmica, foram convocadas reuniões de uma congregação da FAFICH com o objetivo de deliberar sobre as denúncias dos jornais e definir medidas para aprimorar a segurança do espaço. No dia 30 de março de 2015, a congregação, composta por alunos, coordenadores de curso, técnicos-administrativos e o diretor da Faculdade, propôs uma série de medidas em resposta à polêmica.

Entre outras medidas apresentadas pela Congregação e aprovadas pelo Conselho Universitário da UFMG, como a suspensão do uso do espaço do Diretório Acadêmico da FAFICH e a melhoria das condições de iluminação do local, foi proposta a realização da pintura do prédio. A medida levantou uma série de questões entre os estudantes. Por que pintar o prédio de branco seria um sinônimo de segurança? É preciso buscar entender porque o pixo tanto incomoda a muitas pessoas e, principalmente, por que passou a incomodar ainda mais quando a sua imagem foi ligada aos frequentadores vindos da periferia.

 

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Já se passaram quase dois meses desde o dia da congregação e, numa observação superficial, a transformação que se vê na FAFICH em relação a essas medidas foi a mudança de sala do Diretório Acadêmico: a pintura do prédio ainda não aconteceu. Se a FAFICH será pintada ou não, não sabemos. Essa proposta, contudo, simboliza uma ameaça – para algumas pessoas, a de silenciamento da sua voz; para outras, simplesmente a de que, depois, o prédio fique ainda mais pixado.

Para os estudantes da Filosofia Henrique Lisboa e Álvaro Trópia e para o estudante de Ciências Sociais Felipe Werneck, as pixações indicam uma reivindicação do espaço para a comunidade externa e, ainda, a expressão de vozes sociais de estudantes  em relação à sociedade e à Universidade.  Pintar o prédio de branco, então, simboliza o silenciamento de muitos grupos. Para as auxiliares de serviços gerais Edna Neves e Elaine Martins, o pixo e as inscrições nas paredes do prédio são obstáculos ao serviço e, além de tudo, são sinônimos de sujeira, desrespeito e depredação do patrimônio público. Para elas, contudo, a pintura não seria uma solução – segundo elas, vendo as paredes brancas, os alunos acabariam deixando o prédio mais “sujo” do que atualmente.

É preciso entender, então, o que essa ameaça significa para diferentes grupos que convivem no prédio.


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Na foto do lado esquerdo, Henrique Lisboa, estudante de Filosofia na FAFICH; Felipe Werneck, estudante de Ciências Sociais na FAFICH; Álvaro Trópia, estudante de Filosofia na FAFICH.  Na foto do lado direito, Edna Neves e Elaine Martins, auxiliares de serviços gerais na FAFICH. Cada grupo expõe uma visão diferente sobre a presença do pixo na FAFICH.

 

 

Wesley Matheus, mestrando em Ciência Política pela UFMG, e Edna Neves e Elaine Martins, auxiliares de serviços gerais na FAFICH, discutem suas impressões e opiniões acerca do assunto.

Equipe

Flávia Ruas e Luisa Lanna