Fora do Mainstream

Vinte e oito. Esse era o número de cinemas de rua que Belo Horizonte abrigava em seus anos dourados. Hoje, em meio a era digital com telas de alta definição, tecnologias de ponta e os grandes cinemas dos shoppings, apenas quatro estabelecimentos resistem na capital mineira: Cine Sesc, Humberto Mauro, Belas Artes e Centoequatro. Mesmo com suas limitações, passam a ganhar espaço e a atenção de um público que procura alternativas de lazer e entretenimento.

Usiminas Belas Artes

O cinema Usiminas Belas Artes surgiu em 1995, localizado na rua Gonçalves Dias, na antiga sede do DCE da UFMG. A estrutura se constitui em 3 salas de cinema, um café e uma livraria. Esse é um dos cinemas de rua mais tradicionais de Belo Horizonte, quando as pessoas pensam em assistir filmes fora do circuito mainstream em BH, logo pensam no Belas Artes. A variedade é grande: filmes franceses, brasileiros, espanhóis, entre muitos outros. O público também é variado, sentando no café por alguns minutos e observando o movimento, podemos ver pessoas de todas as idades. Cada um com diferentes histórias e interesses diferentes.

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Sala de cinema Usiminas Belas Artes. Foto: divulgação

Sobre o charmoso espaço no bairro Lourdes,  a aposentada Maria Fátima do Rosário Silva de 63 anos declara: “Frequento aqui desde sempre pelo motivo de estar na redondezas do Lourdes constantemente, só aí já fazem 15 anos. Não tendo companhia, venho sozinha mesmo,  aqui tem os melhores filmes de Belo Horizonte e a lanchonete é ótima também!” Se tratando da tradição dos cinemas de rua, ela ainda afirma: “Gosto daqui exatamente por ser na rua e ser um passeio natural e tranquilo, daqui vou a pé pra casa sem os transtornos que teria indo ao shopping.”

Cine Palladium

Um dos primeiros cinemas de Belo Horizonte – na época em que só existiam cinemas nas ruas – foi o Cine Palladium, que fechou as portas em 1999 e reabriu 12 anos depois, em agosto de 2011 sob o nome de Cine Palladium, no Sesc Palladium. Localizado na região central de BH, a última obra de grande porte realizada no local, construiu um ambiente moderno, aconchegante e receptivo. Com características arquitetônicas dignas dos grandes shoppings, o cinema se apresenta como o mais ‘chique’ dos quatro a serem abordados nessa reportagem. Além do cinema, encontra-se no mesmo local: uma livraria, um café e um teatro. Todos seguindo os padrões e configurando um ambiente único para banhar-se em cultura.

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Interior do Cine Palladium. Foto: divulgação

Centoequatro

O Espaço Centoequatro foi inaugurado no ano de 2012, com a proposta de ser um lugar com as portas abertas para a ocupação artística, e que fosse capaz de oferecer uma programação cultural inclusiva. O lugar, que é um grande galpão, costumava ser uma loja de tecidos, a primeira de Belo Horizonte. A Fábrica de Tecidos da Cia Industrial funcionou de 1906 até meados da década de 1980. Nos anos 1990, o conjunto arquitetônico da Praça Ruy Barbosa foi tombado pelo patrimônio histórico do estado. Agora, o espaço reformado conta com um café, uma sala de cinema e uma galeria de arte. Os filmes em cartaz, em sua maioria, são de origem brasileira. Isso representa a proposta de popularizar e colocar em evidência a produção audiovisual nacional. Essa característica fala um pouco dos motivos pelos quais o público costuma procurar os cinemas de rua em Belo Horizonte. Ao conversar com uma frequentadora do lugar- Luiza, de 24 anos- ela nos disse “É bom porque aqui tem opções diferentes, e você acaba conhecendo uns filmes bem legais, que você não saberia se ele não tivesse passando aqui. O que ajuda também é o preço, aqui em BH, fica bem mais em conta ir a um cinema de rua”.

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Espaço centoequatro. Foto: divulgação

Humberto Mauro

O Cine Humberto Mauro é abrigado no Palácio da Artes e divide esse espaço cultural com outras grandes salas de exposições itinerantes, o Centro de Formação Artísitica, o Grande Teatro do Palácio das Artes e outras sala menores para teatros ou shows. Para não ficar para trás e conseguir competir por audiência nesse ambiente, o cinema apresenta uma programação muito diversa e de filmes, em sua maioria, fora do circuito mainstream. Essa programação é permeada por mostras de curtas e longas de grandes nomes da sétima arte e voltada para a promoção de filmes indie nacionais e internacionais. Algumas dessas mostras são gratuitas e as pagas  são de fácil acesso. Além disso, o “cinema do palácio da artes” (como também é conhecido) é famoso por exibir filmes que não se encontram com facilidade, inclusive na internet, são aqueles históricos, datados de quase um século.

Ainda no Palácio das Artes, é recomendado tomar um café, próximo à livraria, no andar do cinema, que às vezes oferece música ao vivo para deixar o ambiente mais aconchegante. O local fica ainda melhor quando se descobre que, na saída do café, existe uma entrada para o Parque Municipal, de BH, Américo Renné Giannetti. Com uma aura fascinante, o Cine Humberto Mauro tem seu mérito e reputação entre os mais dedicados cinéfilos da cidade.

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Cinema Humberto Mauro. Foto: divulgação

Concorrendo com sucessos de bilheteria e uma disponibilidade de divulgação incomparável, os cinemas de rua criam suas próprias estratégias para atrair o público. Festivais, mostras e sessões comentadas são alguns dos recursos que têm feito sucesso com os frequentadores. A arquiteta Karina Leopoldino é fã das mostras e sempre fica de olho na agenda cultural dos cinemas de rua: “É uma ótima oportunidade para variar a programação dos finais de semana. Gosto de emendar as sessões com outras opções como visitar o CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) que fica aqui perto ou até mesmo passar algum tempo na Praça da da Liberdade”.

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Clique na imagem para ver vídeos e informações sobre cada cinema.

Equipe

Beatriz Lobato e Lucas Bastos 

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