Luz, câmera, ação!

Tem alguém na escuta? Avisa o pessoal que têm que fazer o credenciamento lá na entrada, avisa todo mundo! Licença, por favor, vamos passar com as araras de roupas. A atriz acabou de chegar, precisamos fazer a maquiagem. Sim, sim, a luz fica melhor aqui. Talvez um pouco de verde ali atrás, para realçar a cor da roupa. Deu tudo certo lá em cima? Parece que liberaram aquela passagem. Aqui, tenta fazer o movimento um pouco diferente, pra dar mais leveza. Vamos tentar de novo. Muda a luz, troca a roupa da atriz, repensa os movimentos: agora vai. Vamos lá? Acho que agora foi, foi? Foi! Bora, próxima!!!

Gravação do filme “Vai” para o Sesc Minas – Quarteto Filmes

Após publicarmos sobre o atendimento ao cliente e a produção de um filme publicitário, o terceiro post da série vai revelar um pouquinho de como funciona o set de filmagem da produtora Quarteto Filmes. O grupo acompanhou as gravações do filme “Vai” da agência Tom Comunicação para o Sesc Minas, que aconteceram ao longo dos dias 17 e 18 de outubro.

O processo se inicia alguns dias antes da filmagem, quando uma apresentação com roteiro, referências, storyboard, elenco, locação, arte, figurino e cronograma do filme é compartilhado entre os envolvidos no projeto. Essa apresentação tem como objetivo alinhar o conhecimento da equipe a respeito do trabalho, já que são muitas demandas e é importante que todos tenham uma noção abrangente do que os aguarda nos próximos dias.

Pensando na melhor logística de gravação para as cenas, é estabelecida uma ordem para cada dia de gravação. Essa ordem precisa levar em consideração tudo que fará parte do filme, além de prováveis situações que podem atrasar ou comprometer os trabalhos. Dentre as questões a serem consideradas temos a presença da luz do sol, horário do dia ou da noite, clima, cena externa ou interna, disponibilidade dos locais, deslocamentos, tempo para montar e desmontar sets e cenários, preparo da iluminação, trocas de figurino, retoques na maquiagem, ajustes no set e cenário para realização de novos takes, horários de alimentação, etc.

Gravação do filme “Vai” para o Sesc Minas – Quarteto Filmes

O filme “Vai” foi realizado em três locais: o Parque Aggeo Pio Sobrinho, o campus da UNIBH no bairro Buritis em Belo Horizonte e o Sesc Palladium, no centro da cidade. As cenas foram gravadas em diferentes partes de cada local, como o campo de futebol, a quadra, a piscina e a sala de ballet na UNIBH, além do teatro de bolso, o camarim e a sala multimeios no Sesc Palladium. Como os locais são distantes, houve grande deslocamento da equipe e equipamento, sendo que no primeiro dia foram feitas cenas no parque e na UNIBH e, no segundo, no parque e em seguida no Sesc Palladium.

No roteiro estavam previstas várias cenas externas, que foram organizadas para gravar nos horários da manhã ou da tarde para aproveitar a luz do sol e também uma cena noturna. Na hora de gravar um take utilizando a luz do Sol é preciso estar atento caso alguma nuvem o cubra. Se isso acontecer, é preciso ter paciência para esperar a nuvem passar antes de gravar e, caso isso ocorra durante um take, é necessário realizar outro quando o momento for propício. Durante a gravação de uma cena no estacionamento da UNIBH, também acompanhamos os esforços da equipe de produção para dar condições à realização das gravações em um ambiente com circulação constante de carros e alunos, ora pedindo para as pessoas passarem por um local fora do enquadramento, ora aguardando e guiando a passagem dos carros.

Para as cenas internas os equipamentos de iluminação foram utilizados para obter a luz correta na filmagem. Uma das cenas que acompanhamos envolvia uma iluminação mais complexa e para alcançá-la foi necessário cobrir as janelas do ambiente. Havia também um refletor lançando sua luz através de uma janela, sendo utilizada fumaça no local para atingir o efeito desejado com a luz. Por último, eram necessários cuidados com o posicionamento da equipe atrás da câmera, pois o cenário continha espelhos e seus reflexos não poderiam aparecer no filme.

 

No intervalo de algumas cenas conversamos com o diretor do filme, Tiago Alves, sobre sua função como diretor de um filme publicitário e as diferenças na realização de um filme desse tipo com um filme não-publicitário. “A grande diferença entre um diretor de publicidade para um diretor de cinema se dá na dramaturgia. A publicidade, por ser muito rápida, tem um tipo de dramaturgia muito específica: em um plano, você tem que colocar o maior número de informações possível.”

Através da experiência no set, podemos ver como as gravações de um filme são um gigantesco esforço de trabalho em equipe, onde cada um precisa executar bem suas funções de modo a somar no produto final e não afetar negativamente o trabalho de outro. Observamos também o esforço necessário para contornar e resolver problemas que surgem na hora, como a gravação em um set onde o controle ou interrupção do tráfego não é possível.

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