Por detrás do sexo

Embora ainda seja coberta por tabus e falada por poucos, a prostituição é uma atividade que, mesmo sendo alvo de preconceitos, é exercida por um número considerável de pessoas. De acordo com a Havoscope, existem 13.828.700 indivíduos em situação de prostituição em todo o mundo, incluindo homens, mulheres e crianças. No Brasil, estima-se que a atividade é exercida por aproximadamente 1.500.000 pessoas e, sua grande maioria é composta por mulheres, que além de prostitutas são também conhecidas como profissionais do sexo ou garotas de programa.

Estudos realizados em 2002 pela Fundação Mineira de Educação e Cultura (FUMEC) e disponíveis na ONG Marias apontam que, 28% das mulheres que se prostituem não possuem emprego e outros 55% se prostituem para sustentar a família. Já quanto à escolaridade, 45,6% possuem o ensino fundamental completo e 24,3% não concluíram seus estudos do ensino médio.

Mesmo não sendo regulamentada, desde 2002  a prostituição é reconhecida como uma profissão pelo Ministério do Trabalho. Entretanto, em 2012, a profissão passou a ganhar uma visibilidade maior e a regulamentação se tornou mais próxima com o resgate do projeto de lei Gabriela Leite. O projeto tem como objetivo regulamentar a profissão, considerando profissionais do sexo indivíduos acima de 18 anos, e minimizar a marginalização sofrida pelas garotas de programa cisgênero e transexuais (mulheres ou homens) fazendo mudanças no Código Penal. Se o projeto for aprovado, as alterações tornariam rufianismo (cafetinagem) e exploração sexual atividades ilegais, e se não exercerem a exploração sexual, e oferecerem condições de trabalhos dignas, as casas de prostituição estariam dentro da legalidade, permitindo que as prostitutas trabalhassem como autônomas ou em cooperativas. O projeto de lei também ofereceria às profissionais do sexo o acesso à benefícios previdenciários como aposentadoria especial.

Confira o projeto de lei Gabriela Leite aqui.

Além do projeto de lei, há outros recursos que estão sendo utilizados para auxiliar  o exercício da prostituição. A fim de recepcionar estrangeiros na Copa do Mundo de 2014, diversas profissionais do sexo participaram dos cursos de inglês oferecidos em Belo Horizonte. Ainda na mesma capital, as prostitutas estão recorrendo ao microempreendedorismo, aceitando o pagamento de programas via cartão de crédito, em virtude de uma parceria da Aprosmig – Associação das Prostitutas de Minas Gerais com a Caixa Econômica Federal.

Mesmo sendo considerada por muitos estudos como uma das profissões mais antigas da sociedade, a prostituição vem claramente se adaptando e modernizando frente aos cenários atuais. Uma prova disso é a entrada cada vez maior das profissionais do sexo na internet, investindo em um marketing mais sofisticado de seus serviços por meio de plataformas online de relacionamento. Agora o cliente pode conhecer os programas por meio de sites disponíveis para computadores, notebooks, smartphones e tablets.

 

Este trabalho foi produzido por Helena Antunes, Letícia Lopes, Pedro Pereira e Thaís Henriques para a disciplina Processos de Criação em Mídias Digitais.

Planejamento da reportagem transmídia final. 

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