A greve dos Correios

DESENVOLVIMENTO +

[ Descrição do processo ]

Pauta [caída]: Na avenida, vendo a Terra de cima

Reportagem de: Camila Braga, Clara Novais, Gustavo Rezende, Sylvia Chequer e Taiane Dantas

 

Primeiramente, é necessário esclarecer a substituição da pauta anterior por uma nova. Ao chegarmos na avenida Afonso Pena na manhã da segunda-feira, dia 30 de setembro, nos deparamos com homens que retiravam as fotografias da exposição das grades do Parque Municipal. Enquanto esperávamos o restante do grupo chegar, nos sentamos na escadaria dos Correios, e de lá percebemos que as pessoas não paravam para notar os quadros. Entendemos como uma razão para isso o longo período pelo qual as fotografias estiveram expostas; grande parte dos pedestres passa por aquela avenida todos os dias e já havia tido ocasiões suficientes para notar e apreciar a obra exposta. Somando a isso a retirada dos quadros, optamos por mudar nossa pauta para uma situação que pedia muito mais atenção naquele local, naquele instante.

Das escadas do prédio dos Correios acompanhamos a deflagração da greve dos servidores da empresa estatal. Durante o despretensioso ato de esperar os colegas, presenciamos a agitação dos grevistas e testemunhamos discursos inflamados. Concluímos, então, que fazia todo sentido registrar o que acontecia ali.

Um dos funcionários e líderes da greve se colocava de frente para os colegas, de costas para a avenida, e usava um microfone para manifestar as insatisfações da categoria com a empresa e com o Governo. Ele não só falava palavras de ordem, mas levantava um histórico dos trabalhadores e da empresa, mencionava situações vividas pelos funcionários e etc. Passamos a gravar o aúdio desse pronunciamento e tirar fotos dos trabalhadores sentados nas escadas, dos cartazes e das pessoas que passavam.

Em determinado momento, o mesmo líder que começamos a gravar veio até nós, com simpatia e simplicidade, perguntar quem éramos e o que fazíamos. Explicamos que se tratava de um trabalho para a faculdade, e ele, por sua vez, se desculpou dizendo que alguns colegas estavam desconfiados da nossa presença porque seria uma política da empresa infiltrar pessoas para tirar fotografias comprometedoras de funcionários em greve. A partir desse momento, percebemos que alguns grevistas tampavam os rostos quando nossa câmera se voltava para eles e trocavam comentários entre si.

Continuamos agindo com naturalidade, conversamos com alguns dos funcionários, de forma a esclarecer o porquê de nosso interesse pela greve e tranquilizá-los. No entanto, depois de algum tempo, o mesmo homem voltou a nos interpelar e pediu, se desculpando, para mostrarmos nossas identificações, se pudéssemos. Nós apresentamos nossos comprovantes de estudante, conversamos sobre Ditadura Militar, censura, greve e manifestações com o homem e logo decidimos encerrar a “cobertura” da greve, dando fim também ao sutil mal estar que causávamos.

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