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Jessica Jones – Análise Transmídia e Proposta Novo Site

A série

Marvel’s Jessica Jones é uma web série americana criada por Melissa Rosenberg para a Netflix, que conta a história de uma ex super-heroína que abre a sua própria agência de detetives depois de dar um fim a sua carreira, baseada na personagem de mesmo nome da Marvel Comics. A série, que ainda está em sua primeira temporada, se encontra situada dentro do universo cinematográfico da Marvel e realiza diversas continuidades e transversalidades com outras produções da franquia.

A escolha da análise de Jessica Jones se dá não apenas pelo seu escopo narrativo formado por interseções com outras produções do estúdio, mas graças ao forte engajamento do público que a série proporciona. Os materiais produzidos, compartilhados e consumidos pela comunidade de fãs da série diz de um importante processo de expansão, reconstrução e reinterpretação da narrativa original, e compõem um “transtexto”, juntamente com o conteúdo “oficial” disponibilizado pela Marvel e pela Netflix.

Análise transmídia

Apesar de estar presente em todas as grandes redes sociais, a série Jessica Jones não possui site próprio com conteúdo exclusivo, mas possui muitos sites de fandom. Assim, fica como carro chefe de canal de comunicação o Facebook da série, que apresenta páginas próprias para determinadas regiões como Estados Unidos, Canadá, Brasil, Chile e Portugal, produzindo um conteúdo específico na língua de cada país. As postagens são predominantemente imagéticas e carregadas em vídeos e gifs, muitas delas são entrevistas com os atores, anúncios de premiações, cartazes com foto dos atores e vídeos de cenas marcantes da temporada já disponíveis.

No Twitter, nota-se que há maior frequência de postagens em relação ao Instagram e ao Facebook. Grande parcela das postagens são retweets de postagens feitas pelos fãs, que vão desde desenhos feitos com a temática da série até fotos que os fãs tiraram com os atores. Além disso, no Instagram há uma frequência maior de postagens, uma vez que há um planejamento que parece ser de pelo menos uma postagem por semana.  Tanto a página da série no Twitter como no Instagram só possuem versão oficial em inglês, não havendo a mesma possibilidade multilíngue que há no Facebook. Em alguns casos a interação com o público é mais clara, como quando há repostagens de produções dos fãs, mas de uma forma geral não há tentativas de expandir a narrativa para além do que é considerado oficial pelos produtores.

A aprovação da audiência, em particular do público feminino, foi refletida nas mídias sociais digitais com a produção de fanarts, fanfics e cosplays, além de discussões que abordam as dimensões em que a série acerta ao abordar a amizade entre duas mulheres e abusos físicos e psicológicos, por exemplo.

Não foram identificadas possibilidades de expansões nas extensões que permitissem o aprofundamento das experiências e que fossem além da informação, somente na própria série, onde o personagem Luke Cage ganhou uma série própria como extensão da presente série. Também não foi identificado um comportamento nas postagens que atiça a curiosidade da audiência para buscar e se aprofundar nas informações, provavelmente pelo fato de que ainda não foi anunciada a data de lançamento da próxima temporada.

O universo narrativo de Jessica Jones se expande das plataformas que suportam a Netflix para realizar a transmissão dos episódios, às mídias móveis e plataformas da web nas quais circulam conteúdos da série. Cada uma delas possui especificidades quanto ao tipo de informação que divulga, e também abre diferentes possibilidades de interação com o público. A própria construção do universo transmidiático da série pressupõe a busca por experiências diversificadas a cada novo meio, e a narrativa se distribui e se expande nessas mídias – mesmo que, em alguns momentos, o material considerado “oficial” e aquele produzido pelo público se confunda, o que resulta em um processo de redimensionamento da narrativa inicial.

O modo de assistir seriados foi profundamente alterado com a ascensão das redes de streaming como Netflix e Amazon Prime. Além da possibilidade de assistir aos episódios quando quiser, estes chegam a ser liberados, no caso das produções originais da Netflix, no mesmo dia, possibilitando que muitas pessoas chegam a fazer o que se chama de binge watching e ver todos em sequência. Portanto, a Netflix seria uma das principais plataformas no contexto narrativo de Jessica Jones, pois é através dela que o público tem acesso à maior parte do material.

Em um contexto transmídia claro por todo escopo que a Netflix disponibiliza, a série busca por meio do alto engajamento que gera em seus públicos desenvolver uma dinâmica na qual haja sempre uma auto alimentação do conteúdo da série entre os próprios fãs. Com isso, a proposta de promover uma plataforma na qual os fãs compartilhem todo o conteúdo produzido no mesmo local é uma alternativa que estimula ainda mais o engajamento quanto ao seriado.

Diagnóstico

Como verificado, a produção oficial da série ocorre nas seguintes plataformas online: site (uma seção no site da Marvel), Facebook (pelas páginas oficiais da Jessica Jones, da Marvel e da Netflix), Twitter e Tumblr (pelo blog oficial de Jessica Jones). Nestes espaços, a produção de conteúdo vem não para somar, expandir e ressignificar a narrativa, mas tão somente para divulgar e promover a narrativa oficial da série do Netflix. De um modo geral, a atuação é bastante deficiente, sendo possível notar que a interação entre plataformas é bastante fraca – quase nenhuma faz alusão à outra; a produção de conteúdo é irrisória e o estímulo à interação mínimo.

Na seção da Jessica Jones no site da Marvel, o público encontra o conteúdo subdividido em notícias, galeria, trailers e personagens. No entanto, a produção é bastante precária com pouca variedade e novidades, a navegação é falha, se restringindo a uma única página sem muita expansão, e a possibilidade de interação inexistente, não havendo local para comentários, por exemplo.

Nos espaços online da Marvel e Netflix, a produção de conteúdo sobre a série é praticamente nula. O desenvolvimento da narrativa, ainda que muito preliminarmente, ocorre principalmente nos ambientes oficiais – seção no site, no Facebook, no Twitter e no Tumblr. Nestes espaços, poderíamos destacar três grandes deficiências: integração entre as plataformas da série; participação eficiente do público (entre si e com a página) e produção de conteúdo atualizada, diversificada e constante.

As principais carências da produção oficial estariam, portanto, no tocante da expansão da narrativa e engajamento do público – elementos indissociáveis entre si e fundamentais na efetivação de um universo transmídia. Entendemos que um estímulo a expansão narrativa de Jessica Jones – por meio da produção de novos conteúdos; da integração eficiente entre as plataformas existentes; da construção de outros universos em torno da série etc. – favorece o engajamento do público – que se sente mais disposto a ir atrás de novos conteúdos, interpretá-los, ressignificá-los e até mesmo produzi-los – o que permitirá uma diversificação da narrativa, que se expandirá, atrairá novos públicos, produzirá novas narrativas e assim por diante.

 

Proposta de experimentação

1. Home


A página de
Jessica Jones mantém o padrão do site da Marvel, com as seções padrões que vai de “últimas notícias” a “loja” referentes a todas produções da empresa, abrangendo as histórias em quadrinhos, filmes e séries. A opção por prosseguir com esse formato permite que quem acessa a página da série consiga percorrer com facilidade por outras narrativas da Marvel, além de reforçar a ideia que está tudo interligado dentro de um grande universo ficcional.

Para oferecer um repertório mais denso dentro do espaço oficial de Jessica Jones na internet, propomos a inclusão de mais quatro abas: Personagens, Episódios, Área do Fã e Universo Marvel. Essas seções ficarão fixadas em uma barra superior do site e direcionarão o público a conteúdos exclusivos sobre série. A partir dessas seções adicionadas, será possível oferecer mais informações sobre os personagens, estreitar a relação com os fãs e publicar atualizações sobre a produção e exibição dos episódios, aspectos que foram considerados falhos na página atual de Jessica Jones.

Abaixo dessa barra principal, haverá em destaque um banner oficial da série. Em seguida, serão disponibilizados vídeos e imagens de bastidores da produção e lançamento de novos episódios ou temporada. Essa parte será reservada para a publicação de conteúdo oficial dos produtores da série, além de novidades e divulgações referentes a Jessica Jones.

 

2- Personagens

Atualmente, esta parte do site oficial limita-se a uma foto – sendo em desenho, do personagem dos quadrinhos – de Jessica Jones e Luke Cage, na qual não é possível clicar ou extrair qualquer informação sobre eles. Não há nem um pequeno currículo. Ou seja, uma seção meramente ilustrativa. No novo espaço, o público terá acesso a conteúdos fixos e outros que serão atualizados regularmente, de acordo com o desenvolvimento da série – a partir do lançamento de novas temporadas e outras novidades.       As informações desta seção irão abranger desdes os personagens principais – que aparecem praticamente em todo episódio – até aqueles que interferem na trama, porém de modo menos recorrente.

Ao clicar na seção, o usuário verá um “carrossel” com as fotos dos personagens. Selecionando aquele que deseja, abrirá uma página referente a este personagem, onde haverá uma foto do personagem da série e um mini currículo de apresentação. Descendo a página, outras informações surgirão, como: nome do ator, idade do ator e do personagem, profissão do personagem na série, episódio em que aparece pela primeira vez e, se tiver algum superpoder, qual é. Mais embaixo, uma subseção de curiosidades (quando for o caso) sobre o personagem e/ou ator – por exemplo, “para o papel de Jessica Jones, Krysten Ritter concorreu com atrizes como Alexandra Daddario, Teresa Palmer, Jessica De Gouw e Marin Ireland”.

 

3. Episódios

A aba “Episódios” trará uma sinopse e um teaser de cada um dos 13 episódios da primeira temporada de Jessica Jones em forma de lista e ordenados cronologicamente. Uma vez que, mesmo sendo descrições resumidas do enredo dos episódios, essas sinopses podem trazer spoilers para os usuários do site (já que eles podem não ter terminado toda a temporada), haverá um aviso no início da seção informando que os textos podem divulgar dados importantes sobre personagens ou sobre o desenvolvimento do enredo. Como os episódios são lançados simultaneamente pela Netflix, o usuário poderá se deparar com informações definitivas sobre a trama de toda a temporada, pois toda ela está disponível para visualização desde novembro de 2015.

 

4. Plataforma de postagem de produções de fãs

Uma das seções do site será dedicada aos fãs, como um espaço em que eles poderão compartilhar suas criações e releituras da narrativa de Jessica Jones e, ainda, promover discussões sobre a série. Essa plataforma poderá ser acessada por qualquer usuário do site, e aqueles que desejarem poderão criar uma conta para receber notícias e atualizações por e-mail, bem como “seguir” outros participantes que publicam materiais que lhe interessem. Além disso, os fãs poderão conectar a sua conta no site a perfis em outras mídias sociais digitais e, assim, compartilhar postagens da plataforma de fãs no Facebook, Twitter e Tumblr, por exemplo. Esse tipo de integração entre diferentes mídias visa a estimular novas possibilidades de engajamento, a fim de que o fã possa acessar os conteúdos que lhe interessam a partir de plataformas variadas, ampliar seu escopo de compartilhamento e diversificar sua participação nas redes digitais. O site, portanto, não se configura como uma plataforma isolada das demais, pois se constrói a partir das comunidades de fãs já existente e busca se integrar a elas.

Nesse espaço exclusivo outros usuários poderão comentar sobre o que for publicado e postar respostas sobre postagens, estabelecendo, assim, uma rede de interação entre os fãs para que estes possam contribuir com sugestões e apontar conexões com outros trabalhos. Além dessa ferramenta de comentários, o usuário poderá curtir as publicações de que mais gostar e mantê-las registradas em seu perfil do site, para que possa acessá-las quando desejar, e também citá-las e incorporá-las (mantendo a autoria original) em suas publicações.

Uma vez que essa plataforma para os fãs parte do desejo de aprimorar e estreitar a relação entre estes e a equipe de produtores, sessões de perguntas e respostas com os fãs serão realizadas com atores, roteiristas, diretores dos episódios e a criadora da série, Melissa Rosenberg – as perguntas e respostas serão publicadas em tempo real no site e permanecerão disponíveis para acesso. Os fãs passam a ser reconhecidos pelos produtores como emissores de uma fala especializada, embora não oficial (SOUZA, 2016), e negociam suas possibilidades de produção. Eles não precisam da aprovação dos produtores, mas o reconhecimento destes descentraliza o sistema de produção midiática e revela outras complexidades do diálogo entre a indústria e a audiência, sobretudo no que tange a questões de representação. Portanto, reunir as criações de fãs e notícias da produção da série em diferentes camadas de imersão amplia as possibilidades de expansão da narrativa, que ganha novos contornos quando é explorada tanto por roteiristas, atores e diretores, quanto por fãs empenhados em transformá-la a partir de suas leituras do material original.

Todos os episódios da primeira temporada de Jessica Jones já foram disponibilizados há alguns meses. Entretanto, pensando nas próximas temporadas e em lançamentos de séries que a narrativa se cruza com Jessica Jones e que possivelmente os públicos sejam o mesmo, será aplicado o Spoiler Alert. Esse termo é usado quando alguma fonte de informação, como um site ou uma pessoa, revela informações sobre um determinado conteúdo  sem que a pessoa já tenha conhecimento dele. As postagens que possuírem algum tipo de spoilers deverão possuir em seu título o Spoiler Alert, para que quem entre no link esteja ciente que naquele espaço haverá informações que podem revelar elementos importante sobre a história e que ela provavelmente ainda não sabe.

 

5. Seção sobre o Universo Marvel

Desde sua fundação em 1961, a Marvel investiu em inovação narrativa e na construção de universos interligados a partir de diferentes elementos – fossem personagens, eventos, tecnologias ou lugares. Desde a década de 1990, as histórias em quadrinhos eram complementadas por filmes, animações seriadas de televisão e jogos. Mas o projeto narrativo dos Estúdios Marvel foi transformado em 2008 com o lançamento de Homem de Ferro, a primeira de uma série de produções que fazem da Marvel um dos principais nomes da indústria do entretenimento a explorar a transmídia como importante ferramenta narrativa. Por essa razão, o site apresentará a seção “Universo Marvel”, na qual o usuário poderá acessar informações sobre os principais heróis, vilões, acontecimentos e equipes que formam o extenso MCU (Universo Cinemático da Marvel) a partir de sua relação com Jessica Jones, a principal referência na plataforma.

A seção “Universo Marvel” trará detalhes e informações sobre as séries interligadas e os personagens relacionados a Jessica Jones. Ao abrir a seção, o usuário se depara com uma “teia” de ícones interligados, sendo que cada ícone representa um personagem. Ao clicar em cada ícone a página abrirá um pop-up com as informações sobre aquele aspecto, seja um personagem ou uma série. Um aspecto crucial do texto é a utilização de hiperlinks que evidenciam a conexão entre determinado personagem com lugares, eventos e outros personagens, bem como sua participação em uma equipe ou organização. Clicar em um desses hiperlinks redirecionará o usuário para o texto correspondente ao título selecionado. Algumas conexões, porém, ainda não foram reveladas completamente, apenas sugeridas, e não podem ser exploradas em detalhe. Por exemplo, ainda não foi revelado como os quatro heróis dos Defensores – Jessica Jones, Demolidor, Luke Cage e Punho de Ferro – se reunirão na série da Netflix a ser lançada em 2017. As relações entre a teia serão reveladas à medida que a narrativa desse universo for explorada.

Finalmente, ressalta-se como a seção “Universo Marvel” aponta para o papel fundamental exercido pela continuidade e pela construção de uma mitologia ampla no processo de estímulo ao engajamento da audiência em um contexto transmidiático. As narrativas com potencial para serem expandidas e com diversas referências a outros produtos do mesmo universo motivam o público a revisitá-las e acessá-las repetidas vezes, a fim de “descobrir” novas relações e conexões, e a criar suas próprias produções que interpretem e reescrevam o texto primário.

Referências:

SOUZA, Ana Carolina Almeida. Transmídia Voraz: considerações sobre o fandom na contemporaneidade. In Vozes & Diálogo. Itajaí, v. 15, n. 02, jul./dez. 2016.

JENKINS, Henry. Textual Poachers: television fans and participatory culture. New York: Routledge, 1992.

MENARD, Drew. Entertainment Assembled: the Marvel Cinematic Universe, a case study in transmedia. Tese. Liberty University, School of Communication and Creative Arts, 2015, 118 p. Disponível em http://digitalcommons.liberty.edu/masters/354/. Acesso em 07/11/2016.

STEIN, Louisa Ellen. Fandom and the transtext. In The Rise of Transtexts: challenges and opportunities. Routledge, 2016. Disponível em https://books.google.co.uk/books?id=pc3mDAAAQBAJ&pg=PT64&lpg=PT64&dq=fandom+and+the+transtext+louisa+ellen+stein&source=bl&ots=kNXBZ1CAvR&sig=lXi7GsP8tFwGqgDXguA62YeOV3w&hl=en&sa=X&ved=0ahUKEwj7z8ODkZfQAhWIEJAKHQKWCxYQ6AEIGzAA#v=onepage&q=fandom%20and%20the%20transtext%20louisa%20ellen%20stein&f=false. Acesso em 24/09/2016.

 

Grupo

Júlia Alves, Luciana Lana, Matheus Muratori, Rodolfo Rezende, Thiago Fontes, Virgínia Siqueira

1 comment

  • Geane Carvalho Alzamora

    Oi pessoal,
    bom trabalho! Do ponto de vista do conteúdo, falta, em minha opinião, detalhar os aspectos metodológicos da análise transmídia tal como discutimos em sala de aula e utilizamos nos trabalhos anteriores. Falta também indicar as referências bibliográficas utilizadas. Em relação à proposta de experimentação, falta discutir como o engajamento social será relacionado a comunidades de fãs já existentes, como é o caso do Tumblr, por exemplo. Do ponto de vista da forma textual utilizada, é muito importante usar hiperlinks para evitar a barra de rolagem e, na medida do possível, utilizar recursos de linguagem que tornem a leitura mais ágil, como galeria de imagens, por exemplo.

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