Vigilância líquida: aonde vamos chegar?

Zygmunt Bauman, morreu em janeiro deste ano, aos 91, e foi um sociólogo pós-moderno atrelado a valores comunistas que atentava para a liquidez das relações no mundo pós moderno, dominado pela tecnologia. O termo liquidez é usado para explicar a percepção de um certo vazio encontrado nas relações mediadas pelo uso das redes sociais, por exemplo. Além disso, Bauman tentava demonstrar a complexidade dos fenômenos atuais que acontecem e reacontecem na velocidade de um piscar de olhos. Para ele, aí está o grande problema em querer e tentar denominar, explicar e generalizar certos processos, pois nunca se sabe quando acontecerá a próxima mudança. Como explicar, por exemplo, a rápida migração dos usuários do aplicativo Snapchat, para o Stories do Instagram?

Bauman, em entrevista a David Lyon Zahar, para o livro Vigilância Líquida (2014), debate o termo “vigilância” a partir de alguns exemplos centrais. Dentre os mais relevantes para a área de estudos da Comunicação e a disciplina de Processos de Criação em Mídias Digitais estão os Drones e as Mídias Sociais.

Em relação às mídias sociais, percebe-se que os usuários tem cada dia mais, compartilhado e consumido dados pessoais desenfreadamente. Para Bauman, no fundo as pessoas sabem que podem estar se expondo demais nas redes, mas o prazer de fazer parte delas que recebem em troca é suficiente para abrir mão da sua privacidade e mais, começarem a apresentar uma necessidade de exposição. O autor explica essa necessidade baseando-se nas suas próprias crenças no mundo líquido: com o afastamento das pessoas no mundo real e, como consequência, o vazio dos relacionamentos fazem com que as pessoas se sintam sozinhas e encontrem no Facebook, por exemplo, um meio de se sentirem parte de algo, de um grupo ou de alguma causa. A esse fenômeno, Zygmunt Bauman cunha o termo “existência valorizada” na medida em que os usuários das redes digitais se sentem valorizados pelo seu ingresso nesse meio.

Bauman acredita ainda que o prazer de fazer parte desses lugares digitais é tão grande que, hoje em dia, os que se recusam podem ser chamados de rebeldes. O sociólogo explica que os desenvolvedores das redes sociais fazem parecer com que é assinado um contrato em via de mão dupla quando migramos para alguma nova mídia social, porém sabemos que a maioria das pessoas, ao marcar a caixa “Li e aceito os termos de compromisso” nem sequer leram esse documento.

A partir disso, milhões de dados pessoais são gerados e ficam disponíveis na rede para o que quiserem ter acesso. É aí onde se têm início a vigilância e a relação dessas mídias com os drones. Para Bauman, o consumo de dados está se tornando algo tão natural que não questionamos o aparecimento dos drones no mundo moderno. Se não nos importamos com nossa exposição, ou ainda pior, criamos uma necessidade de nos expor, porquê a utilização de drones e câmeras de vigilância seriam um problema para nós?

Enquanto Zygmunt Bauman se preocupa com a perda da privacidade em tempos de drones e mídias sociais, Lyon vai refletir se o uso de drones cada vez menores e que pairam no ar como insetos é de todo ruim, tendo em vista a segurança que essas câmeras podem nos proporcionar em meio a tantos ataques terroristas, hackers e a corrupção política-econômica mundial.

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