Multiplataformas e diversidade de personagens: a cobertura das Olimpíadas Rio 2016 feita pela Rede Globo

Entende-se por cobertura transmidiática a transmissão de um acontecimento que envolve a construção de uma narrativa feita em diversos meios, que se complementam e se expandem. Além disso, esse tipo de cobertura parte da ideia de uma participação do público na sua construção, a partir de contribuições.

Nesse sentido, a cobertura dos Jogos Olímpicos do Rio 2016 pode ser considerada transmídia? Essa é a questão que o nosso trabalho pretende responder e analisar. Você pode encontrar o ensaio analítico completo aqui.

Para isso, coletamos dados, informações e produtos mediáticos dos mais variados meios acerca da cobertura do Grupo Globosat tendo como base a metodologia desenvolvida por Gambarato e Tárcia (2016) e os tópicos de análise da pesquisa Russian News Coverage of the 2014 Sochi Winter Olympic Games: A Transmedia Analysis (GAMBARATO; ALZAMORA; TÁRCIA. 2016). Os dados foram coletados diariamente, com foco nas aparições de personagens marcantes e em como as extensões da transmissão da emissora oficial (canais de TV, aplicativos, sites e redes sociais) se comportavam, além de observar as interações do público com esses meios e a repercussão na mídia em geral dos acontecimentos.

A partir desse embasamento, procuramos tecer conclusões acerca da questão transmídia na cobertura do Grupo Globosat, com a orientação da professora Geane Alzamora.

Personagens

Analisando a cobertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro realizada pelo grupo Globosat, é possível identificar uma multiplicidade de personagens que ganharam destaque na mídia, em especial atletas com histórias inspiradoras de superação. Antes mesmo das competições dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro terem início, personagens já eram pautados pela mídia, como por exemplo Neymar, Usain Bolt e Michael Phelps. Eles eram aguardados com fervor pela imprensa e torcida por se tratarem de atletas mundialmente conhecidos e  vitoriosos em suas respectivas carreiras.

Na linha do tempo abaixo, selecionamos 16 personagens dentre os vários que marcaram os Jogos Olímpicos Rio 2016. Escolhemos aqueles que tiveram mais destaque e relevância nas mídias no decorrer das competições e aqueles cuja visibilidade envolveu polêmicas ou fatos singulares que despertaram discussões entre o público.

 

Extensões
A Globosat optou por uma cobertura dos Jogos Olímpicos com uma multiplicidade de plataformas, as quais o público podia acessar para saber dos últimos acontecimentos das competições. Essas plataformas muitas vezes veicularam conteúdos já existentes, adaptando-os para seus públicos. Em algumas mídias, entretanto, houve criação de conteúdo próprio, como no caso do Snapchat. O investimento do grupo da Rede Globo foi grande e a audiência respondeu à altura.

new-piktochart_896_1e69692d8391a8ce75713ee6b4b0d47975686845

Canal aberto Globo

Resultado de imagen para globo olimpiadas

Canal por assinatura SporTV

Resultado de imagen para sportv olimpiadas

Site GloboEsporte

capturar

capturar-3

Site Globo

capturar-5

Twitter GloboEsporte

capturar-1

Facebook GloboEsporte

capturar-4

Aplicativo GloboEsporte

capturar-8

Aplicativo SporTV

capturar-9

Snapchat

capturar-7

Conclusões

Os personagens tiveram destaque dependendo do contexto relacionado com suas aparições. A audiência, um dos personagens principais do evento, teve notável contribuição (por compartilhamentos e comentários no Twitter e Facebook, por exemplo) para que os outros personagens permanecessem ou não em alta. Essa relação entre os principais atores das Olimpíadas foi frequentemente mediada pelas plataformas em que a cobertura midiática ocorreu.

A escolha da Globosat pela multiplicidade de plataformas pode ser explicada pela diversidade de públicos da Olimpíada, já que cada mídia interage de forma única com o seu internauta. Observando a cobertura das Olimpíadas feita pela Rede Globo, é possível perceber que a expansão das histórias alcançou plataformas diferentes além da TV (um canal aberto e 16 pagos), como os sites, páginas do Facebook, perfis no Twitter e no Snapchat da emissora, além do aplicativo Globo Play, que continha o acervo dos melhores momentos dos jogos caso os espectadores desejassem o replay.

Percebe-se também a tentativa de estabelecer os princípios de imersão e inspiração para ação, propostos por Scolari em “Narrativas Transmídia – cuando todos los medios cuentan”, ambos através do aplicativo Snapchat. A Globo produziu conteúdos exclusivos para essa rede, como vídeos de bastidores e fotos e vídeos descontraídos dos atletas e jornalistas, mostrando um lado das transmissões que o público geralmente não tem acesso. Também disponibilizaram filtros e adesivos para que as pessoas pudessem colocar em seus registros do aplicativo, motivando a ação e permitindo o compartilhamento de diversos pontos de vista, o que agrega conteúdo às narrativas.

Essa cobertura multiplataformas permitiu que o público explorasse e buscasse o conteúdo em canais de comunicação diferentes, contribuindo para o aspecto transmídia. Além disso, percebe-se uma limitação na expansão das histórias. Os perfis no Twitter, por exemplo, apenas direcionavam o público para os links das matérias que estavam hospedadas nos sites dos programas, sem ocorrer a produção de um conteúdo independente nesta rede social. Mesmo limitadas, as narrativas jornalísticas elaboradas pelo Grupo Globo sempre prezavam por um padrão em relação ao tom e ao formato das publicações, além dos assuntos que seriam tratados ou não (conhecida por evitar assuntos polêmicos, a Globo não fez menção à traição de Usain Bolt com uma brasileira, por exemplo).

A característica da continuidade, também abordada na obra de Scolari, esteve presente na transmissão da emissora, como pode-se perceber em reportagens especiais sobre a vida de atletas medalhistas. A emissora apresentou o universo de cada atleta sobre diferentes aspectos, como carreira, vida amorosa, trajetória e lugar de origem, o que permite que o público tenha acesso a uma dimensão mais ampla desse personagem apresentado e mantenha sua atenção, além da demonstração de diversos pontos de vista a partir das pessoas próximas àquele atleta.

No entanto, a cobertura dos Jogos do Rio pela Globosat, apesar de apresentar características transmidiáticas, não conseguiu explorar todo o potencial transmídia das plataformas utilizadas, já que muitas vezes se limitou à adaptação semiótica dos mesmos conteúdos a diferentes canais. Com exceção do Snapchat, que recebeu investimento em conteúdos inéditos, como bastidores e entrevistas exclusivas nas competições, ampliando o universo dos Jogos Olímpicos para a audiência,  não houve grande esforço para produção de diferentes conteúdos para cada mídia nem uma convocação de fato para a participação do público, limitando-se ao convite à interação.

 

 

Grupo: Gabriela Teixeira, Marina Kan Mei, Micaela Rozo e Thaynara Amaral