#TwitterTV Interações no Twitter a partir da transmissão do Bate-Bola, da ESPN

Por Clara Braga, Harlley Soares e João Vítor Marques

O Bate-Bola (BB) conta com três exibições diárias: manhã, tarde e noite. O programa apresenta conteúdo de debate futebolístico e é descrito pelo site da emissora como “O tradicional programa de futebol com apresentador e comentaristas aqui é diferente: descontração inteligente, qualidade da informação, liberdade de expressão e, é claro, a sua participação”.

Seguindo a tendência dos principais programas do gênero, o telespectador é convidado a participar da atração através de interações pelo Twitter. Os “melhores” tweets são selecionados e exibidos na tela durante o programa e podem até mesmo gerar debate entre os comentaristas. No dia 13, a hashtag era #bateboladechampions; no dia 20, #batebolatemsinalaberto.

Apesar de os dias, os horários e os temas dos programas sobre os quais coletamos dados serem diferentes, percebemos algumas características semelhantes.

Ao contrário de certos eventos ao vivo, em que usuários interagem substancialmente entre si, a rede formada pelo Bate-Bola proporciona especialmente a interação entre audiência conectada e comentaristas/apresentadores. A quantidade de retweets e menções é maior para os jornalistas que estão no estúdio.

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Detalhe da rede do dia 13 de abril

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Detalhe da rede do dia 20 de abril

A explicação para isso parece simples: mais que debater com outros, o usuário do Twitter quer ver sua mensagem na tela ou como pauta para discussões no programa. Para isso, ele precisa direcionar seu tweet tanto para a emissora, através da hashtag, quanto para comentaristas. Nas imagens que formam a rede podemos perceber a densidade dos nós que representam JCACanalha, jpsorin6, gianoddi, marcelarafael, brunovicari, lbertozzi e MauroCezarESPN (todos de comentaristas e apresentadores que estiveram nos programas), devido à quantidade de arestas ligadas a eles.

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Visão geral da rede do dia 13

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Visão geral da rede do dia 20

Percebemos também as manifestações de alguns usuários sendo bastante replicadas. Enquanto no BB do dia 13 percebemos retweets em postagens sobre assuntos “sérios”, como a revolta com a não antecipação da semifinal Cruzeiro x Atlético Mineiro para sábado, no do dia 20 percebemos uma grande quantidade de retweets ironizando os policiais que bateram com cassetete em palmeirenses e outros reclamando da postura do comentarista Mauro Cezar Pereira (“Manda o Mauro calar a boca por favor”, “controlem a imbecilidade do mauro cezar. Patético”.

bbExemplo de manifestação autogerada no dia 13 de abril

Essas manifestações dos dois dias foram interessantes, pois os assuntos não nasceram do programa e vieram para a rede. No dia 13, o assunto “Cruzeiro x Atlético” nem estava em pauta. Dia 20, o tweet sobre policiais não apareceu na tela, mas gerou retweets, assim como as críticas ferrenhas ao comentarista, configurando-se como um redirecionamento proposto pela audiência conectada.

Percebemos uma situação interessante no dia 20. Um usuário teve seu tweet (“Corintians, descanse em Prass”) exibido. Logo após, ao verem a mensagem na tela, vários usuários mencionaram o autor da brincadeira para elogiá-lo.

No entanto, apesar dessas manifestações “autogeradas” e das redes paralelas – especialmente no dia 20 -, a maioria dos tweets era direta e servia como comentário para o que estava sendo discutido. A edição da tarde conta com maior participação e leitura de tweets. Tanto é que alguns apareceram nas discussões, como um que brincava com a eliminação do Corinthians e foi mostrada na tela principal do BB:
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Dia 13 percebemos pouca participação, o que também é uma marca que chama atenção. O grupo entende que a isso se deveu ao enfoque do programa. Ao invés de discutir os jogos do fim de semana, o BB recebeu os ex-jogadores Seedorf e Morientes para uma entrevista, o que gerou tweets com perguntas aos convidados e não debates.

Na nuvem de palavras, nenhuma novidade. As hashtags #bateboladechampions e #batebolatemsinalaberto foram, de longe, os termos mais citados. Atrás deles, os nomes de comentaristas e de times, como Palmeiras, Santos e Corinthians.

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Nuvem de palavras do dia 13 de abril

 

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Nuvem de palavras do dia 20 de abril

Com isso, percebemos que um dos grandes diferencias desse tipo de programa é justamente promover uma interação mais direta com jornalistas e canal. Apesar disso, manifestações autogeradas ganham força na rede e o fato de algumas aparecerem na tela e gerarem discussão repercutem no Twitter.

Equipe

Clara Braga, Harlley Soares e João Vítor Marques 

Etapas desta publicação

Proposta  Desenvolvimento 

7 comments

  • Carlos d'Andréa

    Oi, grupo,
    não entendi bem os problemas técnicos que vocês tiveram, podem detalhá-los no “desenvolvimento”? Quanto à análise, senti falta de mais detalhes de como os tweets se conectam com a transmissão televisiva…. abs

    • João Vítor Marques

      Oi, Carlos,

      – Sobre os problemas técnicos com o Gephi, explicamos no desenvolvimento. Mas já adianto: o software funciona em conjunto com até a versão 7 do Java. Nossos computadores, no entanto, estavam com a versão 8.

      – Sobre a conexão tweets-transmissão, editamos e tentamos deixar mais clara essa relação.

      – Incluímos também a visão geral da rede, que demonstra a concentração de interações nos comentaristas e apresentadores, ao mesmo tempo em que surgem algumas pequenas redes periféricas.

  • saulogargiulo

    Nesse trabalho, em específico, fica bem claro que o tipo de programa televisivo define bastante o resultado das interações durante transmissão. O fato dios comentaristas exemplifica isso. Afinal ambos são as “estrelas” do programa, mas semuma análçise não poderiamos afirmar que só por participarem da atração teriam seus perfis dinâmicos na rede social.

    Importante ressaltar a idéia de que tuites de usuários durante o programa rendem pautas jornalisticas para o próprio programa. Seria uma coisa cíclica? Se sim até que ponto?

    E sobre a zueira. Cada vez mais imagino se realmente esse tipo de comentário poderia ser estudado, e talvez, ensinado. Ou claro, seria uma facilidade particular do dono do perfil que faz uso desse tipo de humor?

    • João Vítor Marques

      Saulo, “cíclica” em que sentido?

      Tenho a impressão de que certas vezes o ‘humor’ é aprendido por quem vivencia o dia a dia da rede, que ‘incorpora’ em seus posts certas práticas e especialmente as ironias típicas do twitter. Acho que isso renderia (se já não rendeu) um bom estudo.

  • Laura Tupynamba

    O presente trabalho é muito interessante. Pela análise apresentada é possível discutir sobre os novos hábitos de entretenimento-informação que acompanha as novas tecnologias. A coleta de dados em diferentes momentos foi fundamental para o resultado final e as dificuldades técnicas relatadas foram satisfatoriamente contornadas.

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