2016-06-21_1614

#FicaMinC

O movimento

No início do mês de maio, após a cerimônia de posse do presidente interino do Brasil, Michel Temer, foram anunciadas uma série de ajustes e cortes na estrutura administrativa do ex-governo Dilma. Dentre eles, foi anunciada a fusão entre Ministério da Cultura e o Ministério da Educação, que foi recebida de forma muito negativa por parte da população brasileira, principalmente por conta dos cortes de cargos e pessoas deste ministério. Por conta do movimento, foi criado no Facebook a página FicaMinC, que apóia o movimento de volta do Ministério da Cultura e convidava às pessoas a participarem dos movimentos nas ruas de cidades brasileiras. Uma nota foi postada no site Idanca.net dando um panorama de todo o movimento. E nesta reportagem da Revista Glamour, da Editora Globo, foi feita uma compilação dos posts mais comentados no Instagram. A justificativa do então presidente foi o corte de gastos e estruturação do governo, o que gerou bastante revolta entre os grupos envolvidos.

Em diversas cidades brasileiras se espalhou o movimento #FicaMinC, que se difundiu através das redes sociais. Vários artistas e profissionais da cultura lideraram o movimento para reivindicar a permanência do Ministério da Cultura, bem como a saída do governo do presidente interino Michel Temer.

Para estudar mais a fundo os desdobramentos deste movimento nas redes sociais, analisaremos neste trabalho o uso da hashtag #FicaMinc nas redes do Twitter e do Instagram, onde encontramos um maior fluxo de postagens associadas à ela.

Desdobramentos no Twitter

No Twitter, foram coletadas informações sobre tweets publicados entre os dias 09 e 17/05/2016, totalizando 1822 tweets com menção à hashtag #FicaMinC.

1. Análise da quantidade de tweets por data
Ao analisar o número tweets por data, no programa Tableau, vemos que houve um crescimento repentino no uso da hashtag no dia 13, seguido por uma queda no dia 15 e tendo seu pico no dia 17, com quase 500 postagens.

Quantidade de tweets por data

O anúncio da extinção do Ministério da Cultura foi feito no dia 13/05 e na tarde do dia 17, artistas independentes e integrantes de coletivos ocuparam a Funarte (Fundação Nacional das Artes) contra o fim do Ministério da Cultura. O processo de planejamento, ocupação e apoio à causa pode explicar o crescimento no número de posts.

 

2. Análise das hashtags criadas

Analisamos, ainda, quais foram as hashtags criadas durante o movimento.
A hashtag #ficaminc foi mencionada por 1469 usuários diferentes, que corresponde à 75% do total de hashtags coletadas e é representada pela maior esfera do gráfico, de cor azul. A segunda maior hashtag mencionada foi #foratemer, com 264 menções de usuários diferentes e que representa 13% do total. As outras hashtags foram mencionadas em quantidades menores e somadas, representam 11%, valor próximo ao da segunda hashtag mais utilizada no movimento.

 

3. Nuvem de palavras
A imagem abaixo mostra uma nuvem de palavras contidas nos Tweets, gerado no site Tagul. As palavras mais usadas nos tweets foram: cultura, ministério, ocupado, fica, abaixo-assinado, assine. Todas elas tem ligação direta ao objetivo do movimento e demonstram também que um abaixo assinado circulou pela internet para pressionar ainda mais os governantes.

Nuvem de palavras

 

4. Análise da rede de hashtags
Inserimos os dados coletados no programa Gephi e aplicamos os filtros Force Atlas 2 e a modularidade de grau. Pudemos perceber que, de acordo com a imagem formada, a rede de pessoas que utilizaram a hashtag em diferentes tweets e participaram da campanha é relativamente restrita. A disposição das arestas e nós na imagem é bastante espaçada. Foram no total, 1956 tweets.

Nove subgrupos foram identificados na imagem e o maior deles, de cor roxa (#FicaMinC), está diretamente ligado à reivindicação pela permanência do Ministério da Cultura. Um dos pontos que nos chamou a atenção é que o segundo maior nó, de cor verde limão, representa um subgrupo específico, que se organiza em torno da hashtag #foratemer. Este grupo reivindica em paralelo ao #ficaMinC, a saída do presidente interino Michel Temer.

Rede de hashtags no Twitter

 

 

Desdobramentos no Instagram

 

A coleta de dados no Instagram foi realizada no dia 17 de maio de 2016, coletando dados desde o dia 09 até o dia 17, e totalizando 817 postagens com a hashtag #FicaMinC.

1. Análise das postagens com a hashtag por dia:

Nosso primeiro esforço foi analisar a quantidade de publicações contendo a hashtag #FicaMinC por dia e seu impacto. Para isso, jogamos as informações coletadas do Instagram no programa Tableau Public, e analisamos individualmente cada aspecto. O gráfico abaixo é uma boa maneira de visualizar a distribuição das postagens pelos dias da coleta:

O período com o maior número de postagens foi a noite entre os dias 13 e 14. Assim como no Twitter, a reação no Instagram explode no dia 13, tendo leve queda na noite do dia 15, e volta a subir do dia 16 em diante. A análise do número de likes e comentários não é muito diferente:

Novamente, o crescimento do uso a partir do dia 16 pode ter relação com a ocupação ocorrida na Funarte, dia 17.


2.
Postagens e perfis mais relevantes
Com 817 postagens envolvendo a hashtag de análise, consideramos importante entender quais perfis tiveram postagens mais populares, e como foram esses posts. O gráfico abaixo, gerado no Tableau Public, compara o número de likes que cada perfil que postou uma imagem usando a hashtag #FicaMinC teve.

Os cinco perfis com maior número de likes foram, em ordem: brunalinzmeyer, pichandopichacoes, ingridguimaraesoficial, libonaticadu e leandraleal. Bruna Linz Mayer é uma atriz brasileira, e seu post contra o fim do Ministério da Cultura foi o que teve maior número de likes no período observado. Com mais de 5.000 likes, o post é esse:
Perfil Bruna Linz Mayer

Pichandopichacoes é um conta de Instagram que divulga fotos de pichações que contem um conteúdo romântico, político ou cultural. A página obteve quase 3.000 curtidas no período observado com a seguinte publicação:

Perfil Pichandopichacoes

Ingrid Guimarães é uma atriz brasileira, que se manisfestou contrária ao fim do MinC através da seguinte postagem:

Perfil Ingrid Guimarães

Cadu Libonati, dono do perfil libonaticadu, é um ator brasileiro, que protestou através do seguinte post:

Perfil Cadu Libonati

Leandra Leal é uma atriz brasileira, que se manifestou usando a hashtag #FicaMinC através do seguinte post:

Perfil Leandra Leal

É possível perceber em alguns posts a seção de comentários está repleta de críticas e opiniões opostas às da publicação. Isso ocorreu principalmente em posts como esses que receberam grande número de likes. Acreditamos que o grande alcance desses posts são responsáveis pelos comentários. O movimento #FicaMinC sofreu grande repressão, e os artistas que se expuseram e criticaram o fim do Ministério da Cultura receberam muitas críticas através de comentários.

 

3. Análise de hashtags criadas

Para entender a relação entre a hashtag em estudo e outras hashtags usadas em conjunto a essa, decidimos usar novamente o recurso da nuvem de palavras, feita no site Tagul:

Nuvem de hashtags

A nuvem contém hashtags que foram usadas juntamente com a #FicaMinC. Através da visualização percebemos novamente a presença forte da hashtag #ForaTemer aliada à #FicaMinC. 

No caso do Instagram, a hashtag #ForaTemer apareceu em 17% das postagens ao lado da hashtag em análise, seguida de perto pela #Cultura, que apareceu em 14%. Na terceira e quarta colocação, #Art e #Minc, ficaram com 9% e 7% respectivamente. Para entender um pouco melhor a relação entre as hashtags usadas, utilizamos o programa Gephi. Ao passar as informações para o programa obtivemos 1.077 nós, cada um representando uma hashtag específica, e 8.700 arestas, cada uma representando a conexão entre duas hashtags em um mesmo post.

A primeira visualização fica assim:

1ª visualização Gephi

Nessa imagem, os nós maiores são aqueles hashtags que tiveram mais ligação com outros hashtags, portanto são aqueles que foram usados mais vezes. Os menores são os que tiveram menos ligações, e são os que apareceram menos vezes. A distribuição dos nós foi feita através de um tipo de distribuição disponível no programa, chamado Force Atlas 2, que leva em consideração a importância do nó, e o coloca em uma posição mais central ou não.

 

As cores são produto de um recurso disponível no programa, chamado Modularidade. Esse recurso leva em consideração as ligações entre os nós, e os separa em grupos de cores diferentes. Vamos analisar os principais grupos separadamente:

2º visualização Gephi

Esses são os cinco maiores grupos de hashtags. Juntos representam 60% do gráfico. A nossa hashtag de análise, #FicaMinc, é o nó maior no centro do gráfico, e carrega junto com ela o grupo azul. Ele é composto, além da hashtag #FicaMinC, de outras com os temas ForaTemer, Cultura, Minc, MincResiste, Brasil. Esse grupo reúne principalmente manifestações diretas sobre o Ministério da Cultura e as polêmicas sobre seu encerramento. Esse grupo representa 36.86% do gráfico.

Subgrupo azul #FicaMinC

O grupo Vermelho, representante de 8,45% do gráfico, reúne hashtags referentes ao universo cultural. Algumas hashtags são: Arte, Teatro, Art, Culture, Fotografia, poesia. É importante ressaltar que a maneira como o Gephi avalia os dados, não leva em consideração pessoas que postaram mais uma foto usando a mesma hashtag. Portanto aquela estatística de quais hashtags foram os mais usados ao lado do FicaMinC, são um pouco diferentes no Gephi.

Subgrupo vermelho

O grupo Verde é também um grupo significativo, representa 5,39% do gráfico. O tema desse grupo também gira em torno da cultura, por isso tem uma aproximação grande com o grupo vermelho. Algumas hashtags desse grupo são: Cinema, Musica, Circo, Show, Dança, Artes. As hashtags desse grupo podem ter sido usadas em postagens que não tinham o objetivo principal de protestar, mas aproveitaram a ocasião para isso.

Subgrupo verde

O grupo Amarelo, 5,29% do gráfico, já começa a destoar bastante da hashtag principal. Com hashtags como Love, Photo, Nature, Trees e Beauty, o grupo parece acumular hashtags usadas pelos usuários para que suas postagens alcancem mais pessoas no Instagram. 

Subgrupo amarelo

O mesmo não parece ocorrer com o grupo Rosa:

Subgrupo rosa

Esse grupo, responsável por 4.09% do gráfico, junta hashtags de denuncia e crítica. Algumas das hashtags são: Democracia, TemerNãoMeRepresenta, Liberdade, Resistência e PovoNaRua. Esse grupo está bem atrelado ao grupo Azul e ao grupo Vermelho.

 

Conclusão

No dia 21/06/2016, foi anunciado pelo presidente interino Michel Temer, a recriação do Ministério da Cultura. Com a decisão, a Cultura deixa de ser uma secretaria e não ficará mais subordinada ao Ministério da Educação. Diversas matérias saíram nos jornais brasileiros, incluindo esta no G1.

Com base na análise das manifestações nas redes sociais, concluímos que a mobilização dos artistas e profissionais da cultura foi bastante positiva neste aspecto, pois conseguiram reverter uma decisão em cerca de uma semana. A mobilização de pessoas nas redes sociais e seus desdobramentos nas ruas  refletem o alto poder que as pessoas têm sobre as decisões tomadas por nossos governantes.

2 comments

  • Robert

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  • Daniel

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