#ordemeprogresso

A hashtag, termo usado como palavra-chave de conectividade na internet, tem se mostrado, de certa maneira, um dos elementos mais importantes na comunicação virtual. Geralmente utilizadas para categorizar assuntos discutidos nas páginas da web, elas podem ou não conter hyperlinks, que constituem termos clicáveis que conduzem a outra página da Web. De qualquer maneira, elas criam agrupamentos variados de acordo com o assunto ao qual se relacionam.
Tal formação de redes permite que determinados estudos sejam realizados com o escopo de visualizar relações entre os indivíduos. Seja ao aplicar critérios qualitativos, seja ao utilizar critérios quantitativos, é possível verificar distintos agrupamentos que geram determinado significado àquele que se propõe a analisá-los.
Assim, nosso trabalho possui como objetivo comparar certas redes de interações criadas a partir do uso do termo #ordemeprogresso, no período de 09 a 17 de maio, utilizado nos sites Twitter e Instagram, coletado através dos programas Tableau e Gephi.
Ressaltamos aqui que o uso da hashtag escolhida mostrou significativo aumento a partir do dia 12 de maio, data em que o afastamento da presidente Dilma Rousselff foi aprovado pelo Senado Federal, principalmente usada pelos opositores ao governo petista.

Na primeira visualização proposta, vê-se abaixo uma rede de hashtags. A rede é entendida aqui como um conjunto de interações entre diversos atores humanos (internautas) ou não-humanos (robôs). No Twitter, foram identificados 239 nós para 670 arestas, ou seja, foram utilizadas 239 hashtags para um número total de 670 combinações entre elas.
Referenciando a nossa análise pela popularidade das hashtags no Twitter e as diferenciando na visualização pelo grau mínimo de 4 e máximo de 30, é possível observar o protagonismo central da hashtag #ordemeprogresso. Junto a ela, se associam várias outras. As que aparecem muito próximas a esse núcleo, concentradas apenas em torno da hashtag #ordemeprogresso foram combinadas apenas com essa tag e não conseguiram constituir uma subcontrovérsia a partir de uma controvérsia maior. Outras hashtags conseguiram, através do seu uso mais frequente, constituírem núcleos independentes e criarem fóruns de discussões alternativos. É o caso das hashtags #Brasil, #lulanacadeia e #tchauquerida, que aparecem, em destaque, junto a tag principal, no grafo abaixo.

imagem1ordemeprogresso

 

Grafo 1 – #Ordem e Progresso aparece em destaque (verde escuro). #Brasil ficou em segundo lugar, por fim, #lulanacadeia e #tchauquerida.

 

Ao analisar a planilha de hashtags.csv, é possível perceber o número de vezes em que uma determinada hashtag foi usada por usuários distintos. De acordo com o grafo abaixo, temos #ordemeprogresso em primeiro com 577 menções, #tchauquerida em segundo com 34 e #brasil em terceiro com 29. #lulanacadeia só aparece na sétima posição com apenas 21 menções. Conclui-se que essas tags (#brasil e #lulanacadeia) foram usadas mais vezes por um mesmo usuário, e por isso apresentaram graus maiores na visualização do Gephi acima.
Abaixo, temos a visualização das hashtags em relação ao seu uso por usuários distintos.

A segunda visualização foi constituída pelos seguintes critérios no programa Gephi em relação ao Twitter: Modularidade (parâmetro que mostra o quão bem determinada a rede de usuários está estruturada em relação à comunidade a ela relacionada),conforme padrão 1.0 do programa. Foram qualificados 3 grupos diversos através da diferenciação pelas cores, o vermelho, o amarelo e o azul. No primeiro grupo, vermelho, identificamos que a hashtag central é #ordemeprogresso, já no grupo amarelo , destaca-se a #brasil, o último, azul, por sua vez, destaca a hashtag #forapt.
Por esses três grupos em relevo, percebemos em vermelho (43,51% da rede) o agrupamento em torno da hashtag central, predominantemente por tweets favoráveis ao impeachment e que usam a popularidade da hashtag para disseminar mensagens de apoio ao novo governo. O segundo grupo (10,46% da rede), em amarelo, apresenta um caráter nacionalista, com mensagens que indicam que um novo momento está por vir no país, já o grupo em azul (10,46% da rede), leva a questão para uma discussão partidária e comemora a saída do governo petista.

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Grafo 3 – Em vermelho, o agrupamento em torno da hashtag #ordemeprogresso, em amarelo, #brasil e em azul, #forapt

Notamos que 239 hashtags foram usadas para uma rede com 670 arestas. A maioria das hashtags foi usada apenas uma vez. Ou seja, as hashtags não apresentaram relações tão próximas. Tal número permite concluir que a rede de hashtags usadas nos tweets não se configurou como densa. Por isso, a decisão de considerarmos apenas os três grupos na aplicação da modularidade. Caso fossem considerados mais grupos, os tweets agrupados pela modularidade poderiam não ser tão importantes ao nosso objetivo de análise.
Ao comparar visualizações do Gephi e a do Fusion Tables (ambas referentes ao Twitter), notamos que o Gephi não considera repetidas combinações de hashtags, ou seja, se uma mesma dupla de hashtags for utilizada mais de uma vez, ela será considerada apenas uma vez. Tenta-se, assim, excluir possíveis “robôs”, permitindo uma análise mais qualitativa. O fusion tables faz uma análise quantitativa ,considerando as inúmeras combinações repetidas de hashtag, conforme mostra o link abaixo:

Pelo fusiontables, temos a emergência de hashtags que não tinham a mesma relevância nas visualizações obtidas pelo Gephi. Hashtags como #atencaocristaos, #endireitacnbb, #stfbolivariano aparecem em destaque  por causa de um único usuário, que as utiliza com muita frequência em seus tweets. O comportamento peculiar do usuário @franscodeamorim, conforme exemplo abaixo, faz com que a rede, analisada de um modo quantitativo, sofra grandes alterações.

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Print 1– comportamento peculiar do usuário @franscodeamorim

O Gráfico visualizado abaixo, através do programa Tableau, foi feito com o objetivo de identificar os 20 tweets mais retwetados entre os dias 09 e 17 de maio. Essa delimitação permite observar quais tipos de mensagens estavam entre as mais retwetadas e quais eram os usuários com mais força de participação e influência na rede. O tweet mais retwetado (ver print 2), com 27 retweets, foi o do usuário @thepatricao, que apoiava o impeachment. Porém, o segundo mais retwetado, com 12 retweets, foi o do usuário @RDSaraceno, que usou a hashtag em tom de crítica ao contexto político atual. Logo percebemos a formação de um fórum híbrido de discussão, pois a hashtag, por mais que tenha sido amplamente utilizada pelos grupos que apoiam o novo governo, também foi utilizada por usuários que eram contra.
No entanto, pela tabela com os retweets, percebemos  que ela foi usada majoritariamente pelos grupos entusiastas de Temer. O usuário @thepatricao, que usava a hashtag para apoiar o novo governo, possui grande influência na rede. Dos 20 tweets mais retwetados, 5 são deste usuário. Apenas dois dos tweets eram contra Temer, e ambos do mesmo usuário: @RDSaraceno.

Print 2 – Tweet mais retwetado no período de coleta

O gráfico abaixo representa a intensidade do uso da hashtag em relação ao período de coleta (09 de maio a 17 de maio). Interessante observar que mesmo antes da concretização do Impeachment e da definição do novo slogan do governo, a hashtag já era utilizada. O seu maior uso, porém, conforme exemplificado no gráfico, foram nos dias que sucederam a votação do Impeachment no Senado, com destaque para o dia 12 de maio (quinta feira – dia do final da votação pelo Senado e da definição por Michel Temer de que esse seria o slogan oficial do seu governo.)

Na rede gerada a partir do Instagram, percebemos dispersão bastante significativa. Foram determinados 28.529 nós para 486.038 arestas. A imagem abaixo exemplifica a visualização da rede. A rede mostra-se extremamente densa, sendo que a distribuição escolhida foi Force Atlas 2, que é um layout que favorece a espacialização visual da rede relacionada às associações entre os perfis (D’ANDREA, 2014, p. 7).

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Entre as tags usadas no Instagram, destacam-se #ordemeprogresso (12724), #Brasil (6444) e #Brazil (2653). Ao tentarmos aplicar a modularidade, o programa travou por falta de memória suficiente no computador utilizado. O grau (relacionado ao número de vezes em que a hashtag foi mencionada) foi considerado como mínimo de 4 e o máximo de 100. Cada cor representa o número de vezes que a hashtag foi utilizada. O rosa indica que a hashtag foi usada apenas uma vez.
Foram identificados 12913 posts, que geraram um total de 28529 hashtags (nós) e 486038 arestas, que são as combinações entre essas hashtags. Se compararmos com a rede gerada a partir do Twitter, notamos que as combinações feitas no Instagram são mais numerosas e envolvem uma diversidade maior de hashtags. Por isso a rede é mais dispersa, menos concentrada e congrega hashtags mais variadas.
Apesar do grande número de hashtags, a maioria é usada uma única vez. Isso representa a grande capilaridade da rede no Instagram. Por isso, a cor rosa destaca-se no gráfico. Do total de 28.529 hashtags, 20.570 (72,21%) são usadas apenas uma única vez (cor rosa), 3.332(11,68%) usadas duas vezes apenas (cor verde) e 1.363 (4,78%) usadas três vezes (cor azul). Tal caracteristica, acreditamos, torna rede do Instagram tão numerosa e diversa

Abaixo a visualização pelo Tableau das 20 hashtags mais mencionadas no Instagram. Percebe-se um número bastante elevado em relação a rede gerada no Twitter e hashtags que surgiram por uma dinâmica própria da rede no Instagram, como por exemplo, #flag, #worldcup, e #love.

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