The Walking Dead – Proposta de Jogo

A análise transmidiática da série norte-americana The Walking Dead se justifica pelos elementos que a produção criou e pelo engajamento dos seus fãs em torno dos produtos midiáticos gerados a partir dela. O objetivo maior da campanha transmidiática de The Walking Dead é a própria manutenção da atenção do público pela série e pelo tema em geral. O que apresentaremos a seguir é uma análise das ações planejadas para essa manutenção citada e uma sugestão de ação focada, principalmente, no lançamento da 7ª temporada, que será em outubro de 2016.

O que é transmídia?

A transmídia é um fenômeno que apresenta o transporte de informações por diversas plataformas de comunicação. Durante esse processo, em cada um das plataformas, o conteúdo é acrescido de mais informações e ganha as especificidades de cada meio. É muito importante lembrar também que, de acordo com Henry Jenkins – um dos grandes nomes da pesquisa sobre transmidiaticidade – para ser considerado transmídia, deve haver o engajamento do público. A busca por mais informações e interatividade com pessoas que possuem interesses em comum gera essa relação entre os públicos.

A série

A empresa que originou a série televisiva em 2010 foi a estadunidense AMC. A serie foi distribuída pela Fox International Channels para outros países onde não existe a cobertura da AMC e ambas as empresas têm parcelas sobre os direitos autorais do programa.

A estreia aconteceu em 2010 e é uma adaptação de uma história em quadrinhos que se passa em um cenário pós-apocalíptico, quando uma doença misteriosa faz com que os humanos infectados se transformem em mortos-vivos. O protagonista Rick Grimes é um Xerife que estava em coma e, quando desperta, encontra o mundo infestado de zumbis, e sai em busca de sua esposa, Lori, e seu filho Carl. A história acontece em Atlanta e, com o passar dos episódios, diversos personagens morrem e novos são apresentados como, por exemplo, Carol, Hershell e Michonne, que ganham grande destaque com o tempo. O foco da série passa a ser a sobrevivência dos personagens, os problemas que surgem entre eles e a própria natureza humana.

Podemos mensurar o sucesso da série quando a estreia do primeiro episódio chegou a um número de 5 milhões de espectadores só nos EUA, batendo os recordes da própria emissora em produções semelhantes. O índice Metacritic, um site norte americano com grande credibilidade em reclamar tendências e que faz uma compilação de criticas e avaliações sobre produtos midiáticos em geral, deu uma nota de 82 pontos em 100 para The Walking Dead, indicando ‘’aclamação universal’’.

O sucesso da primeira temporada foi tão grande que logo modificaram a dinâmica de episódios, que foram de 6 na primeira temporada para 13, na segunda. Desde então, a franquia vem ascendendo em número de espectadores, a última temporada chegou à média de 14 milhões de espectadores como mostra o site americano tvseriesfinale.com.

Tomando como referência o contexto de lançamento de uma nova temporada, percebemos que novas ações precisam ser elaboradas para criar engajamento e atingir novos públicos. Sendo muito voltada para o aspecto televisivo, o público espectador é vasto e conta com pessoas entre 18 e 45 anos, segundo artigos do portal IMDB. Nas primeiras temporadas da série, buscando um apelo de divulgação mais democrático e acessível, os produtores tiveram a ideia de patrocinar alguns desfiles, os chamados ‘zombie walk’ colocando atores do elenco ‘zumbi’ para participar e andar pelas ruas. Em algumas cidades como Nova York, São Paulo e outras capitais do mundo, houve um preocupação também em colocar este elenco aleatoriamente andando pelas calçadas e gravando vídeos para mostrar a reação das pessoas.  

O universo da série

Todo o universo que envolve a série foi criado para ser transmidiático. Eles buscam realizar as ações e divulgações através de conteúdos distribuídos por diversas plataformas e formatos, para, assim, conseguir o engajamento do público. De acordo com nossas observações e constatações, o Facebook é o local que mais realiza essa mediação entre outras plataformas, além de ser a rede social onde existe maior interação entre os fãs. Outras plataformas muito utilizadas são: a própria transmissão pela televisão, o Twitter, a Netflix e outros blogs que fazem divulgação como, por exemplo, o GeekDama. Todas as plataformas apresentam conteúdo exclusivo e independente, no sentido de ser auto-explicativo.

Foi criada, posteriormente, uma nova série chamada Fear The Walking Dead, que é uma narrativa que se passa no mesmo universo de The Walking Dead, mas mostra ao público como foi o início da infecção em Atlanta, com diferentes tramas e personagens. A página do Facebook é bastante movimentada, são feitas várias postagens sobre essa nova série, além de muitas tirinhas de memes, gifs, podcasts, curiosidades sobre os personagens, os atores e o universo zumbi, além de divulgação de outras séries como Outcast e Game of Thrones.

O endereço www.thewalkingdead.com.br é o site mais popular sobre a série no Brasil, e possui uma gama gigantesca de conteúdo. Criado e abastecido por fãs e blogueiros, nesse canal são disponibilizadas análises, discussões, bastidores, últimas notícias, curiosidades e entrevistas sobre a série oficial e Fear The Walking Dead, os websódios, os quadrinhos, um guia de livros e games, colunas com análises dos episódios e comparações entre a série da TV e os quadrinhos, podcasts, a Wikipédia e a loja oficial.

Por se tratar de uma série de grande sucesso, tudo o que tange o universo de The Walking Dead ganha destaque, sejam séries relacionadas ou produtos variados. A interação não termina na transmissão dos episódios na televisão, eles estão presentes em sites na internet e novos conteúdos são lançados diariamente para que a interação continue acontecendo entre os fãs e as plataformas.

Um meio de ramificação e produção de conteúdo relacionado à série são as fanfics, histórias criadas pelos fãs a partir da narrativa ou dos personagens originais. Ao procurarmos no Google encontramos uma infinidade de histórias criadas com os personagens da série, envolvendo outras séries ou outros universos,  gerando muita interação entre os públicos.

A própria cultura da convergência, que é um termo homônimo ao livro de Henry Jenkins de 2008  situa o cenário cultural que é caracterizado pela reapropriação de conteúdos e produção midiática cooperativa, que integra agentes como: mídia corporativa, mídia alternativa, consumidor e afins. Esse apontamento de uma sociedade com tendências à produção colaborativa e aglutinação de conteúdos nos mostra a superação de certas restrições com relação aos direitos autorais, ao haver a apropriação de elementos da série. No ambiente de redes sociais de compartilhamento exclusivo de vídeos como o YouTube, são encontrados diversos canais independentes que se apropriam de cenas da série, discutem, criam factoides, e possuem relativo êxito na questão de relevância de buscas.

A importância do engajamento

A campanha proposta pelo grupo tem como objetivo preparar o público para a estreia da 7ª temporada de The Walking Dead. É importante que ela alcance aqueles que já são espectadores fiéis e também desperte o interesse dos que ainda não a assistiram.

Para pensar essa campanha, é necessário compreender o atual contexto midiático, no qual as redes sociais desempenham um papel importantíssimo na reverberação de acontecimento e divulgação de conteúdos, principalmente para o setor de entretenimento. Um dos estudiosos dessas novas interações é o pesquisador Henry Jenkins. Para ele, o grande diferencial das mídias atuais é o poder de engajamento do público, que através das redes sociais consegue interagir com o conteúdo midiático exposto, além de ser capaz de produzir seu próprio conteúdo, exercendo o papel de prosumidores – os consumidores que auxiliam na produção do conteúdo.

Conseguir que o público se engaje em um conteúdo nas redes é importante pois possibilita que este chegue à um número inestimável de usuários. Pensando nas lógicas de redes como Facebook e Twitter, o engajamento do público é a ferramenta essencial para que o conteúdo chegue a diferentes usuários. Esse alcance é intenso e acontece de maneira muito mais veloz do que o alcance que as mídias tradicionais possibilitam, como televisão, rádio e jornal que, apesar de menos eficientes no que diz respeito à conteúdos de entretenimento para o público jovem, não podem ser deixados de lado.

Entendemos, portanto, que gerar reverberações em rede é eficaz para expandir o alcance de um conteúdo. Então, a grande questão deste planejamento é como provocar tal engajamento a partir do que as redes sociais permitem.

Elementos da campanha – 7ª Temporada

O lançamento da 7ª temporada de The Walking Dead será global. A série é transmitida em diversos países e não está disponível apenas na televisão. O lançamento das últimas temporadas foi feito anualmente, sendo divulgado em páginas de mídias sociais, principalmente Facebook e Twitter, propagandas na televisão, e em diversos sites na internet, como, por exemplos, sites que tratam sobre filmes e cinema, Netflix e blogs.

Identificamos que o engajamento em torno da série existe, porém precisa ser mais estimulado. Com esta campanha, pretendemos manter os canais de divulgação base mas propor outras ferramentas que possam contribuir para o engajamento do público nos meses anteriores ao lançamento. Tais ações estarão alinhadas principalmente com as redes sociais, pois elas se caracterizam como um ambiente de efervescência comunicativa e que possibilitam as interações entre os usuários e o conteúdo. Nossa principal proposta consiste em um jogo para web, que funcionará como vínculo de engajamento social dos internautas, possibilitando trocas entre algumas das redes sociais mais relevantes da atualidade: Facebook, Instagram e Snapchat.

O JogoSafe Zone - Tela inicial

The Walking Dead – Safe Zone 

Para o lançamento da sétima temporada da série The Walking Dead, propomos a execução de um jogo virtual, compatível para mobile como aplicativo. “O The Walking Dead – Safe Zone” surge como uma área segura da série, que permite que os fãs interajam entre si. A aventura é reservada aos corajosos que poderão desafiar seus amigos ou duelar com outros jogadores, para descobrir quem sabe mais a respeito do universo da série. 

O jogo será construído a partir de associações visuais e se aproveitando de elementos próprios do roteiro da série, como a cena final do último episódio da última temporada, chamado Last Day on Earth, quando o vilão Negan escolhe aleatoriamente e mata um dos 11 protagonistas da série. 

Regras básicas

O game funcionará como um quiz associado às contas de Facebook e Twitter do usuário. Serão três tipos de adversários e três esferas diferentes do game: adversários escolhidos randomicamente, desafiados por um usuário ou ainda escolhidos por geolocalização.

O jogador terá 10 segundos para responder uma pergunta de múltipla escolha, com 3 opções de resposta, a respeito das temporadas que já foram exibidas. Cada duelo será de cinco perguntas (cinco jogos) e o ganhador de cada jogo é aquele que responder certo e em menos tempo a pergunta, vence o duelo quem acumular mais jogos ganhos. Em caso de empate o sistema gera uma pergunta extra.

Além de poder jogar contra usuários de sua própria rede de amigos do Facebook e outros fãs escolhidos randomicamente pelo aplicativo, o player também poderá desafiar outros players que estejam nas proximidades. Isso será feito a partir de funções de georreferenciamento do próprio jogo.

Aproveitando o contexto de dúvida deixado pela última temporada, haverá a possibilidade de disputa com o computador, que no caso será o personagem Negan, e dará ao vencedor mais pontos que um duelo comum caso vença e uma perda de pontos em caso de derrota. Negan aparecerá aleatoriamente, como se escolhesse uma pessoa para desafiar, assim como escolheu um personagem para matar no final da temporada. Cada jogo de um duelo com Negan tem duração de 5 segundos.

RankingSafe Zone - Perfil de usuário

Cada duelo vencido valerá determinado número de pontos. A somatória desses pontos será o critério para a criação de ranking mundial, nacional, estadual e até mesmo na própria rede do jogador (suas conexões com a internet).

Quanto mais pontos um jogador tiver, maior será seu nível na hierarquia e maior será seu poder de jogo. Cada vitória sobre um player de hierarquia superior dará mais pontos ao vencedor. As vitórias sobre players de hierarquia inferior resultarão em menos pontos. No exemplo da imagem, Miguel Andrade é um jogador de nível master, caso ele desafie um jogador de nível iniciante ou intermediário sua pontuação varia, mas será menor que se ele desafiar ou for desafiado por um de nível master.

A pontuação no ranking será responsável por categorizar os jogadores na hierarquia e estabelecer os duelos entre si (quanto mais pontos, maior o nível hierárquico). O player terá a liberdade de desafiar usuários de outras categorias para conseguir mais pontos. Através da ultrapassagem de certa pontuação no ranking o jogador poderá desbloquear outros conteúdos e níveis de perguntas, além de participar de outras ações promocionais externas ao jogo.

Convergência entre redes e ações externas

A ideia é que todo o jogo seja conectado em outras redes sociais, com ênfase no Facebook e Twitter. O usuário poderá enviar convites para outros internautas, divulgar sua pontuação, checar os rankings, etc. Os jogadores poderão também comunicar-se entre si através de um bate-papo do próprio jogo. 

O jogo também permite um comportamento muito comum do contexto de convergência das mídias que o a produção de conteúdo por parte do próprio consumidor. Os usuários poderão sugerir perguntas sobre a série, que serão avaliadas e poderão fazer parte do quizz. Essa possibilidade favorece a expansão do jogo pelo universo da série e colabora para que haja um vínculo maior entre usuários e o próprio jogo.

Uma outra atividade possível pelo jogo será a área chamada “Caça ao Zumbi”, que é uma ação externa onde haverá pistas nas lojas de patrocinadores. Estas poderão ser vistas em horários específicos a partir do mapa virtual da cidade dentro do aplicativo. Os jogadores que encontrarem essas pistas receberão brindes exclusivos de The Walking Dead, além de acumularem mais pontos. Essa será uma maneira de possibilitar ações do lançamento da série em conjunto com o comércio local, utilizando ferramentas de georreferenciamento do jogo.

Por fim, pretendemos também usar o Snapchat como um divulgador do jogo e do próprio lançamento, através da disponibilização de filtros faciais correspondentes aos 11 personagens do jogo e um zumbi.

Equipe

Ariana Santos, Beatriz Valle, Isabela Cardoso, Pedro Ivo, Rafael Medeiros.

4 comments

  • Matheus Salvino

    Penso ser uma proposta de jogo bastante interessante considerando o sucesso da série, que agencia diversos atores via redes. Ponto alto da sugestão é expansão da narrativa do produto “The Walking Dead” sobre a jogabilidade, evidente, por exemplo, no “desafio especial” com o personagem Negan. Existe uma relação direta com a trama.

    Acredito apenas que as chamadas “ações externas” não foram minuciosamente explicadas, de forma que a inserção deste tipo de conteúdo na jogabilidade tornou-se bastante “aberta”. Ações específicas oferecidas pelo geoprocessamento demandam um esforço outro. Considerando o território de viabilidade do jogo, de que forma os logistas seriam envolvidos e organizados no processo?

  • Manoela Folador

    Oi gente! Como falei anteriormente, achei a proposta de vocês muito bacana. Vocês aproveitaram o gancho deixado no fim da temporada de uma forma incrível, e o jogo é uma expansão muito interessante da dinâmica da série, além de ocupar o fandom enquanto a nova temporada não chega.

    Ficou bem claro pra mim que vocês se empenharam bastante em tornar o jogo não apenas um passatempo, mas uma experiência, e essa iniciativa é louvável, principalmente porque o formato oferece essa possibilidade de engajamento e participação ativa na narrativa.

    Minhas sugestões são apenas aditivos, como a inserção de perguntas relativas às temporadas passadas, revivendo histórias e núcleos que já não fazem parte da série mais, com a opção de incluir vídeos de personagens queridos que morreram ou deixaram a série. Assim, vocês adicionariam mais combustível no engajamento dos fandoms, por mais que a base de fãs já esteja acostumada com essas perdas, a identificação com alguns personagens é inevitável.

    Penso que as ações externas envolvendo pistas físicas e estabelecimentos comerciais têm muito valor, e nesse sentido, sugiro uma integração do jogo com atos como a “Zoombiewalk” seria muito produtiva, e geraria ainda mais engajamento e menções nas redes sociais.

    Parabéns pelas ideias!

  • Geane Carvalho Alzamora

    Olá pessoal,
    bom trabalho! Acho que vocês levaram em conta os comentários feitos em sala de aula na revisão do trabalho, mas eu sugeriria ainda que evitassem a barra de rolagem tão ampla (usem mais hiperlinks, talvez nos títulos dos tópicos) e indicassem mais claramente as referências bibliográficas usadas na análise (hiperlinks são úteis para isso), em especial a referência metodológica da análise. Parece-me também que seria também importante situar claramente o que é análise e o que é proposta de experimentação transmidiática, justificando a lacuna encontrada e a solução proposta.

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