#infodata: Onde jogavam os brasileiros convocados para todas as Copas?

Clara Braga, Harlley Soares e João Vítor Marques

Apenas times do Rio de Janeiro cederam jogadores para a Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1930, no Uruguai. Além de convocados dos hoje quatro grandes cariocas, atletas de América, São Cristóvão, Americano e Ypiranga estavam na lista de Píndaro de Carvalho – que ainda inscreveu o artilheiro Araken Patusca, sem clube à época.

Jogadores de Santos, São Paulo da Floresta e Grêmio representaram o Rio Grande do Sul e São Paulo na convocação para a Copa de 1934, realizada na Itália. Entre os mineiros, a oportunidade só veio mais tarde: o cruzeirense Tostão foi reserva do ataque em 1966.

Apesar do domínio inicial, as equipes do Rio ainda são as que mais tiveram jogadores convocados pela Seleção Brasileira para Copas do Mundo? Quantos e quais jogadores cada time do mundo cedeu em 20 edições da competição?

Pensando nisso – e na dificuldade de encontrar tais informações numa mesma fonte na internet -, o grupo preparou um infográfico que mostra quais jogadores de cada time foram convocados para Copas (clique no link para melhor visualização do infográfico).

Escolhemos o template “Sunburst” devido a suas características estéticas e à possibilidade de incluir camadas sequenciais de informação (país > time > jogador > Copas disputadas pelo convocado enquanto jogava por aquele time). Além de tentar satisfazer a vontade do torcedor de saber quais jogadores de seu time participaram do torneio na história, o gráfico serve como uma fonte de informações brutas mostradas de uma forma visualmente agradável, que também é papel do jornalismo de dados.

Historicamente, três a cada quatro jogadores convocados vêm de clubes brasileiros. Botafogo e São Paulo encabeçam o ranking: juntos, os clubes representam mais de 20% de todas as listas. Mas, para melhor entendermos a tendência das convocações – e até mesmo do futebol brasileiro -, o grupo preparou uma segunda visualização (clique no link para melhor visualização do infográfico).

Apesar de o Brasil possuir o maior número absoluto de jogadores convocados, o infográfico 2 mostra com maior clareza uma tendência já percebida por fãs de futebol: os principais jogadores não jogam mais no seu país de origem.

Mesmo sendo uma informação relativamente conhecida, o gráfico complementa o sentido da primeira visualização e deixa mais claras algumas informações históricas interessantes.

Itália, Espanha e Alemanha são destinos recorrentes dos jogadores. Mas é interessante perceber que centros não tão conhecidos, como Japão (em 1994 e 1998) e Portugal (com nove atletas), têm parcelas importantes nas convocações.

Novos mercados como EUA, Grécia, Turquia, Ucrânia e Rússia apareceram recentemente na lista, mesmo com a ideia de que seus campeonatos não são os mais competitivos.

A grande vantagem da visualização em gráfico de barras, no entanto, é percebida no formato de grupos. De 1986 para 1990, o número de convocados de times do Brasil caiu de 20 para 10. Em 2002, eram 12 que defendiam clubes do país; na Copa seguinte, o número caiu para três. Essa Copa representou ainda outro momento histórico: pela primeira vez o Brasil não foi o país que mais cedeu jogadores para a sua própria Seleção – fato que se repetiu nas edições seguintes. Naquele ano, Itália, Alemanha e Espanha tiveram mais convocados que o Brasil.

Foram momentos importantes para o mercado de transferências internacionais. É possível afirmar que os principais jogadores brasileiros começaram a sair do país em maior número devido a melhores condições salariais e de trabalho, especialmente.

Apesar dessas conclusões iniciais, os dois pontos do gráfico exigiriam uma outra visualização para serem melhor analisados: a quantia movimentada em transferências internacionais durantes esses anos.

Dessa forma, a visualização possibilita o surgimento de pautas e histórias que talvez não fossem percebidas se vistas apenas em forma de planilhas.