Somos ciborgues – Sem coração até vivemos, sem a tecnologia não

Augusto Leão

Com o passar do tempo têm se tornado cada vez mais nítida a dependência do Ser Humano para com as novas tecnologias, o homem têm se tornado um legítimo Ciborgue. Seja para melhorar a qualidade de vida, facilitar o dia a dia, ou até mesmo como uma maneira de entretenimento, nos encontramos de vez em sempre dependentes de tudo que o tecnológico têm a nos oferecer, seja um transplante que vai possibilitar que continuemos com vida, ou um Smartphone que nos tirará do tédio e facilitará nossa comunicação em momentos delicados.

Donna Haraway ao afirmar que somos todos ciborgues apenas afirma o que mais temos tido certeza ultimamente, deixamos de ser humanos, aos poucos a tecnologia vai fazendo parte de nós e vamos virando máquinas humanas.

Digamos que não é possível falar biologicamente de um ser que não é mais apenas biológico, nos dias de hoje temos relatos até mesmo de pessoas que viveram meses sem um coração, apenas alimentadas por uma máquina. De fato a qualidade de vida não era a mesma, e que isso muito ainda vai evoluir, mas se já chegamos a esse ponto, a verdade é que ainda iremos muito além. O certo a se dizer é que sem coração o homem até vive, mas este não é nada sem a tecnologia.

Redes sociais diversas, objetos tecnológicos de última geração, e a rendição do homem a um mundo inimaginável. Um universo onde um teclado fala mais que a oratória, uma nova vida em que uma tela torna-se de tamanha importância para o sucesso de tais ações que esta vira a maior aliada dos seres, um mundo vigiado por câmeras que ditam as leis do certo e errado, levando a julgamentos todos esses vigiados 24 horas por dia, em quaisquer situações.

O homem não mais é livre, é refém da máquina, é dependente de um mundo tecnológico. Este deixa rastros por onde passa e muitos não tem noção do quão preocupante isto é. O homem-ciborgue se expõe, se condena, e faz do seu mundo um verdadeiro jogo de vigilância. Seja através de uma postagem não muito significativa para si mesmo nas redes sociais, que na verdade tem um valor imenso para quem quer lhe controlar, ou até mesmo através das trilhões de câmeras que o mesmo acaba usando na tentativa de usar a seu favor, mas que nem sempre assim se faz.

Perdemos o controle de nossa vida quando achamos que esse justamente estava em nossas mãos. Entregamos esse controle a alguém que nem nós mesmo sabemos quem é, e o deixamos flutuando pelas nuvens do mundo online, onde mal sabemos o que pode ser ou não usado contra nós. Enquanto isso continuamos reféns de 280 caracteres no twitter, textões no facebook, vídeos e fotos momentâneas no instagram, e de uma falsa ilusão que isso nada influenciará em nossa vida se um dia precisarmos provar algo a favor de nós mesmos, num instante de julgamento. Afinal, nós não somos 100% máquinas, e estamos, infelizmente ou não, fadados a cometer erros.

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