Isso é a vida real?

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A produção cultural na contemporaneidade com o advento da internet promoveu um amplo compartilhamento de elementos dos mais distintos meios e lugares. Mensagens presentes em composições musicais, televisivas e textuais são incorporadas de forma que um novo sentido é construído para o receptor. Neste trabalho, o sentido foi produzido por meio da junção da imagem e texto. Mas é importante destacar que o texto, composto pela letra da música “Bohemian Rhapsody”, tem função imagética. A letra foi utilizada não por seu sentido em si, mas também para compor o quadro visual de um jornal. A música selecionada conta a história de um garoto ‘poor boy’, que mata um homem. Uma história real? ‘Is this the real life?’, como pergunta a música. Mostramos que sim, e a plataforma de um jornal possibilitou mostrar essa realidade, uma vez que dá maior veracidade aos fatos. Para revelar que a tragédia ‘Fígaro’, não é apenas uma fantasia ‘Is this just fantasy’, nos apropriamos de três grandes fatos da mídia brasileira, fait-divers do jornalismo. Com isso, o trabalho consegue evocar uma memória por meio das imagens utilizadas, que foram amplamente divulgadas pela mídia, que ainda faz grandes revisões desses casos. Além disso, a letra da música, com as frases mais importantes e impactantes destacadas, promove uma crítica a essas tragédias familiares e crimes passionais. No caso Eloá, por exemplo, foi selecionado o título “So you think you can love me And leave me to die?” com a foto da Eloá tirada durante o seu sequestro. (http://noticias.uol.com.br/album/120212_casoeloa_julgamento_album.htm#fotoNav=2). Eloá foi assassinada por seu ex-namorado, que durante entrevista ao vivo a um programa de televisão, realizada no decorrer do sequestro, afirmou que mataria por amor, pois não poderia viver sem a ex-namorada. A manchete permite estabelecer relação direta com os crimes passionais. A tragédia de realengo (http://www.diretodaredacao.com/noticia/quem-se-lembra-da-tragedia-do-realengo) foi outro exemplo utilizado. A primeira imagem, cuja manchete é ‘Caught in a landslide’, pego em um desmoronamento, é da família de uma das vítimas no dia do enterro. O caso foi o precursor no Brasil nas discussões sobre bullyng. Já a manchete “I’m just a poor boy nobody loves me”, deixa explícita a associação com o mais recente caso amplamente divulgado pela mídia: um garoto de 13 anos suspeito de ter matado a família. A manchete, desse modo, se relaciona com o restante da letra da música, fala sobre um assassinato. Na opinião do grupo, se o garoto tivesse direito “póstumos” de ser entrevistado, essa seria a frase que ele diria. (http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2013/08/policia-aponta-menino-de-13-anos-como-suspeito-de-matar-familia-teria-matado-os-pais-tia-e-avo.html) “I don’t want to die/I sometimes wish I’d never been born at all”. Nesse trecho da música, percebe a agonia do eu lírico em relação ao crime cometido. O mesmo pode ser constado nos casos relatados no trabalho por meio de imagens: o suicídio do criminoso foi o fim da tragédia. Com isso, é possível estabelecer uma narrativa com os casos e com a música, uma vez que relatam o sofrimento das vítimas e dos criminosos sob a perspectiva de uma música que poderia muito bem ser a manchete dessas notícias e as aspas dos envolvidos na tragédia nos jornais brasileiros. O trabalho, dessa forma, não utiliza imagens/texto que argumentam, mas que fazem pensar e atinge certo nível de fruição ao suscitar uma memória.

Grupo

Aluisio Junior, Estevão Germano, Julia Drumond, Karla Eloara e Paulo Neto

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