Número de leitores no Brasil cresce, mas barreiras ainda são constantes

Os espaços e os livros das bibliotecas ainda estão presentes nos hábitos do leitores, assim como crescem projetos de incentivo à leitura

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Foto: Anna Alice Nogueira

“A verdadeira liberdade, encontramos na leitura de um bom livro que nos remete a lugares lindos e por vezes, distantes da realidade”. A frase do autor Gil Nunes pode parecer clichê, mas desde a alfabetização aprendemos que a possibilidade de entrar em contato com novas experiências sem precisar sair do lugar é uma das maiores vantagens da leitura.

No entanto, apesar de toda a bagagem que uma boa leitura pode oferecer, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro e divulgada em maio de 2016, mostra que o brasileiro continua a dedicar pouco tempo à leitura. A metodologia usada pelo estudo considera leitor aquele que leu ao menos um livro nos últimos três meses, o que representava 50% da população em 2011, e hoje 56%, ou seja, 105,7 milhões de brasileiros.

Leitura

Com uma média de leitura de 2,54 livros lidos em um trimestre, os entrevistados também responderam quanto à preferência sendo que 42% disseram que ler a Bíblia é um hábito, seguido por livros religiosos, contos e romances, todos 22%.

Apesar do crescimento do número de leitores, o hábito da leitura ainda apresenta barreiras. Quatro entre dez entrevistados apontaram que a falta de tempo é um dos principais motivos de não conseguirem ler o quanto gostariam. Outras razões também foram frequentes, como preferência por outras atividades, não terem paciência e não possuírem acesso à biblioteca. Em entrevista à Agência Brasil, o presidente do instituto, Marcos da Veiga Pereira, comentou sobre as dificuldades na difusão e ampliação da leitura.  “Tanto na educação quanto na área cultural, o investimento é muito grande e de longo prazo.Na escola você tem que ter um investimento no professor, na biblioteca escolar e no mediador de leitura. A gente precisa trazer esses programas, como o convívio com os autores”, sugeriu.

Biblioteca: ainda está em uso

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Foto: Anna Alice Nogueira

O estudo revela que 19% dos entrevistados utilizam as bibliotecas para ler e 18% dos livros lidos pertencem a esses locais. Funcionária da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, em Belo Horizonte, Isabella Albuquerque Gonçalves, analisa o fluxo de pessoas. “Eu acho que já teve mais pessoas visitando a biblioteca antes, principalmente quando não era tão comum fazer pesquisa pelo computador ou ler livros online. Porém acho que vem muita gente na biblioteca. Muitas escolas fazem visitas e quando os alunos veem, eles ficam muito curiosos, mas eu não sei se eles voltam depois”, explica.

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Foto: Anna Alice Nogueira

Projetos de leitura

Apesar dos baixos resultados apresentados pela pesquisa, nos últimos anos tem havido uma reação de parcelas da população com o objetivo de mudar aos poucos essa realidade. Um exemplo disso é o projeto Ponto do Livro, que nasceu em Belo Horizonte e completou três anos recentemente.

Reprodução Facebook/Ponto do Livro

Reprodução Facebook/Ponto do Livro

O projeto consiste, basicamente, em disponibilizar postos de compartilhamento e troca de livros em diversos pontos de ônibus na cidade. A ideia do Ponto do Livro cresceu e um aplicativo para celular foi lançado no início de 2017. A ambição pela popularização da leitura se intensificou e agora o objetivo maior do projeto é materializar a ideia de criar a maior biblioteca colaborativa do mundo através do aplicativo Open Shelf.

No Distrito Federal a população também tem se beneficiado através do projeto “Geladeira de Livros” criado pelo educador Lucas Rafael. A ideia surgiu através do contato direto do professor com a carência dos hábitos de leitura por parte dos alunos, somado ao costume do próprio educador de guardar livros em uma geladeira inutilizada. A partir daí, o resto foi apenas a “mão na massa” para tornar o projeto real.

Esses são apenas dois de vários projetos existentes que estão diretamente relacionados com a vontade de tornar a leitura uma prática mais presente na vida dos brasileiros. No entanto, para que haja uma mudança notória dos números apresentados na pesquisa, é preciso que haja um esforço também por parte do cidadão.

Grupo: Anna Alice Nogueira, Bruna Martins, Gustavo Moreno, Isabela Freitas e Vítor Gomes.