entrada

Você já foi ao CEU?

O Centro Esportivo Universitário, mais conhecido como CEU, foi fundado em 1971 com o objetivo de oferecer à comunidade acadêmica da Universidade Federal de Minas Gerais um espaço à ser utilizado para fins didáticos, culturais e de lazer.
A diretoria do CEU é um cargo de confiança, sendo de responsabilidade do reitor a escolha do diretor. Na gestão do reitor Clélio Campolina, o CEU tinha como diretora a professora Elen de Oliveira, que colocou ações em prática para o CEU se tornar um ambiente familiar. Atualmente o diretor é o professor doutor Rodolfo Benda, indicado pelo reitor Jaime Arturo.



O CEU, antes exclusivo para alunos, docentes e técnicos-administrativos da UFMG, hoje conta com um público mais extenso e diversificado. Podem se associar funcionários terceirizado, alunos de extensão e disciplinas isoladas da Universidade Federal de Minas Gerais, além de alunos de outras universidades.
No Centro Esportivo são oferecidos cursos de tênis, Tai-Chi-Chuan e Kung Fu, que visam democratizar a atividade física. Para participar desses cursos não é necessário ser sócio, basta fazer a inscrição e pagar as mensalidades. O valor da mensalidade do curso de tênis varia conforme a idade e quantidade de aulas por semana, já os cursos de Tai-Chi-Chuan e Kung Fu têm o valor de 80,00 reais mensais, para três aulas semanais. As aulas são ministradas por alunos do curso de Educação Física, sob a orientação de professores.
Com a finalidade de oferecer maior qualidade de vida para os docentes e técnicos-administrativos, o Centro Esportivo Universitário criou o projeto “Ginástica no CEU”. Nesse projeto são realizadas atividades como ginástica, caminhada, alongamento, hidromassagem e dança de salão, em horário anterior e posterior ao expediente. Pensando na saúde e bem-estar da comunidade externa, um projeto de atividade física para 3ª idade está sendo implementado.
Em uma área totalmente arborizada, é possível encontrar uma piscina olímpica, uma piscina semi-olímpica, das piscinas infantis, sete quadras poliesportivas, cinco quadras para tênis, três quadras para peteca, duas quadras para basquete, um parque infantil, uma cantina e quatro vestiários.

Cadê a piscina que estava aqui?
A piscina olímpica está interditada desde o mês de agosto de 2011. O problema começou com vazamentos pequenos, até que em julho desse ano chegou a 80m³ por dia, causando grande prejuízo financeiro e danos ecológicos. Quer saber mais sobre a interdição e o que tem sido feito para reestruturar a piscina? Clique na foto e saiba tudo que o Daniel, chefe de logística, nos contou!

Quem faz o CEU – Um pouco da história de quem faz o clube funcionar

Vestiaristas

vestiaristas

-“Bom dia”
-“Bom dia”
-”Me dá uma chave para eu guardar minha mochila?”
-”Aqui, senhora”

E esse diálogo se repete ao longo do dia, quando as vestiaristas são solicitadas para guardar as mochilas e bolsas das mulheres que vêm ao clube. Ali em frente a televisão ligada na Globo e passando Mais Você, as três mulheres tricotam e fazem crochê para passar o tempo. O clube está vazio devido às baixas temperaturas do outono e elas quase não tem a quem atender.
Doraci, Jucelma e Marlene, 40, 45 e 58 anos respectivamente, são unânimes ao dizer que trabalhar no CEU é muito bom. Jucelma, que mesmo através de muita timidez, foi a primeira a falar. Já trabalhou em buffets, lavanderias e restaurantes, mas diz que o CEU é o preferido. “Estou aqui há 8 anos e considero um privilégio trabalhar em um lugar com tanta natureza e bonito feito aqui”, diz ela.
E por traz da timidez, Jucelma esconde seus antigos sonhos interrompidos quando teve seu primeiro filho, aos 16 anos. E ele foi apenas o primeiro dos nove filhos que têm. “Eu adoro família grande, casa cheia. Não me arrependo e acho que eles se tornaram meu novo sonho. É, é isso: ver meus filhos bem é o meu maior sonho”, justifica Jucelma. Ela conta que quer voltar a estudar, mas que a correria com os filhos não lhe permite isto. “O que me torna diferente é a minha garra, minha força. Eu não desanimo e luto pelo melhor para mim e para minha família”
Doraci observa atentamente as perguntas que faço a sua amiga, e quando termino ela me pergunta se é a próxima. Na primeira frase já diz que não é de Minas mas que seu coração é daqui. “Sou de Guanambi, interior da Bahia, mas moro aqui em BH há 22 anos. Quando vou pra Bahia ver meus pais, fico inquieta querendo voltar para cá. Gosto daqui e quero ficar aqui”.
Curiosamente, mesmo sendo de um estado litorâneo, Doraci nunca nunca viu o mar. “Meu pai trabalhava em Salvador e mesmo assim eu nunca fui lá e nunca vi o mar. Tenho vontade, é muito bonito na televisão”, revela. Ela, que já foi cuidadora de idosos e doméstica, diz que seu maior sonho é o mesmo ‘de muito brasileiros: ter uma casa própria. Doraci não prolonga muito o papo, e se assume “na dela”, mais quieta.
Marlene, logo atrás da gente, cochila com o som da conversa de fundo. Ao perceber que o assunto parou e que estamos olhando para ela, logo se adianta. “Eu sou a vó daqui. Tenho quase 60 anos, estudei só até a 4ª série, não tenho pai nem mãe e tenho quatro filhos. É isso aí”, diz abruptamente, já encerrando a entrevista antes mesmo de começar.
Todas as três fogem do registro da câmera, e voltam a bordar e a conversar. Agradeço a paciência delas e Jucelma diz: “Obrigada a você! E moça… sugere pro diretor daqui fazer alguma atividade física pros funcionários, pra gente não ficar sedentário… você sugere?”

Olhos verdes, batom vermelho, farda e coturno

guardiã

A única segurança mulher daquele turno, ou guardiã, como prefere ser chamada, Aline Malagoli me chamou a atenção. Ela tem 30 anos e trabalha no CEU há 3. “Aqui é minha segunda casa. Adoro acordar cedo e ter o prazer de vestir a farda e o coturno e vir trabalhar”, diz sorrindo.
Antes dali, foi camareira, garçonete, secretária e segurança da justiça federal, mas diz que somente no clube se encontrou na profissão. Quando mais jovem, queria ser bombeira ou médica, pois acha maravilhoso profissões que salvam tantas vidas, mas a vida lhe apresentou caminhos diferentes: acabou casando aos 19 anos e tendo filho aos 22, adiando alguns sonhos. Ela então fez curso de segurança, onde aprendeu noções básicas de direito, aula de tiro e conhecimentos gerais.
Apesar de ser sorridente e de ter belos olhos verdes contrastantes com os cabelos pretos, Aline demonstra desconfiança. “Já tive muitas decepções, por isso sou desconfiada e de poucas amizades. Prefiro ficar ‘na minha’, em casa, com minha família”, confessa.
Tentei saber um pouco mais sobre essas decepções. Ela demorou um pouco para falar, olhando longe. Se casou a primeira vez aos 19 anos, em busca de uma independência maior dos pais. Porém, segundo ela, a imaturidade da idade prejudicou e acabou cedo. No segundo casamento ela teve um filho, e foi deixada pelo marido logo após seu nascimento. Agora ela está no terceiro casamento e se diz feliz finalmente. Quando a perguntei o que faria diferente ela confessou que não teria se casado tão cedo e que teria tido filho mais tarde.
Bastantes expressiva, Aline deixa transparecer suas opiniões em simples olhares. Ao exempificar momentos em que foi desacatada, contou de quando um homem de shorts estava na piscina, algo que é proibido no clube, se recusou a sair da piscina e disse que ela “não sabia com quem estava falando”. A guardiã representou a cena novamente, com uma dureza que quase pensei que a bronca fosse para mim. “Não me importa quem você é. Aqui dentro você é mais um usuário do clube e vai sair da piscina agora porque estou mandando”.


Alguns funcionários do CEU podem usar o clube para lazer fora do horário de trabalho, porém Aline prefere não misturar as coisas. “Homem não é flor que se cheire, moça. Se eu colocar um biquini aqui nunca mais vão me ver como uma guardiã que deve ser respeitada”, explica.
Apesar das poucas amizades, ela confessa que, num meio predominantemente masculino, sente falta de uma amiga confidente. A outra guardiã era a única mulher com quem ela compartilhava segredos, mas elas acabaram se desentendendo. “Eu não tenho papas na língua, e às vezes isso incomoda as pessoas. E já fui muito sacaneada por amigas”, desabafa.
Depois de toda a conversa permeada de sorrisos e chamados no rádio, peço para tirar uma foto dela.
-”Posso tirar uma foto sua?”
-”Assim sem batom? (risos) Espere aí!”
E ela voltou com batom vermelho e brinco, ajeitando a farda sorrindo

Salvam vidas, contam histórias

Salve-vidas

Com o som sintonizado na rádio sertaneja, de shorts e blusa de frio, os dois salva-vidas ficam sentados debaixo da tenda de frente para a piscina. Em uma manhã de outono não tem praticamente ninguém na piscina, e eles logo puxam uma cadeira para eu me sentar e conversar com eles.
Wellis Cardoso tem 36 anos e trabalha no CEU há 9 meses. Com uma tatuagem de seu próprio nome no antebraço, Wellis é bastante entrosado e tem muita história para contar. No clube diz ser muito tranquilo de trabalhar, diferentemente de muitos outros empregos que já teve. “Comecei aos 13 anos, fazendo vassoura. Depois fui jardineiro, garçom e servente de pedreiro”. Ele logo emenda um causo engraçado, de quando levava três vassouras sem o patrão ver e trocava por um pudim na padaria.


Daniel Freitas, é menos espevitado que o amigo. Tem 31 anos e 4 de CEU. Adora o lugar por ser tranquilo, ter com quem conversar e interagir. Wellis discorda, e acha que deveria haver mais interação com os usuários. “Muitos nos ignoram sempre que vem aqui e quando vão reclamar vem falar com a gente”, reclama.
Daniel também começou a trabalhar cedo, e já foi empregado em pizzaria, confecção de roupas e laboratório. Ele diz que não se arrepende de nada, mas que queria ter tido a chance de estudar mais. “Talvez eu teria realizado meu sonho de ser militar, mas como não estudei não tive essa oportunidade.”
O amigo logo interrompe e diz que não se arrepende de nada também. Nem mesmo de quando foi para os Estados Unidos ilegalmente. “Eu queria uma vida com mais condições e fui buscar isso fora. Viajei até o México, depois peguei carona, nadei, caminhei por dias e fui pego pela polícia. Me deixaram ficar seis meses mas acabei ficando oito anos”, se diverte. Ele diz querer voltar, pois apesar das humilhações que sofreu lá, como não ter tempo nem para ir ao banheiro calmamente, tinha um salário melhor do que aqui no Brasil.
Tirei foto dos dois e Wellis, sem papas na língua, logo disse: “Agora você tira uma com a gente”. Seu amigo, mais tímido logo respondeu “Não, uai! A jornalista é ela! Sossega!”, e caíram na risada

Conheça o CEU

O Centro Esportivo Universitário está localizado na Avenida Coronel Oscar Paschoal s/nº – Bairro São Luiz, em frente ao hall de entrada do Estádio do Mineirão. O horário de funcionamento é de terça à sexta-feira, de 07:00 às 21:00 horas, sábado de 08:00 às 17:00 horas, domingos e feriados de 07:00 às 14:00 horas.
Para se associar basta entrar no site e realizar o passo-a-passo para confecção da carteirinha. Lembrando que alunos da UFMG pagam somente R$10,00 por semestre.

Para conhecer o CEU, basta dar um clique no vídeo e fazer um rápido passeio.

 

Ou confira algumas fotos!

Equipe

Lyliane Goulart e Millenne Ferrante 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

WP-SpamFree by Pole Position Marketing