Rede Minas – Como funciona uma emissora pública de TV?

Quando estamos no conforto de nossos lares e assistimos à programação televisiva disponível, dificilmente imaginamos como tudo aquilo é preparado até chegar aos nossos olhos. O que deixamos escapar inconscientemente é que, ainda que tudo pareça mágico na TV, o background das produções é mais complexo do que imaginamos. São diversas as áreas envolvidas na produção de um único programa, seja ele um programa diário, semanal ou até mesmo de exibição única ou pouco frequente. Mas, se para a produção de um único programa já é complexo, imagine o funcionamento de uma emissora como um todo? E é sobre essa riqueza de aprendizados e vivências que falaremos ao longo do semestre, e para isso contamos com a ajuda da Rede Minas de Televisão, que abriu suas portas para nós.

No post de hoje nossos olhares estão voltados para um apanhado geral sobre o funcionamento de uma emissora pública, alguns dos processos envolvidos na rotina da instituição e alguns dos desafios que a mesma enfrenta diariamente, e para essa conversa fomos recebidos pelo Chico, pelo Kiko e pela Simone, representantes tanto da área de produção quanto de jornalismo da emissora.

 

Mas antes de tudo, um pouco de história

A Rede Minas de Televisão, ou Rede Minas, que recentemente mudou sua localização para o bairro Barro Preto, em Belo Horizonte (MG), foi fundada por Tancredo Neves em 1984, sendo caracterizada como uma “emissora pública e educativa com o objetivo de potencializar o intercâmbio de valores, educação e cultura para a população, por meio da produção e veiculação de programas de televisão de interesse público” (Fonte: Site da Rede Minas).

Sendo hoje a terceira maior TV Pública do Brasil, presente em mais de 765 cidades em Mina Gerais e a que mais produz conteúdos inéditos, a Rede Minas integra o grupo de emissoras públicas com a missão de levar cultura, educação e valores através da TV Aberta, junto à TV Brasil (DF) e a TV Cultura (SP).

A emissora que antes se tratava de uma fundação pública está em processo de se tornar uma Empresa Mineira de Comunicação. Esse processo está acontecendo aos poucos, mas muito já fora realizado. Como parte disso, a emissora agregou todos os seus departamentos em um único prédio, e também se uniu à Rádio Inconfidência, conseguindo possuir influência na produção televisiva (jornalística ou de entretenimento) e na rádio.

A emissora que possui um rico acervo de programas, está em processo de digitalização dos mais antigos, além da busca pela inovação e pela produção de conteúdo relevante para o público interessado.

 

A programação

A riqueza da emissora não está somente em seu acervo de programas antigos, mas na sua própria agenda atual. Com uma programação rodando 24 horas por dia, a emissora possui um incrível conjunto de programas diários para os mais variados públicos. Dentro dessa variedade de conteúdo, a Rede Minas trabalha, no geral, com dois tipos de produção: a primeira delas se refere à produtos comprados (filmes, séries, etc.) ou recebidos a partir das parcerias com outras emissoras (como matérias jornalísticas ou entrevistas), enquanto a segunda refere-se à conteúdos originais, e principalmente, produções regionais.

Além disso, sua agenda também pode ser dividida em dois segmentos: primeiramente se encontra a programação fixa, como a de conteúdos jornalísticos. Para essa programação, são feitas gravações e preparações constantes, categorizando produtos diários ou semanais. Já em outra instância estão os conteúdos especiais. Estamos falando dos conteúdos que possuem uma preparação distante da data de exibição, sendo gravados para irem ao ar apenas durante certo período de tempo. Ou seja, programas que vão ao ar raramente, ou com pouca frequência.

 

Um desafio chamado orçamento

Com uma programação indo ao ar 24 horas por dia, fica difícil imaginar que o orçamento da Rede Minas é um tanto quanto baixo. Mas é justamente isso que acontece. Durante a nossa conversa com alguns dos representantes da Rede Minas, um dos principais desafios apontados recebe o nome de “baixo orçamento”. Com uma quantidade de recursos reduzida, menores que a da TV Cultura, por exemplo, a Rede Minas precisa dar conta de criar produções relevantes e de boa qualidade, o que é um grande desafio.

Os profissionais que ali se encontram possuem uma rotina bastante agitada e complexa, simplesmente não dá para parar. A ideia é que, ainda que com um baixo orçamento, tudo seja aproveitado ao máximo, a fim de oferecer a qualidade que eles tanto prezam.

Mas aí a gente se pergunta, e a publicidade? Por que não gerar renda com propagandas? Acontece que por se tratar de uma emissora pública, a publicidade com intuito de vendas não é permitida. Sendo assim, as estratégias de marketing estão sempre voltadas apenas para o lado institucional. No entanto, existe uma dica para quem trabalha na área e pode se deparar com um desafio como esse. Se você tem interesse em trabalhar na área da produção audiovisual, seja ela jornalística ou não, tenha em mente que a vivência é crucial. Esteja no local onde a história acontece, e tenha a mente aberta para descobrir personagens tão ricos e interessantes quanto o protagonista de sua história, capazes de lhe render matérias ainda melhores e mais completas.

 

O post de hoje tem como intuito mostrar uma visão um pouco mais superficial da rotina de uma emissora pública de TV. No entanto, ao longo do semestre, traremos mais e mais informações, para destrinchar ainda mais o que está no background da mágica da televisão.

 

Ana Carolina Vaz, Débora Maia, Jhonathann Gomes, Mateus Henrique Machado e Victor Oliveira

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