Intervenções visuais – pichações, grafites e apropriações artísticas – de resistência à Copa do Mundo FIFA

PAUTA +

Pauta de: Edson Nascimento e Luísa Teixeira

Histórico e Resumo:

Desde as manifestações de junho a cidade tem sido tomada por intervenções visuais de resistência aos eventos que caracterizam a Copa do Mundo FIFA. A revolta contra os gastos e a realização de um dos maiores torneios do futebol internacional não marca apenas o entorno da área delimitada pela federação.  As inscrições estão espalhadas pela cidade e vão desde o “Fuck you, Fifa” logo na entrada da capital mineira, no acesso pela Linha Verde [altura da Cidade Administrativa] , até as inúmeras pichações ao longo da avenida Antônio Carlos, que vêm sendo apagadas pela equipe do Serviço de Limpeza Urbana – SLU – da PBH.

Grafiteiros conhecidos, como Maria Raquel Bolinho dividiram – e ainda dividem –  espaço com manifestantes como o estudante de Ciências Econômicas da UFMG, Everton Couto. Se em 2011(ver http://bit.ly/16irUHb ) a estimativa da prefeitura era que 300 novas pichações surgiam na cidade todo mês, o número aumentou e não é preciso ser especialista na área. É algo compartilhado pelo senso comum. Mas quanto aumentou? Onde esse aumento foi mais visível?

Ainda segundo as pesquisas da PBH há dois anos, cerca de 2 milhões de reais foram gastos com o despiche. Quem passa pela Antônio Carlos sabe que só entre os meses de junho e setembro alguns viadutos já foram repintados três, quatro vezes. Qual foi o gasto total até agora? (ver http://bit.ly/155wJ7k ) De onde vem esse dinheiro? E de que setor vem os responsáveis pela limpeza – são os mesmos pintores que demarcam os meios-fio da capital e as linhas de trânsito?

Outro aspecto fundamental é que a chamada Área Fifa não foi alvo de intervenções visuais, segundo a própria prefeitura. Como ela permaneceu protegida militarmente durante os conflitos, os manifestantes não tiveram acesso ao local. Neste caso, uma importante dicotomia pode ser percebida: enquanto espalham-se pela cidade – e principalmente pelos arredores da região – intervenções visuais de resistência ao torneio,  a área que engloba o Mineirão mantêm-se em clima festivo de Copa do Mundo.

Proposta da matéria:

Estabelecer um paradoxo visual entre a Área Fifa, protegida contra intervenções de resistência à Copa do Mundo e o restante da cidade, que ainda se encontra tomada por elas – apesar das tentativas de limpeza por parte da PBH. Identificar as motivações dos pichadores e grafiteiros e da SLU.

Perguntas:

Ao especialista:

– O que define a legitimidade dessas intervenções?

– Qual a importância ideológica das pixações e grafites?

– O que elas representam na composição do ambiente urbano?

– Levando em conta o cenário urbano, o que a dicotomia entre uma Área Fifa quase sem intervenções visuais e o restante da cidade repleto de imagens de resistência à Copa do Mundo significa?

–  O que você acha da política de remoção rápida das intervenções visuais na cidade?

– Qual a sua opinião sobre a relação de confronto existente entre os “artistas” e a SLU? (o ciclo interminável em que a SLU limpa as pichações e os “artistas” intervêm novamente)

À fonte oficial da PBH (Movimento Respeito por BH):

– Se dois anos atrás, segundo estimativas da Prefeitura,  300 novas pichações surgiam na cidade a cada mês, quantas foram contabilizadas no período junho – setembro deste ano? E no entorno da Área Fifa?
– Quantas pessoas foram presas em Beagá durante esse período por cometerem esse delito? Qual a pena ou medida socioeducativa?

– Quantas vezes o entorno da área Fifa precisou ser repintado desde as manifestações de junho, principalmente nos viadutos ao longo da avenida Antonio Carlos?
– Se o custo do despiche, em 2011, girou em torno dos R$ 2 milhões de reais, qual é a estimativa de gastos em todo o ano de 2013? E no período junho – setembro?

– De qual setor da Prefeitura vem o pessoal responsável pela limpeza dos muros?

Aos grafiteiros e pichadores:

– De onde vem a motivação para intervir visualmente no cenário urbano em repulsa à Copa do Mundo?

– Quantas pichações/ grafites você fez em relação ao tema? Alguma foi apagada?

– O que você acha do serviço de despiche realizado pela prefeitura, principalmente na região ao redor da Área Fifa?

 

Recursos de linguagem

Tentar mapear fotograficamente as inserções mais significativas e estabelecer um paralelo com a Área Fifa, que contém poucas intervenções. Organizar um mapa interativo com as imagens mais relevantes, indicando a localização das intervenções.

Alguns exemplos: http://www.flickr.com/photos/xraquelx/9185829099/
http://www.flickr.com/photos/xraquelx/9128461329/
http://olhessemuro.tumblr.com/post/59597035852/520-artista-pino-praca-do-papa-mangabeiras

http://olhessemuro.tumblr.com/post/53438792268/472-artista-cego-viaduto-santa-tereza-centro

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=574605989260097&set=a.420959624624735.103384.413675448686486&type=1&theater

As marcas das Confederações  https://plus.google.com/photos/108795743443751642400/albums/5893262225015523073?authkey=COeG6YjR67vILw

Mapa dos graffitis (exemplo) http://www.mapadosgraffitis.org/

1 comment

  • Carlos d'Andréa

    Oi, grupo,
    muito boa a pauta!

    Os nomes e principalmente contatos das fontes devem estar no documento interno do labcon, lembram? Assim preservamos nossos contatos! Fico no aguardo dessa modificação.

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