Rede Minas | Roteirização e o Programa Humanidades

No último post, falamos um pouco sobre o Marketing na Rede Minas e de como é feito o conteúdo que vai para a web, desta vez, para finalizar a segunda etapa de ações em conjunto com a emissora, vamos falar um pouco do processo de Roteirização e também de algumas novidades que estão para chegar na emissora. Para conversar sobre roteirização, nos receberam a Simone Rêgo e o Marcos, que nos mostrou na prática a sua função.

 

Trajetória e Rotina de um Roteirista

 

O primeiro contato foi feito com a roteirista e graduada em Rádio e TV pela UFJF, Simone Rêgo. Durante a conversa ela nos contou um pouco de sua trajetória, que mostra bastante sobre o perfil geral de um roteirista. Ela, que passou um período escrevendo roteiros em São Paulo, teve sua porta de entrada na Rede Minas quando foi convidada para escrever o programa Dango Balango, um programa infantil de bonecos que é transmitido pela Rede Minas e também pela TV Brasil. Simone também nos conta que o trabalho de roteirização na emissora é todo dividido entre ela e o Marcos Maia. Segundo ela , eles são responsáveis por criar desde o projeto do programa a todos os capítulos da temporada.

Já o nosso contato com o Marcos Maia foi um pouco mais prático. Formado em Publicidade e concursado, Marcos, antes de se tornar parte da equipe da Rede Minas, escreveu roteiros para histórias em quadrinhos (HQs) em São Paulo. Ele conta que a sua decisão de se integrar à emissora se deu ao fato de acreditar que, por se tratar de uma TV Pública, ele encontraria um lugar aberto à novas ideias e conteúdos.

O roteirista também nos mostrou um pouco da estrutura dos roteiros, que variam muito de acordo com o programa. Enquanto alguns o roteiro comporta apenas a temática de cada episódio, outros são muito mais completos e detalhados, incluindo, por exemplo, trilha sonora, marcações de tempo e outros detalhes. Como é o caso dos planos. Segundo ele, esses elementos não são estruturas imutáveis, e que no final é o diretor quem decide se vai ser utilizado ou não. Quanto aos roteiros mais simples, eles são criados normalmente no começo do projeto, enquanto o programa ainda está em fase de pré-produção, e depois ele vai se tornando cada vez mais detalhado e rico.

 

A Roteirização

 

Conversamos bastante com os dois, e após nos terem contado um pouquinho sobre suas trajetórias e inspirações até se tornarem membros da Rede Minas, Marcos e Simone nos explicaram procedimentos de rotina no ambiente da Redação. A primeiro momento, pudemos ver de perto os rascunhos e documentos finais dos roteiros de alguns programas bastante reconhecimento, como é o caso do programa Mulhere-se, que é apresentado e defendido com orgulho pelos funcionários como primeiro programa feminista da televisão brasileira.

Quando questionada sobre questões básicas para ser um bom roteirista, Simone ressaltou inúmeras vezes que para isso é necessário pesquisa. Segundo ela, o profissional deve conhecer e dominar o assunto – principalmente em uma emissora onde seus valores se fundamentam na distribuição de conteúdos educacionais e culturais. Mas a pesquisa está longe de ser algo “chato” na profissão. A roteirista nos conta que isso, na verdade, torna o trabalho ainda mais interessante para os profissionais do ramo, que ficam envolvidos em um ritmo constante de aprendizado das mais diversas áreas do conhecimento – da mecânica de carros à artes artesanais, por exemplo. Outra questão importante abordada por ela é a análise de programas de terceiros, em especial aqueles que veiculam no mercado estrangeiro, tendo em vista que podem e irão ajudar no melhor desenvolvimento de uma ideia ou conteúdo para um programa.

Além disso, ao longo de nossa conversa, foi frisada a importância de se roteirizar todas as produções da emissora, antes que seja feita a gravação dos programas. Isso tem como objetivo evitar a falta ou desperdício de material no momento da Edição. O exemplo dado (já citado anteriormente) foi o programa que trouxe Simone para a Rede Minas: Dango Balango. O programa de bonecos que foi e continua a ser exibido pela Rede Minas (E TV Brasil), somente era liberado para a produção após passar por um cuidadoso processo de roteirização de todos os episódios da temporada, o que levava pelo menos dois meses de dedicação especial por parte do time de roteiristas. Mas como eles mesmos disseram, um bom programa é aquele planejado com antecedência.

Devido ao fato de que muitos dos programas são gravados externamente – como entrevista e/ou documentários – faz com que a equipe de Roteiro precise se acostumar a lidar com o famoso desapego. Apesar da roteirização ser um trabalho criativo – e que, nem por isso, deixa de seguir diretrizes -, Simone e Marcos afirmam ter consciência de que seus roteiros não são imutáveis, e que, em momentos posteriores da cadeia de produção, outros profissionais podem fazer modificações, o que não deve ser enxergado pela Roteirização como uma afronta ou algo semelhante. Adaptações são, muitas vezes, necessárias para que os produtores se ajustem à realidade em campo. Além disso, documentários e entrevistas, ainda que sigam uma temática específica, não são constantes matemáticas. Portanto, podem variar daquilo que foi previsto. Por esse motivo, o trabalho de roteiro acontece durante as pré-gravações e, também, durante as pós-gravações, quando a equipe analisa as informações coletadas e traça um roteiro ideal que será encaminhado aos editores.

 

Humanidades

 

Durante a Reunião de Pauta  (da qual já falamos aqui), tivemos a oportunidade de criar um primeiro contato com uma das novidades que entraram para a agenda da Rede Minas, e agora tivemos a honra de participar de uma reunião específica para esse projeto: o programa Humanidades. Encabeçado por Marcos, Simone e Sabrina, o programa filosófico que, visa aproximar o público à Filosofia de maneira natural e descomplicada, está nascendo graças à sugestão desses três funcionários que notaram um espaço não explorado na televisão – e além dela – para esse tipo de conteúdo.

O Humanidades, cuja previsão para seu lançamento oficial é Fevereiro de 2018 – embora já esteja fazendo parte da interprogramação da emissora -, tem como objetivo levar ao público discussões relevantes, sem que sejam apresentadas conclusões deterministas acerca do que é Filosofia, diferente da maneira como, muitas vezes, acontece em sala de aula.

A roteirização tem sido parte essencial do planejamento do programa, sem a qual a ideia não se sustentaria. Marcos nos revelou que essa cultura de valorização do roteiro é bastante atual e inovadora dentro da empresa. Essa visão de novidade está presente, também, em todo o pensamento que fundamente o programa Humanidades, desde a maneira como os roteiristas – que serão, também, apresentadores, a fim de unir suas diferentes formações e visões para somar à pluralidade do projeto – pretendem distribuir o programa em plataformas transmidiáticas, até a maneira coletiva e interdepartamental na produção escolhida para tirar a ideia do papel. Humanidades é um programa para todo mundo, e também feito por todo mundo.

Com o post de hoje, fechamos a segunda etapa de nossas ações com a Rede Minas. Muito já foi aprendido, e muito ainda será. Então fica de olho que logo mais disponibilizaremos novos conteúdos acerca de nosso projeto.

 

Ana Carolina Vaz, Débora Maia, Jhonathann Gomes, Mateus Henrique Machado e Victor Oliveira.

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